Menu

Israel não consegue mais vencer o Irã e suporte militar dos EUA está se desfazendo, alerta analista Robert Barnes

Em entrevista ao Dialogue Works, Robert Barnes afirma que Israel perdeu capacidade de derrotar o Irã militarmente e que a retirada gradual dos EUA do Orien

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

O Oriente Médio vive um momento de reacomodação de forças, com os Estados Unidos sinalizando uma saída gradual da região e Israel vendo seu poderio militar relativo se enfraquecer. Na entrevista ao canal Dialogue Works, conduzida por Nima Shirazi, o analista político Robert Barnes traçou um cenário no qual a confrontação direta entre Israel e Irã já não pode ser vencida pelo estado judeu sem o guarda-chuva protetor americano – e esse guarda-chuva está encolhendo.

Barnes observou que os ataques iranianos às bases da Quinta Frota americana no Bahrein as deixaram inutilizáveis e praticamente sem pessoal, o que, somado à ausência de esforços de reparo, indica uma retirada silenciosa dos Estados Unidos do Oriente Médio. “A probabilidade de um conflito militar cinético entre EUA e Irã é muito remota neste estágio – está diminuindo a cada dia”, afirmou o entrevistado. Esse desengajamento, segundo ele, reduz a margem de manobra de Israel, que sempre dependeu da defesa americana para conter a capacidade balística do Irã.

O analista detalhou por que o Irã não consegue usar o Estreito de Ormuz como alavanca total contra Israel. A China, maior compradora do petróleo iraniano durante a era de sanções, liberou suas próprias reservas estratégicas – adquiridas a preços baixos nos últimos anos – para estabilizar os mercados da Ásia e do hemisfério sul. “A China não estava em posição de permitir um colapso econômico global mesmo que quisesse ajudar seu aliado Irã”, disse Barnes. Isso limita a capacidade de Teerã de manter o estreito fechado como trunfo diplomático sem desgastar sua relação com Pequim.

Com o risco de bloqueio diminuído e a presença americana se dissipando, Israel enfrenta uma equação militar desfavorável. “Israel não pode vencer uma guerra contra o Irã. Sua única esperança era a proteção americana, no mínimo as defesas americanas”, ressaltou Barnes. A vulnerabilidade israelense é ampliada pelo tamanho reduzido do país, com pontos críticos de energia e água ao alcance dos mísseis iranianos, enquanto o território do Irã é cerca de 93 vezes maior.

No front libanês, o entrevistado avalia que a mudança de tom do governo de Beirute – que passou a exigir a retirada total de Israel – reflete instruções vindas de Washington, especialmente do vice-presidente J.D. Vance, que vem pressionando Israel nos bastidores. Barnes lembrou o exemplo do presidente Ronald Reagan, que após a morte dos fuzileiros navais em Beirute optou por se retirar e obrigar Israel a recuar, em vez de escalar o conflito. “A estratégia de Reagan foi sair e dizer a Israel para baixar a bola”, comparou.

Para o analista, a saída negociada com o Líbano pode abrir uma janela de cessar-fogo, ainda que temporária, algo que duas semanas atrás parecia improvável. Enquanto isso, a liderança iraniana demonstrou compreender a volatilidade do governo Trump, chegando a contratar psiquiatras para interpretar as mensagens do presidente americano e ajustar sua postura negocial – um sinal de que o Irã está navegando o tabuleiro com pragmatismo, o que pressiona ainda mais a posição de Netanyahu em um cenário de isolamento crescente.

, ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes