A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará abriu investigação para apurar por que uma área onde foram encontrados 290 mil pés de maconha, em Acopiara, teria sido deixada sem preservação adequada após operação da Polícia Civil. O caso ganhou repercussão depois que imagens mostraram parte da plantação ainda no local, dias após a ação policial.
Segundo a própria polícia, foram localizados cerca de 160 mil pés em fase de cultivo e outros 130 mil já colhidos, em uma área de aproximadamente três hectares. A operação foi apresentada como a maior apreensão de plantação de maconha feita pela Polícia Civil do Ceará nos últimos anos. Ninguém foi preso.
A crise começou quando o deputado federal André Fernandes afirmou ter ido ao sítio dois dias depois da operação e encontrado parte da plantação ainda intacta. Ele disse ter acionado a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para investigar possível falha na preservação do local e no procedimento de destruição da droga.
O caso é grave porque não envolve apenas uma grande apreensão. Envolve a cadeia de custódia, a preservação da cena do crime e a credibilidade da operação. Em uma ação desse tamanho, a expectativa é que a área seja isolada, documentada, periciada e destruída conforme os procedimentos legais, justamente para evitar perda de prova, desvio de material ou questionamento posterior da investigação.
A Controladoria Geral de Disciplina e a Polícia Civil também passaram a apurar as circunstâncias do episódio. O ponto central é entender se houve falha operacional, falta de efetivo, erro de planejamento ou negligência na condução da ocorrência.
A pergunta que fica é direta: como uma plantação desse porte, apresentada como recorde pela própria segurança pública, pôde permanecer acessível depois da operação?
O episódio cria desgaste para o governo estadual porque toca em uma área sensível: o enfrentamento ao crime organizado no interior do Ceará. Se a operação foi grande o suficiente para ser divulgada como marco, também precisava ter rigor proporcional em sua execução.
Agora, a investigação interna terá de responder não apenas quem era responsável pela plantação, mas também quem deveria ter garantido que o local não fosse abandonado.


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