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Mercado imobiliário afunda

Executivos do setor afirmam que o crédito mais caro reduz as vendas, encarece o financiamento e dificulta o acesso à casa própria no Brasil.

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Juros altos freiam reação do mercado imobiliário
Dependência da poupança e falta de novas fontes de recursos ampliam os desafios do setor imobiliário em um cenário de Selic elevada / Agência Brasil

Imagine, por um instante, quem hoje tenta vender uma casa recém-construída. Provavelmente, as reuniões de vendas parecem tiradas direto do cinema: vendedores desanimados ouvindo discursos motivacionais que prometem que “o dinheiro está lá fora” e que a ordem é sempre “fechar o negócio”. O problema, porém, é simples e cruel: e se o dinheiro, de fato, não estiver disponível?

A escalada das taxas de juros dos financiamentos imobiliários, somada à instabilidade econômica global, adiou qualquer esperança de recuperação rápida. Ainda que a economia global não tenha vivido o pior cenário imaginado no início dos conflitos no Oriente Médio — em boa parte graças à redução das importações de petróleo pela China —, o impacto sobre o setor imobiliário já é evidente.

Mesmo depois de um acordo de paz reduzir as expectativas sobre taxas de juros e aliviar um pouco as condições de financiamento, os efeitos negativos ainda reverberam pela economia. Assim, o setor da construção civil se vê obrigado a tomar decisões que já não podem mais esperar.

Setor imobiliário perde otimismo com juros no Brasil

O cenário brasileiro caminha na mesma direção — e a confiança do setor já começa a esfriar. Segundo o InfoMoney, diferentemente do otimismo compartilhado no fim de 2025, o setor de incorporação não sustenta mais a mesma expectativa de queda de juros no Brasil. Esse foi o tom predominante nas declarações de executivos durante o Summit ABRAINC 2026, realizado na última quinta-feira, 25 de junho, em São Paulo.

Logo na abertura do evento, Luiz França, CEO da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), fez um apelo direto pela redução dos juros, que, segundo ele, permanecem em patamar elevado demais para destravar o setor. Afinal, sem crédito acessível, o sonho da casa própria continua distante para boa parte da população brasileira.

Vale lembrar que, no último Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central decidiu por um terceiro corte seguido na taxa básica de juros, de 0,25 ponto percentual (p.p.), levando a Selic para 14,25% ao ano. Ainda assim, especialistas consideraram a decisão branda diante de uma deterioração da inflação já admitida pelo próprio BC na última Ata do Copom.

Diante desse cenário, o clima entre os executivos mudou visivelmente. “A expectativa de queda que se falava no fim do ano mudou. Hoje se fala em aumento de juros”, afirmou Ricardo Gontijo, CEO da Direcional (DIRR3), durante um painel no evento. Segundo ele, os juros afetam diretamente a produção do setor imobiliário e, ainda mais, o ciclo do cliente, que depende de financiamentos longos para viabilizar a compra do imóvel.

Para o CEO da Direcional, inclusive, os juros atuais devem impactar até a demanda por imóveis de alta renda nos próximos dois anos. “O mercado de alta renda vai sofrer, exceto os compactos. A venda dos apartamentos compactos estão voando, mas isso tem um limite. Ninguém tira dinheiro do banco com essa remuneração de quase 15%”, avaliou.

Por outro lado, fora do programa Minha Casa, Minha Vida — cujas taxas seguem subsidiadas, entre 4% e 8% ao ano —, os juros do financiamento imobiliário no primeiro semestre de 2026 variaram entre 12% e 14%, a depender do banco e do perfil de crédito de cada cliente. Ou seja, quem não se enquadra no programa social sente o peso dos juros de forma ainda mais direta.

Nesse contexto, alguns executivos aproveitaram o evento para refletir sobre as raízes estruturais do problema. “Durante muitos anos a gente era feliz e não sabia. Tínhamos uma poupança cheia de recursos e isso foi minando. As pessoas passaram a compreender melhor o mercado financeiro. Vieram alternativas [de funding] interessantes, como LGI, LCI. Elas ficaram mais fortes. No ano passado o governo ajudou, liberou mais recursos da poupança para o setor, mas isso é finito (…) O mercado financeiro evoluiu demais. Tenho certeza que quando tivermos uma taxa de juros razoável, isso [financiamento do setor] vai voar mais ainda”, disse Alex Veiga, CEO do Grupo Patrimar.

A fala de Veiga, portanto, resume bem o dilema atual do setor: por décadas, o financiamento imobiliário brasileiro dependeu quase exclusivamente dos recursos da poupança, uma fonte que, aos poucos, perde força diante de opções mais rentáveis no mercado financeiro. Sem uma alternativa robusta e permanente de funding, o setor segue refém das decisões de política monetária — e, por consequência, das oscilações da Selic.

O diagnóstico: sem juros mais baixos e sem apoio mais consistente do poder público, dificilmente o mercado imobiliário conseguirá destravar sozinho o acesso à moradia digna.

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Rhyan de Meira

Rhyan de Meira é jornalista pela Universidade Federal Fluminense, escreve sobre política, economia e carnaval. É repórter, redator e editor dos site O Cafezinho e Rio Carta. / Contato: Redes: @rhyandemeira / Email: rhyandemeira@hotmail.com

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Celio Fazendeiro

02/07/2026

Povo da cidade grande sempre choramingando por besteira. O problema é que querem viver em apartamento e não trabalhar de verdade. Tem que ir pro campo, produzir, e parar de frescura com florestinha e indio. Ai o dinheiro aparece de verdade.

    Paulo Rocha

    02/07/2026

    Falou tudo, Celio! Enquanto o povo que faz o L fica de mimimi na cidade, o agro brasileiro continua segurando o país. Chega de ideologia e mais trabalho de verdade, pra que o Brasil seja dos brasileiros.


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