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China lança chip revolucionário de IA e consolida sua independência tecnológica

No início de 1949, as tropas de Mao Tsé-tung entraram em Pequim e, em outubro daquele ano, proclamaram a República Popular da China. O mundo assistiu surpreso ao nascimento de uma potência que quase ninguém apostava que fosse vingar.

Quase oito décadas depois, a China apresenta ao mundo uma nova revolução. Desta vez ela é tecnológica, e implode o esforço americano de dominar o planeta pelo controle absoluto do hardware e do software de inteligência artificial.

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Imagem em IA criada pelo Cafezinho

No início de 1949, as tropas de Mao Tsé-tung entraram em Pequim e, em outubro daquele ano, proclamaram a República Popular da China. O mundo assistiu surpreso ao nascimento de uma potência que boa parte do Ocidente apostava que não se firmaria.

Quase oito décadas depois, a China apresenta ao mundo uma nova revolução. Desta vez ela é tecnológica, e implode o esforço americano de dominar o planeta pelo controle absoluto do hardware e do software de inteligência artificial.

O contraste com os Estados Unidos não poderia ser maior. Em junho de 2026 (alguns dias atrás), o governo de Donald Trump liberou os modelos de IA mais avançados do país apenas a parceiros aprovados por Washington, caso do GPT-5.6, da OpenAI, dona do ChatGPT, e do Mythos 5, da Anthropic, criadora do Claude.

A China faz o oposto. Seus principais modelos de IA, como o DeepSeek V4, são lançados em código aberto, e não como sistemas proprietários e fechados. Qualquer pessoa ou empresa pode baixar, rodar e adaptar esses modelos de graça, estudar como cada um funciona por dentro e usá-los de base para construir sistemas semelhantes. Enquanto os americanos trancam sua tecnologia mais avançada, a China a entrega ao mundo, em especial ao Sul Global.

Isso expõe a fragilidade de uma Europa que se rendeu, com subserviência inacreditável, aos acordos tecnológicos anti-China costurados com os Estados Unidos. Quando Washington cortou até dos aliados o acesso aos seus modelos mais avançados, líderes europeus despertaram para o risco de depender de uma tecnologia que pode ser desligada da noite para o dia. Ao seguir nessa toada, o continente se autoisola do ecossistema de chips e IA, mais moderno e mais barato, que emerge na China.

Em 25 de maio de 2026, num congresso de tecnologia em Xangai, a Huawei mostrou um novo jeito de fabricar chips avançados, produzidos especialmente para os datacenters de inteligência artificial, sem depender dos Estados Unidos. Quem apresentou a novidade foi He Tingbo, presidente da divisão de semicondutores da empresa, na China.

Como a Huawei driblou o bloqueio dos chips

Um chip avançado é uma pastilha minúscula com bilhões de transistores, as chaves que ligam e desligam para realizar cada cálculo. Durante mais de cinco décadas, a indústria ganhou potência encolhendo esses transistores para caber mais deles no mesmo espaço, já que quanto menor a peça, mais rápido e mais barato fica o chip.

Esse é o segredo por trás da Nvidia e da TSMC. A Nvidia projeta os chips de IA mais cobiçados do mundo, mas quem os fabrica é a taiwanesa TSMC, a única capaz de gravar os transistores mais minúsculos que existem, e ela só consegue isso com máquinas de litografia da holandesa ASML, que custam centenas de milhões de dólares e não têm concorrente.

Foi nesse ponto que os Estados Unidos miraram para conter a China. Proibiram a venda dos chips mais avançados e, sobretudo, barraram a exportação das máquinas da ASML, apostando que sem essas ferramentas a China jamais alcançaria a fronteira da miniaturização.

A Huawei respondeu mudando a pergunta. Em vez de disputar transistores menores, terreno em que os americanos controlam as ferramentas, passou a buscar velocidade encurtando o caminho que a informação percorre, empilhando os circuitos em camadas, como os andares de um prédio.

A empresa diz ter aumentado em 53% a quantidade de transistores numa única geração e já ter produzido em massa 381 projetos de chip com a técnica ao longo de seis anos. O próximo celular Kirin, previsto para o segundo semestre, será o primeiro a usá-la.

A derrota da Nvidia na China

O anúncio veio quatro dias depois de a Nvidia admitir a derrota na China. Em 21 de maio, Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, dos Estados Unidos, disse a investidores que praticamente entregou à Huawei o mercado chinês de IA, que ele mesmo estima em cerca de 50 bilhões de dólares.

A Nvidia chegou a controlar cerca de 95% desse mercado antes de as restrições americanas apertarem, a partir de 2022. As próprias sanções a empurraram para fora, mas o golpe final veio da concorrente chinesa, que construiu algo melhor.

O que tirou a Nvidia do jogo foi o Ascend 950PR, que entrou em produção em massa em março de 2026. O cartão Atlas 350, que o carrega, entrega 1,56 quatrilhão de cálculos por segundo, o equivalente a 150 laptops gamer de ponta ao mesmo tempo. Segundo a Huawei, o chip rende 2,87 vezes o desempenho da H20, o modelo mais avançado que a Nvidia ainda podia vender legalmente à China, por cerca de 16 mil dólares, quase o mesmo preço de antes.

Em poucas semanas, Alibaba, Tencent e a ByteDance, dona do TikTok, fizeram encomendas bilionárias de chips Ascend. A Huawei projeta receita de 12 bilhões de dólares com a venda de chips de IA em 2026, contra 7,5 bilhões no ano anterior.

A Huawei ergueu essa cadeia inteira por conta própria. Desenvolveu sua própria memória de alta velocidade, a HiBL 1.0, com 112 gigabytes e 1,4 terabyte por segundo de transferência, sem depender dos fornecedores sul-coreanos.

Durante anos, os Estados Unidos tentaram asfixiar a própria Huawei, cortando seu acesso a fornecedores ocidentais e derrubando-a do mercado de celulares premium. A empresa resistiu, voltou ao topo e provou que o cerco já não basta para travar o avanço chinês quando há capacidade industrial e decisão política por trás.

Um ecossistema chinês totalmente autônomo

Em abril de 2026, a DeepSeek lançou o modelo V4, com 1,6 trilhão de parâmetros e janela de contexto de 1 milhão de tokens. O mais importante foi o que ele não tinha: nenhum componente da Nvidia, nem o software CUDA.

O CUDA é o trunfo mais valioso da Nvidia, mais até que os próprios chips. Criado há quase duas décadas, é a plataforma em que quase todo o mundo aprendeu a programar inteligência artificial, e foi ela que amarrou pesquisadores e empresas à Nvidia. Sem esse software, o chip de um concorrente nascia inútil.

É esse fosso que a China começou a atravessar. A Huawei desenvolveu o próprio ambiente de programação, o CANN, que ocupa o lugar do CUDA e permite que os modelos rodem direto nos chips Ascend.

Os engenheiros da DeepSeek reescreveram os blocos fundamentais do V4 para rodar nativamente sobre o CANN. Em poucas horas, Alibaba Cloud e Tencent Cloud já ofereciam o modelo a seus clientes.

Pela primeira vez na história da inteligência artificial, um modelo de fronteira foi ao ar sem hardware nem software americano em sua infraestrutura. O chip é chinês, a memória é chinesa, o software de base é chinês e o modelo é chinês.

Existem agora dois sistemas de IA se desenvolvendo em paralelo, um ancorado na tecnologia americana e outro na capacidade chinesa.

Mais que economia, isso é geopolítica e poder: romper a hegemonia americana nos chips avançados é uma vitória do Sul Global. E como a tecnologia chinesa é mais barata, ela tende a democratizar o acesso à inteligência artificial e aos celulares avançados que vão definir as próximas décadas, o que faz disso uma vitória não só da China, mas do mundo.

Fontes desse artigo.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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Stalingrado

30/06/2026

A China deu um passo gigantesco para sua independência tecnológica. Sabe-se que virão mais novidades como apontam as pesquisas chinesas em computação óptica.
Além disso a China produz energia barata com painéis solares, eólicas e agora com geradores de tório. Este gerador tem três características impressionantes. Ele pode ser reabastecido em operação, o que eleva o tempo útil de produção de energia. Outra característica é gerar menos resíduos nucleares. Por fim, ele é muito menor do que os reatores nucleares tradicionais. O Brasil e a Índia possuem as maiores reservas mundiais de tório do mundo, mas foi a China que desenvolveu o reator. Os EUA fizeram um na década de 60, mas abandonaram por não poder ser usado para produzir bombas nucleares.

Zé Trovãozinho

30/06/2026

Mais um “chip revolucionário” da China, e a gente aqui engolindo notícia de estadista pagando pau pra eles. Esses mesmos caras que chamam a Coreia do Norte de ditadura agora babam ovo de comunista. Enquanto isso, o STF continua censurando e a economia brasileira indo de Vasco. Cuba do norte, sim senhor!

    Marta

    30/06/2026

    Senta que lá vem textão, Zé Trovãozinho. Vou te explicar, com a paciência de quem deu aula pro teu avô, porque esse seu comentário é um prato cheio de equívoco. Primeiro: a China não precisa de “pau mole” de ninguém, como você diz. O país está há décadas tirando centenas de milhões da pobreza enquanto desenvolve tecnologia de ponta — coisa que a gente, aqui no Brasil, só sonha em fazer quando um governo realmente se importa com o povo, como o do presidente Lula. Chamar a China de “Cuba do norte” é ignorância histórica grossa: são dois modelos completamente diferentes, e a China é uma potência que compete de igual com os Estados Unidos, coisa que a gente não vê na Coreia do Norte, sim, aquela que você citou sem saber o que está falando.

    Segundo: seu mimimi sobre o STF “censurar” é papo de quem se informa por zap de tiozão. O que o Supremo faz é conter a avalanche de fake news que você mesmo parece reproduzir — inclusive essa de “economia brasileira indo de Vasco”. Vasco, meu filho, não é metáfora pra crise não, viu? O PIB cresceu, o desemprego caiu, a inflação está controlada e o Brasil voltou a ser respeitado no mundo. Se você acha que o Brasil estava bem com o desgoverno anterior, sugiro rever suas fontes — aliás, arrumar fontes. E falar de “comunista” como xingamento é coisa de quem perdeu o bonde da história lá em 1989.

    Terceiro: sobre o chip chinês — a China está investindo pesado em semicondutores justamente porque não aceita ser refém de sanções dos EUA. E você, que gosta de falar mal de “estadista”, deveria torcer para o Brasil também buscar sua independência tecnológica, em vez de ficar repetindo jargão de youtuber que nunca leu um livro de economia. O país que inventou a pólvora e o papel não precisa da sua aprovação, mas você precisa urgentemente de uma aula sobre geopolítica. Se quiser, eu ofereço aqui mesmo, de graça, porque educar fascista é missão e eu tenho paciência de Jó. Passar bem.

Mariana Costa

30/06/2026

É inegável o salto tecnológico chinês, especialmente em semicondutores e IA. Mas essa narrativa de “implosão” do domínio americano me parece um tanto exagerada; a Guerra Fria tecnológica é mais complexa do que um duelo de chips. O ideal seria que essa competição gerasse inovação para todos, e não apenas mais um capítulo de disputa hegemônica.

    Lurdinha Deus Acima de Todos

    30/06/2026

    Amiga, para de conversa, esse chip é do demônio e vão fechar as igrejas sim, pode crer! 🙏🇧🇷

    Tonho Patriota

    30/06/2026

    larga de ser comunista mariana, esse chip é feito com nióbio e a China já venceu faz o L

      Fernando O.

      30/06/2026

      Tonho, chip de IA é silício, não nióbio – esse papo de que o Brasil ia dominar o mercado com minério é delírio desde 2019. Mas se quiser continuar acreditando em lenda da internet, faz o L aí sozinho.

      Cláudio Ribeiro

      30/06/2026

      Tonho, seu comentário reduz a geopolítica dos semicondutores a um achismo tuiteiro: a China não “venceu” porque extrai nióbio, mas porque articulou planejamento estatal, investimento em P&D e uma estratégia de longo prazo que desafia a divisão internacional do trabalho imposta pelo neoliberalismo. Se fosse só matéria-prima, o Brasil já seria potência tecnológica — e não um mero exportador de commodities com discurso ufanista vazio.

João Pereira

30/06/2026

É inegável que a China avançou em semicondutores, mas essa narrativa de “implosão do domínio americano” é exagerada. O chip pode ser relevante, mas ainda estamos longe de ver superação real dos gargalos tecnológicos que os EUA impõem. Fato é que o monopólio americano na IA nunca foi absoluto, e a concorrência chinesa só fortalece o mercado global.

    Paulo Rocha

    30/06/2026

    João, você é mais um que cai na narrativa globalista. Enquanto a China avança com chip próprio e domínio estatal, você ainda acredita que “concorrência fortalece o mercado” — isso é papo de quem faz o L e acha que monopólio americano é bobagem. O Brasil precisa é de soberania, não de discurso de marxismo cultural travestido de livre mercado.

    John Marshall

    30/06/2026

    João, seu raciocínio é ponderado, mas peca por um certo lockeanismo ingênuo: a disputa tecnológica não é apenas concorrência de mercado, é uma luta hobbesiana por soberania digital, onde cada avanço chinês reconfigura o Leviatã e expõe a fragilidade do pretenso monopólio americano como uma hegemonia sempre contestada. O que você chama de fortalecimento do mercado é, na verdade, a dialética materialista em ação – a tese do domínio encontra sua antítese na independência tecnológica, e a síntese não será paz liberal, mas uma nova ordem de tensões.

    Tiago Mendes

    30/06/2026

    João, você tem razão em não comprar narrativas apocalípticas, mas o ponto crucial é que a livre concorrência chinesa quebra um monopólio que sempre serviu para manter desigualdades globais. O que está em jogo não é apenas tecnologia, mas justiça na distribuição do poder econômico entre os povos.

Maura Santos

30/06/2026

Enquanto a extrema-direda chora que a China é “ameaça comunista”, os caras tão lançando chip de IA e quebrando o monopólio dos EUA. Lembra quando falavam que “socialismo não funciona”? Pois é, o país que investiu em educação e tecnologia pública tá aí, e o nosso que terceirizou tudo virou apagão em tudo que é canto. Rá.


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