Criada em 1969 como empresa estatal e posteriormente privatizada, a Embraer jamais deixou de contar com instrumentos públicos de apoio. O BNDES desempenhou papel decisivo na expansão da companhia, financiando inovação, exportações e desenvolvimento tecnológico. Somente em abril deste ano, o banco aprovou R$ 279 milhões para novos projetos de inovação da fabricante, voltados ao desenvolvimento de tecnologias aeronáuticas de alta complexidade.
O caso da Embraer tornou-se um dos principais argumentos em defesa da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial do governo federal que busca recuperar a capacidade produtiva do país por meio de crédito, inovação e desenvolvimento tecnológico. Organizada em seis missões estratégicas, a NIB concentra investimentos em áreas como saúde, transformação digital, infraestrutura, bioeconomia, transição energética e tecnologias para soberania e defesa.
O programa prevê R$ 300 bilhões em financiamentos até 2026, administrados pelo BNDES, Finep e Embrapii. A estratégia parte do princípio de que economias capazes de competir globalmente são aquelas que investem continuamente em pesquisa, inovação e capacidade industrial, especialmente em setores intensivos em tecnologia.
A lógica é semelhante à adotada por grandes potências industriais. Estados Unidos, China, Alemanha, Coreia do Sul e Japão utilizam bancos públicos, incentivos fiscais, compras governamentais e financiamento à inovação para fortalecer empresas consideradas estratégicas. Nesse contexto, a Embraer é frequentemente citada como exemplo brasileiro de uma empresa que alcançou competitividade internacional graças à combinação entre capacidade empresarial e políticas públicas de longo prazo.
O debate, porém, vai além de uma empresa específica. O desafio brasileiro é ampliar esse modelo para novos setores de alta tecnologia, como inteligência artificial, semicondutores, biotecnologia, minerais críticos, hidrogênio verde e defesa. A intenção da Nova Indústria Brasil é justamente criar condições para que outras empresas nacionais percorram trajetória semelhante à da Embraer, elevando a produtividade, agregando valor às exportações e reduzindo a dependência tecnológica externa.
Os defensores dessa estratégia argumentam que desenvolvimento econômico sustentável exige um Estado capaz de coordenar investimentos de longo prazo, sobretudo em áreas nas quais o setor privado tende a investir menos devido ao alto risco e ao retorno mais demorado. Já os críticos alertam para a necessidade de garantir governança, metas claras e mecanismos de avaliação para evitar desperdícios e direcionamentos ineficientes dos recursos públicos.
Independentemente desse debate, a história da Embraer permanece como uma das maiores referências da indústria brasileira. De fabricante estatal criada há mais de cinco décadas a terceira maior produtora de aeronaves comerciais do mundo, a empresa tornou-se um símbolo de como ciência, engenharia, financiamento público e iniciativa privada podem atuar em conjunto para construir uma indústria de alcance global.


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