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Record socorre banco de Edir Macedo

0 Comentários🗣️🔥 Alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal, o Banco Digi+ recebeu um aporte do Grupo Record e passou a ter cerca de R$ 2 bilhões em caixa. O reforço financeiro foi feito pela controladora Digimais Participações, ligada à B.A. Empreendimentos Participações, holding pertencente ao grupo de Edir Macedo. O movimento ocorre em meio […]

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Alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal, o Banco Digi+ recebeu um aporte do Grupo Record e passou a ter cerca de R$ 2 bilhões em caixa. O reforço financeiro foi feito pela controladora Digimais Participações, ligada à B.A. Empreendimentos Participações, holding pertencente ao grupo de Edir Macedo.

O movimento ocorre em meio às negociações com o Fundo Garantidor de Créditos para a venda da instituição financeira. A operação ganhou peso político e econômico porque o Digi+ é investigado por suspeitas de gestão fraudulenta e manipulação de informações contábeis, em um modelo que, segundo a PF, teria semelhanças com práticas atribuídas ao Banco Master.

A Reuters informou que a PF mirou o Digi+ em investigação sobre suposta gestão fraudulenta pouco depois de o BTG Pactual anunciar acordo para comprar o banco, em abril. O Digi+ pertence ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e controlador do Grupo Record.

O aporte de R$ 2 bilhões, portanto, não é apenas uma injeção de liquidez. É uma tentativa de estabilizar uma instituição sob pressão, preservar valor em uma eventual venda e reduzir riscos para credores, investidores e para o próprio sistema financeiro.

O caso também expõe uma engrenagem sensível do mercado bancário brasileiro. Bancos médios costumam crescer oferecendo CDBs com remuneração acima da média, estratégia que atrai investidores em busca de retorno maior, mas pode aumentar o risco quando a instituição depende de captação agressiva para sustentar sua expansão. Segundo a Folha, a PF vê no Digi+ um padrão semelhante ao observado no Banco Master, com captação acelerada e indícios de distorções financeiras.

A situação se torna ainda mais delicada porque envolve um grupo com forte poder religioso, midiático e político. Edir Macedo não é apenas empresário do setor financeiro; é uma das figuras mais influentes do campo evangélico e dono de uma estrutura de comunicação nacional. Por isso, a crise do Digi+ ultrapassa o noticiário econômico e entra no terreno da influência política.

Ainda não há condenação, e as investigações seguem em andamento. Mas o aporte da Record mostra que o grupo controlador decidiu agir para evitar que a crise financeira do banco se transforme em colapso reputacional mais amplo.

No fundo, o caso Digi+ revela um ponto central: quando bancos ligados a grupos poderosos entram na mira da PF, a pergunta deixa de ser apenas contábil. Passa a ser institucional: quem fiscalizou, quem se beneficiou e até onde vai a blindagem dos grandes conglomerados?

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