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Mísseis do Irã forçam recuo dos EUA: bases se movem para oeste para escapar de ataques, diz Ray McGovern

Ray McGovern: mísseis do Irã forçam EUA a deslocar bases para oeste enquanto Teerã controla Estreito de Ormuz.

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A escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio ganhou novos contornos nos últimos dias, com ataques mútuos no estratégico Estreito de Ormuz. Segundo Ray McGovern, ex-agente da CIA e comentarista geopolítico, os iranianos se sentem no controle da situação e não têm pressa em ceder às pressões americanas. “Se eu fosse iraniano, diria que estamos na posição de vantagem. Podemos tolerar melhor do que os Estados Unidos e Trump, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando”, disse McGovern. O Irã vem impondo taxas e restrições à passagem de navios, e qualquer embarcação que tente furar o bloqueio é alvo de mísseis, como ocorreu com um petroleiro que transportava 2 milhões de barris de petróleo bruto.

A resposta dos EUA incluiu ataques a instalações iranianas no sul do país e, segundo a Associated Press, uma base americana no Bahrein foi atingida na noite anterior à visita do secretário de Estado Marco Rubio. McGovern ironizou a situação: “Não achei que Rubio tivesse coragem de visitar o Bahrein. O ataque iraniano aparentemente aconteceu depois que as rodas do avião dele já estavam no ar”. O analista critica a postura americana de buscar canais secretos enquanto mantém uma retórica dúbia. “Se eu estivesse em Teerã, diria: querem falar conosco? Usem mediadores. Não queremos mais dessas artimanhas”, afirmou.

O Líbano emerge como peça-chave no tabuleiro, tanto que o primeiro ponto do memorando de entendimento entre as partes trata da necessidade de Israel se retirar do país. McGovern acredita que o Irã faz questão desse item por uma questão de princípio: “O Irã não age como as petromonarquias do Golfo. Há um altruísmo, uma solidariedade que não estamos acostumados a ver no Ocidente”. Ele vê uma chance real de Donald Trump frear Israel para reabrir o Estreito de Ormuz, condição vital para evitar um colapso econômico global. “Netanyahu está em apuros políticos. Se for substituído, pode acabar na cadeia. Mas a maioria em Israel ainda acredita que o ‘Papai’ Trump vai ceder. Pela primeira vez, há uma chance de ele dizer: chega, parem com o Líbano”, avaliou.

A devastação causada pelos mísseis iranianos foi tamanha que, segundo reportagem do Wall Street Journal, os comandos militares americanos estudam reposicionar suas bases para oeste, possivelmente em Israel. Para McGovern, isso só tornaria Israel um alvo ainda mais exposto. “Os mísseis hipersônicos iranianos já provaram que podem atravessar qualquer defesa aérea. Se moverem as bases para Israel, será um alvo maior e mais acessível”, alertou. Ele acrescentou que a mídia israelense esconde os verdadeiros danos por meio de uma censura rigorosa.

Sobre a guerra na Ucrânia, McGovern destacou a postura cautelosa de Vladimir Putin, mesmo diante das provocações da Otan. Ele mencionou que, apesar dos drones estarem adiando o avanço russo, o Kremlin não retaliará atacando um país da Otan, pois o risco de uma reação imprevisível de Trump é demasiado alto. “Putin pergunta: qual a chance de Trump invocar o Artigo 5 e nos levar a uma guerra com a Otan? Mesmo que seja 10%, isso é alto demais. Estamos vencendo a guerra em terra. Por que arriscar tudo o que construímos desde 2000?”, relatou o analista, que vê o líder russo como alguém moldado pela tragédia pessoal — seu irmão mais velho morreu de fome no cerco de Leningrado — e determinado a não repetir os horrores da guerra.

McGovern também lembrou que a Rússia já não aposta mais em acordos com os EUA. Após Rubio declarar que o entendimento de Anchorage estava morto, Ushakov respondeu que “uma parte ainda está comprometida com o discutido em Anchorage, mas a outra se mostrou incapaz de cumprir sua parte do processo e de honrar os acordos”. A conclusão de Moscou: “Já não esperamos que esses acordos sejam cumpridos. Esperamos a vitória.” Para McGovern, tanto russos quanto iranianos adotam uma estratégia de paciência, confiando que o tempo e a geografia jogam a seu favor.

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