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A tola implicância da esquerda com o Roda Viva

Por Miguel do Rosário

04 de setembro de 2019 : 21h45

O jornalista Glenn Greenwald deu entrevista para o Roda Viva nesta segunda-feira. Menos de 48 horas depois, o vídeo do programa no Youtube já tem 700 mil visualizações. É a entrevista com maior audiência do programa este ano. Possivelmente, logo será uma das entrevistas políticas mais assistidas do país.

O programa abriu com uma extensa biografia, altamente laudatória e elogiosa do jornalista, enfatizando seus prêmios e feitos profissionais.

A nova âncora do programa, a jovem jornalista Daniela Lima, montou uma bancada relativamente pequena, com jornalistas dos principais veículos da grande imprensa.

Foi uma entrevista dura, em que os jornalistas se concentraram nas críticas que se levantaram contra as reportagens do Intercept.

Mas ninguém interrompeu ou foi desrespeitoso com o jornalista. Ele pode falar com toda a liberdade, e as perguntas mais duras lhe deram oportunidade de rebater, uma a uma, as principais críticas que se fizeram à Vaza Jato.

O que me parece curioso é a onda de indignação e ódio por parte da esquerda. E aí foi uma onda democrática: petistas, trabalhistas, psolistas, comunistas, todo mundo extremamente revoltado com o Roda Viva.

Aí eu me lembro da TV Brasil, com suas entrevistas e programas dando traço, lembro-me da comunicação de Dilma Rousseff, e entendo um pouco mais as coisas. O problema de comunicação que eu denunciei, por tantos anos, nos governos petistas, parece-me que tem uma origem mais profunda. Por alguma razão que ainda quero entender, a esquerda tem deficiências gravíssimas, patológicas, de comunicação.

A TV Brasil tinha uma gestão tão atrasada que não se fazia nenhum tipo de interação com as redes sociais. Seus programas, à diferença do Roda Viva, não eram transmitidos simultaneamente pelo youtube ou facebook.

A direita brasileira, estamos vendo, tem tendências fascistas. Não sabe lidar com contraditório.

A esquerda, porém, tem um lado mimizento insuportável.

O que me parece muito claro é que a esquerda não entende algumas técnicas básicas de entrevista. Eu falo mais como consumidor de entrevistas. Como entrevistador, sou péssimo. Uma técnica básica, mas necessária para gerar audiência e dar vitalidade a uma entrevista, é haver algum tensionamento ideológico entre entrevistado e entrevistador. Não é preciso, necessariamente, que, diante de um entrevistado de esquerda, o jornalista seja de direita, mas é interessante que ele estruture suas perguntas a partir de uma perspectiva antagônica ao entrevistado, pois isso produzirá um momento dialético, de tese e antítese, permitindo que o espectador faça, em sua própria cabeça, a síntese.

Não sei até que ponto essa técnica é consciente ou intuitiva. No caso do Roda Viva, porém, é evidente que se trata de uma tradição. E com uma vantagem. Não são os mesmos jornalistas. O âncora do programa tem a liberdade de formar, a cada edição, uma bancada nova de entrevistadores, sempre visando em produzir algum tipo de tensão dialética, sobretudo nas entrevistas mais esperadas, mais polêmicas.

A televisão brasileira é muito pobre. A Globo não tem nenhum programa de entrevistas realmente democrático, que se exponha a tantos riscos, como faz o Roda Viva. Até agora, por exemplo, não entrevistou Glenn Greenwald. Nas eleições presidenciais, o número de entrevistas produzidas pela Globo é sempre muito modesto.

Neste contexto, o programa Roda Viva é um oásis. As entrevistas com os candidatos presidenciais realizadas pelo programa são sensacionais, justamente pela tradição de montar bancadas especiais para cada candidato.

Quando o entrevistado é alguém muito querido pela esquerda, dá-se esse fenômeno curioso, essa onda de revolta quase infantil contra os jornalistas que lançam perguntas duras, que não necessariamente refletem o que aquele entrevistador pensa, mas que se originam de críticas que eles ouviram em algum lugar.

Acho que poucos blogueiros tem sido, ao longo de todos esses anos, mais crítico de nossa imprensa comercial. Ainda sou, embora diante do fenômeno Bolsonaro eu me veja forçado também a rever uma série de posições radicais que tinha contra a mídia nacional.

Além disso, hoje, já com um pouco de distanciamento histórico, eu acho que esse grande problema de comunicação que o Brasil tem experimentado, não se deve exclusivamente à mídia corporativa. Uma parte foi erro dos próprios governos progressistas, que não tiveram competência para montar um sistema mínimo de comunicação pública. Vendo a gritaria contra o Roda Viva, eu entendo o porquê. Parte da esquerda tem uma visão infantil de comunicação. Tem medo do confronto, da dialética. Da boca pra fora, pode até falar que não defende a entrevistas chapa-brancas, mas na prática é isso mesmo que ela faz e procura financiar. Mesmo os resultados mais desastrosos em termos de audiência não a convencem.

Se algum dia a esquerda voltar ao poder, alguém terá de convencê-la a montar programas de entrevista na televisão pública que não sejam chazinhos de comadre entre jornalistas e entrevistados. Que produzam dialética, tensão, confronto. Que convidem jornalistas conservadores ou de direita para entrevistar políticos de esquerda, porque isso dará bons resultados para o público e para o entrevistado. Quando houver entrevistados de direita, convidem jornalistas de esquerda. Que sejam programas inspirados numa fórmula que deu certo, como é o Roda Viva.

Além disso, as entrevistas do Roda Viva, pelo fato de ser uma TV pública, são disponibilizadas gratuitamente no Youtube e no Facebook. Não há propriedade. Pode-se pegar qualquer trecho e publicar onde quiser. Tente fazer isso entrevistas da Globo, Estadão, Folha?

Muitos blogs tem realizado boas entrevistas, mas, assim como a Veja, o Estadão, a própria Folha, esses veículos são privados, e acabam submergindo, necessariamente, na luta política. Alguém os associará, sempre, a um campo ideológico. Até porque eles tem mesmo um lado e isso não é problema.

A TV cultura, pública, precisa manter uma imagem de equilíbrio. Não é uma postura “de esquerda” porque a TV pertence ao governo de São Paulo, governado pela centro-direita há mais de vinte anos. Mas também seria injusto acusar a TV Cultura de ser direitista. Ela pode até ser um pouco conservadora, mas o programa Roda Viva é razoavelmente eclético e equilibrado. Podia abrir um pouco mais para jornalistas de fora do mainstream, mas aí talvez tenhamos que esperar governos mais progressistas em São Paulo.

Não há como se comparar, de qualquer forma, uma entrevista feita por um blog, jornal, ou revista, com uma entrevista para o Roda Viva. O nível de informação que emerge do Roda Viva, a audiência, a influência, a penetração, a pluralidade do público, torna o programa um monumento importantíssimo da nossa democracia.

Eu acho, sinceramente, que a esquerda é um tanto ingrata com o Roda Viva. A vitória de Bolsonaro já deveria nos ter levado a tratar o que sobrou de nossas instituições democráticas – Roda Viva entre elas – com muito, muito, muito carinho e amor!

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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37 comentários

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Eduardo Adauto da Costa

16 de setembro de 2019 às 22h33

Acho fraco o rumo que o programa tomou nessa nova versão. São jornalistas sem expressão e que não se esforçam para tornar a entrevista interessante ao público. No caso do Glenn, nenhum deles se deteve ou teve curiosidade de saber a veracidade do conteúdo das denúncias, bateram na tecla dos hackers e do anti-jornalismo o tempo todo. Deveriam saber e defender, como jornalistas, o direito do sigilo da fonte garantido pela própria constituição. Até porque devem usá-lo cotidianamente suponho. Não aprofundaram em nada a atuação promíscua entre Moro e Dallgnol e o resto da equipe. Isso ficou unicamente por conta do Glenn, que aliás detalhou e explicou brilhantemente essa conduta anti-ética entre um juiz e procuradores sem qualquer cuidado ao feri-la. Valeu pela exposição clara e firme do Glenn. E no momento final a âncora do programa trouxe as “denúncias” de envolvimento do Glenn com um caso obscuro com um suposto produtor da indústria pornográfica americana, depois de ter acentuado que muitas mensagens dos espectadores era em relação a sexualidade do Glenn, como se isso tivesse alguma importância no caso. Ficou clara a ideia de associar propositalmente a homossexualidade com a pornografia, sendo o momento mais preconceituoso do programa. Momento completamente desnecessário, mas colocado estrategicamente no final do programa.

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Dante Albertini

07 de setembro de 2019 às 02h04

O problema não foi a “dureza” no trato, falta de respeito. O problema foi a indigência mental dos entrevistadores que só fizeram perguntas razas, repetitivas, óbvias, non-sense e burras, burras, burras… (muito burras mesmo!)… para um sujeito que podia ter informações super importantes. O importante não é o número de visualizações, mesmo porque, no atual momento, se o Greenwald for dar entrevista na rádio camamducaia do sul tb vai bater os recordes de audiência. A real é que se a entrevista tivesse sido feita pelo pessoal do jornalzinho do fundamental I acho que teria mais qualidade… Para o seu bem, espero que este seu texto seja só mise en cene para parecer diferente. Se vc não consegue perceber a baixissima qualidade da entrevista provavelmente deve ter estudado na mesma escola de “jornalismo(?)” que Lilian Tahan…

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LUCIANO FERREIRA ALVES

06 de setembro de 2019 às 22h32

Querido, vc assistiu mesmo as entrevistas com os presidenciáveis? Porque não parece. Se compararmos a postura da bancada com a Manuela e com o Alckmin esvai-se qualquer esperança de equidade. E ver uma jornalista perguntar se não era mais fácil contratar hackers e pô-los pra escrever denota que confrontar o entrevistado estava além de qualquer encontro entre jornalistas. Nesse momento só havia jornalista respondendo à questão. E com tanto material a discutir, qual a razão de investir tanto tempo esmiuçando a forma de obtenção desse material? É o jornalismo Bonner, feito para pretensos homers simpsons. Faz-se uma afirmativa bombástica (e venenosa) numa pergunta intrincada e deixa-se a pessoa enrolada na resposta. Espera-se que o espectador mediano entenda que o entrevistado se enrolou por conta da afirmação e não da pergunta capciosa. Impossível defender esse programa.

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Alexandre Neres

06 de setembro de 2019 às 13h38

…”Há uma regra de ouro no jornalismo em todo o mundo e em todas as circunstâncias: se uma informação é verdadeira e tem relevância pública, ele deve ser publicada. É para isso que existe a profissão. Por isso, porque a informação é soberana, a fonte precisa ser preservada. É a regra número dois. Por fim, cabe ao jornalista dar ao seu material o máximo de confiança, compreensão, contexto e inteligência. Para isso, é preciso um esforço de checagem e uma dedicação ao texto apresentado ao leitor. Lição número três.

Foi essa aulinha básica que Glenn Greenwald precisou dar aos seus “colegas”. Havia muito a ser perguntado, tanto do resultado das reportagens, esclarecendo ainda mais a situação ultrajante do Judiciário brasileiro e de suas consequências para a vida política nacional, como até mesmo da forma como o material foi trabalhado. Mesmo nesse caso, digamos mais profissional, o programa foi de uma banalidade exemplar.

Para quem esperava uma conversa de especialistas sobre as formas de confirmação das mensagens, do trabalho de validação do material, da tecnologia envolvida, da preocupação com a segurança e da decisão de trabalhar conjuntamente com outros veículos, nada disso foi tratado com seriedade. Os entrevistadores desviaram seu interesse (ou dos patrões que representavam, partidários históricos da mitomania em torno de Moro e seus asseclas) para aspectos relativos à forma como os vazamentos foram obtidos.

O jornalista teve paciência e dividiu sua participação entre repetir as regras básicas do bom jornalismo para profissionais bisonhos e reiterar a gravidade das denúncias apresentadas nas reportagens. Em outras palavras, explicou o que era jornalismo e mostrou na prática como fazê-lo. O que há de mais grave não é a perda de oportunidade de uma discussão rica e necessária, mas o aparente consenso entre profissionais da imprensa comercial sobre os limites dados ao jornalista pelos interesses dos patrões.”…

https://www.brasildefato.com.br/2019/09/05/jornalismo-profissao-impossivel/

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Alexandre Neres

06 de setembro de 2019 às 09h08

Realmente, o Miguel tá pior do que eu pensava. Porque em termos jornalísticos o programa foi muito fraco. Foi vexatória a participação da grande maioria dos entrevistadores. Das duas uma, ou eram uns completo despreparados que têm a visão obnubilada e defendem a força-tarefa cegamente, sem o mínimo de distanciamento e consciência crítica, ou agem concertadamente para interditar o debate, mas continuo acreditando na primeira hipótese, pois deram “n” provas de precariedade.

Responder

    Redação

    06 de setembro de 2019 às 11h37

    A pergunta não reflete necessariamente o que o jornalista pensa. Uma pergunta não é uma asserção ideológica. É apenas uma pergunta, que segue uma técnica que visa extrair o máximo do entrevistado.

    Responder

      Emerson Leandro de souza

      06 de setembro de 2019 às 23h31

      Discordo do conceito do cafezinho sobre o que é o programa roda viva hoje em dia…. não é a toa que chico buarque pediu que sua composição não mais fizesse parte da trilha sonora de abertura do programa. Quem não se lembra da entrevista tosca que fizeram com temer num momento em que chovia denúncias de corrupção e se preocuparam em fazer perguntas como onde conhecer a sua mulher. É bom lembrar que herodoto barbeiro foi dispensado do programa por fazer uma pergunta sobre a máfia dos pedágios a serra. O jornalismo da tv cultura não permite críticas a políticos do psdb, claro que outras emissoras tb, mas na tv cultura como empresa do estado de sp é muito controlada. Logo vejo o roda viva como mais uma ferramenta da grande mídia sem pluralidade nenhuma. As perguntas feitas a glen grewald mais pareciam como tentativas frustradas de defender a lava jato, jornalismo de guerra sem profissonalismo nenhum.

      Responder

Luiz

05 de setembro de 2019 às 20h25

HA algum problema com os comentarios…
deixei um hj plea manha e me parece que ainda nao atualizou…
Nao ha comentarios no dia 05 de setembro… o problema provavelmente e tecnico…

Responder

FREDERICO SMITH LIMA JR

05 de setembro de 2019 às 12h50

Crítica muito pertinente…

Responder

NeoTupi

05 de setembro de 2019 às 12h00

É interessante seu ponto de vista, mas só acho válido colocar entrevistadores antagonistas se for para contribuir e não para interditar os grandes temas nacionais cair na boca do povo.
Note que o bom desempenho do Greenwald não muda o fato dele ter de ficar o tempo todo justificando sua conduta jornalística, enquanto os atos de Moro de Dallagnol eram poupados no ouvido do telespectador.

Ficar discutindo o be-a-bá do sigilo e legitimidade da fonte interdita o debate sobre a blindagem aos bancos pagadores de palestras de serem investigados, do lawfare, sobre a partidarização do judiciário, separação dos 3 poderes, sobre o autoritarismo judicial, o corporativismo das corregedorias e conselhos de auto-regulamentação, o interesse econômico e político na atuação de procuradores.

Esse mesmo tipo de jornalismo interditou o debate sobre a reforma da previdência (coisa que atinge todo o povo), sobre a degradação dos serviços públicos com lei do teto que só não impõe nenhum limite para remunerar os bancos. Interdita debate sobre pŕos e contras de cada privatização, sobre o cartel do mercado pagador de palestras a procuradores que aparelha a equipe econômica muito mais do que as empreiteiras influíam em obras. É por essa interdição que o povo está perdendo todas no Congresso, no STF e a população está anestesiada nas ruas.

Entrevista dos sonhos de um jornalista é a que produz furo. Greenwald certamente poderia adiantar um algum furo da vaza jato se a postura dos entrevistadores buscasse isso. Poderia até fazer da TV Cultura mais uma parceira na Vaza Jato se houvesse interesse jornalístico de fato no Roda Viva.

Não louvo o Roda Viva que teve um militante extremista como Augusto Nunes como âncora. E até Nunes saiu atirando na parcialidade política, dizendo que foi forçado a fazer entrevistas com alguns políticos. “Falavam: ‘Tem que chamar o ministro da Educação [José Mendonça Filho], o das Comunicações [Gilberto Kassab], o da Saúde [Ricardo Barros]’. [Eu argumentava:] ‘Mas… [Eu argumentava:] ‘Mas nós já chamamos, eles vieram aqui quando assumiram’. ‘É, mas são compromissos…’
Hoje a TV Cultura está sob mando de Dória, que disputa liderança à direita com Bolsonaro e corteja Sérgio Moro (mas para receber apoio. Não quer um Moro mais forte do ele em 2022). É nesse contexto político que o convite a Glenn precisa ser entendido por nós do campo progressista. Parece “defender” Moro, mas ao mesmo tempo o desgasta mantendo o assunto em fogo brando.

Responder

Dkassim

05 de setembro de 2019 às 10h53

Miguelzinho, é apenas a tua opinião. E ela não vale nada.
Se fecha!

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Cristian

05 de setembro de 2019 às 10h52

Sinceramente acho que o autor desse texto, não assistiu a entrevista… foi um desastre amigo! Jornalismo pobre, perguntas repetitivas… os jornalistas não sabem falar?!?!?! Eu Gavo você escrever algo e citar esquerda quanto a propriedade da entrevista… não precisa ser de esquerda e nem de direita, basta ter o mínimo de discernimento para perceber que foi terrível… eu mesmo, de direita, conservador, achei péssimo!!! Seu texto continua polarizado as opiniões o que não cumpre o papel de informar, mas de distorcer um fato visivelmente precário de conteúdo! Você precisa parar com esse negócio de acusar todo crítico como sendo de esquerda!

Responder

Luiz

05 de setembro de 2019 às 10h26

Boa reflexão. É incrível o quanto a TV Brasil era / é insossa. Aí criaram um conselho curador da TV Brasil que discutia se ia ou não ter programa de religião, que discutiam posição política, pluralidade e blábláblá, mas não discutiam e não sabiam o básico, que era fazer TV. Não havia cores, não havia magia naquela TV, os cenários era horríveis, chão de carpete, o movimento de câmara era completamente antiquado, a qualidade do sinal sempre péssimo, as vinhetas pareciam feitas a máquina de escrever, o design ultrapassado, os cenários dos programas jornalística não tinham dinâmica, os entrevistadores (me lembro do programa 3 em 1, ou coisa assim) simplesmente não tinham o menor talento pra TV, as vezes sequer tinham capacidade de dicção para apresentar programa. Horrível. Um dia comentei com um amigo da TV sobre a qualidade péssima dela e se nunca tinham visto a Telesur da Venezuela, que tem um design e uma dinâmica que prende a atenção do telespectador, mostrando que é possível o Estado na América Latina fazer TV pública com qualidade técnica no nível da TV privada. Aí ele me disse , ah, mas na Venezuela contrataram técnicos da CNN pra fazer a Telesur, num tom como isso fosse demérito, mas era exatamente o que a TV Brasil devia fazer, contratar quem entende e fazer TV de verdade, com capacidade técnica a altura. Sem isso, qualquer discussão de pluralidade, democracia, função pública da Tv é inócua, pq simplesmente ninguém assiste.

Responder

Edgar

05 de setembro de 2019 às 10h22

A revolta com esse programa é sua clara posição ideológica, independente de quem é o entrevistado. Basta lembrar das entrevistas de Temer, Alckmin, Guedes, Bolsonaro, e tantos outros de direita ou fascistas: bancada lambe saco sempre; quando não propagandistas escancarados!
A entrevista foi ótima pela desenvoltura e clareza do Glenn. Mas só há tese e antítese quando alguém que não representa os ideais burgueses está lá. Quanto mais para a esquerda, pior/melhor…
Isso por fim, é fazer jornalismo?

Responder

Luiz

05 de setembro de 2019 às 10h04

O problema principal nao foi discutido. Nem na entrevista, nem no artigo acima….

É O CONTEÚDO, ESTUPIDO!!!! (Sem ofensa, apenas parafraseando a frase famosa sobre economia).

Discorre-se sobre ” tensionamento ideologico”, “perspetiva antagonica”, “momento dialetico” (Ou seja lá o q isso signifique) e audiência, mas em nenhum momento -assim como na entrevista- discute -se o conteúdo.

A entrevista foi ruim, com péssimos jornalistas, pq ninguém tocou no assuntos principal: A corrupcao do judiciário e MPF revelado por Glenn nos artigos da Vaza Jato.

Lembro de uma entrevista com José Saramago no Jô anos e anos atrás. Eu estava ansioso para ouvir um Nobel e grande escritor.
Entre inúmeras bobagens, o entrevistador pergunta: ” Como foi sua primeira vez?”
O entrevi estado ficou constrangido (seria isso momento dialetico?), o público aplaudiu dando gargalhadas (Talvez mostra de tensionamento ideologico), a audiência foi pros picos.

Eu desliguei a tv.

Responder

Nanci Audi

05 de setembro de 2019 às 09h49

Miguel, o que eu já tinha lido de você eu tinha gostado. Agora realmente estou te conhecendo melhor e fiquei decepcionada, acho que seu artigo distorce as coisas e é muito superficial.

Responder

Nanci Audi

05 de setembro de 2019 às 09h44

Miguel, vou tentar ser bem objetiva, por favor, abra a cabeça para entender o que para mim é óbvio.
O que todos nós reclamamos do rodaviva foi o enfoque. Nenhum entrevistador esteve interessado no conteúdo do material da Intercept, repetindo as perguntas que já foram feitas e respondidas várias vezes desde o senado.
Também acho a comunicação do pt ruim, mas isso nada tem a ver com isso. O RodaViva era muito bom, quando os jornalistas entrevistadores eram bons. Mas isso já tem muito tempo….

Responder

    Redação

    06 de setembro de 2019 às 08h38

    O enfoque não seria interessante para Glenn, porque ele não é advogado no Brasil. Seria uma armadilha. Além do que, ele não poderia falar do que ainda não publicou. O enfoque tinha de ser questões pertinentes ao jornalismo, e aos dilemas éticos da profissão. Sobre o conteúdo, quem tem de falar são juristas e políticos.

    Responder

Alan C

05 de setembro de 2019 às 08h57

Lembram da entrevista com a Manuela Dávila?

O que o Roda Viva é atualmente é aquilo lá, e está estampado na sua própria testa.

Responder

Lib.

05 de setembro de 2019 às 07h26

Eu entendo a revolta dos esquerdistas. A esquerda tem tendencias nazistas e nao aceita opinioes contrarias. Todos os blogs de esquerda censuram comentarios ao contrario dos outros canais. Eles vivem num casulo fechado e nao veem nem aceitam nada fora do cabresto

Responder

marcos

05 de setembro de 2019 às 06h07

MIGUEL!
te “parece curioso é a onda de indignação” porqué o seu site é uma caixa de ressognancia da direita mais que outra coisa.
em um pais onde nao tem tv publica, onde as 4 emissoras sao claramente trincheradas contra uma parte politica (a esquerda, tambem o pdt), em um pais onde á 6 anos que nenhum individuo de esquerda aparece na tv (se nao por motivos penais), VC se preocupa com a comunicaçao do pt?????????
ACORDA!

Responder

Felipe Rodrigues Werner

05 de setembro de 2019 às 04h29

Quanto vc ta ganhando pra escrever essas asneiras? espero que o suficiente pela sua dignidade.

Responder

    Redação

    06 de setembro de 2019 às 08h35

    ??? Quem me pagaria para escrever algo assim?

    Responder

Sergio

05 de setembro de 2019 às 03h09

caro Miguel,
o mimimi de parte da esquerda existe mesmo… mas é de se esperar que exista, pois o programa teve períodos muito ruins (o pior deve ter sido com o Nunes) e parece que, embora esteja melhor, não retornou ao patamar de antigamente; nos comentários você diz que o resultado foi positivo, imagino que pelo contraste entre o ótimo preparo do Glenn e o despreparo da bancada, mas isso não apaga o baixo nível intelectual dos convidados (você foi generoso ao dizer que as perguntas foram duras, acho que foram precárias); enfim, mesmo com toda confusão em que estamos, não dá pra misturar as estações…

Responder

Bruno

05 de setembro de 2019 às 02h04

Infelizmente, este artigo me lembrou da direita que criticava a Dilma e dizia que depois ia tirar os demais corruptos.
Após a Manoela ter recebido critica de má qualidade por membro da campanha adversária, o programa falhou em não ter tido melhores convidados pra fazer perguntas de alto nível ao entrevistado.

Responder

Paulo

05 de setembro de 2019 às 00h47

“Roda Viva ” já se tornou um ícone do jornalismo político nacional…lembro-me dos áureos tempos da década de 90…

Responder

Alexandre Neres

05 de setembro de 2019 às 00h12

Caro Miguel, permita-me discordar veementemente do seu artigo. A questão é de foco. Fiquei envergonhado em ser brasileiro ao assistir o programa. A falta de noção e de profissionalismo dos jornalistas ali presentes, à exceção do Felipe Recondo do Jota, foi gritante.

Os jornalistas brasileiros aderiram tanto à pauta lavajateira que não conseguem enxergar o óbvio. Senti dó, por exemplo, das perguntas da jornalista do Correio Brasiliense de tão pueris. Ai, mas você não se sente mal de uns bandidos serem soltos? O rapaz do Valor era muito fraco, para ele deve-se preocupar sobremaneira com o vazamento oriundo dos hackers, no entanto não cobra o mesmo empenho com relação aos procuradores concurseiros sem ética. Afinal de contas, de quem devemos esperar que cumpra os ditames da lei, um hacker ou um procurador em face dos documentos que tem acesso ou das suas prerrogativas? O do Globo, que tentava defender com unhas e dentes a empresa que trabalha, protagonizou o maior manterrupting de que se tem notícia. A apresentadora também foi muito bobinha. Enfim, os jornalistas pareceram desempenhar o mesmo papel da grande mídia brasileira ao longo do tempo, isto é, fazer assessoria de imprensa da força-tarefa, não parecem ter ânimo de checar e de investigar nada, talvez porque dê trabalho, é mais fácil ser uma mera correia de transmissão da Lava Jato.

Tantas perguntas a fazer, tantos pontos a esclarecer do imenso material que o Glenn Greenwald detém, mas nada, quis apenas imprensar o dito cujo com questões banais para qualquer jornalista minimamente bem informado, tal como é ético divulgar as informações obtidas por meios ilícitos, como se a Lava Jato não tivesse feito outra coisa senão promover vazamentos ilegais como método de intimidação. Agora está provando do próprio veneno.

Glenn Greenwald com segurança e precisão, mesmo não dominando a Flor do Lácio, deitou e rolou, colocando aqueles lambe-botas no lugar deles com seus argumentos jurídicos e por ser um jornalista tarimbado e competente.

Responder

Ruy Lombardi Mendes

04 de setembro de 2019 às 22h57

Reinaldo Azevedo, está longe de ser um “esquerdista”. Viram os comentários dele, ontem, 03/09 ? Acho que o problema não está na opinião da “esquerdalha”, não é?

Responder

    Redação

    04 de setembro de 2019 às 23h24

    Não vi não. Reinaldo tem se aproximado muito da esquerda. O que eu disse não se aplica apenas à esquerda, mas sobretudo a esquerda. Há uma diferença.

    Responder

      Andréia Chaieb

      05 de setembro de 2019 às 07h53

      Concordo que os jornalistas devam reproduzir as críticas das ruas, porém foram repetitivos e pouco inteligentes. Discordo qdo vc fala nos comentários que o Reinaldo está se aproximando da esquerda, o fato de criticar a conduta imoral do Moro e Deltan e criticar o desgoverno Jair NÃO SIGNIFICA SER DE ESQUERDA, significa ter honestidade intelectual e ética!

      Responder

Luciano

04 de setembro de 2019 às 22h18

A questão é que o tratamento dado aos entrevistados é diferente dependendo da ideologia. A esquerda é trada de forma agressiva e as vezes até grosseira. As perguntas feitas para Glen foram 80 % relacionadas ao vazamento das mensagens e e 20% relacionados ao conteúdo escandaloso. Quando Alckmin esteve lá, parecia conversa de comadres. Sabemos que a TV Cultura é gerenciado pelo PSDB a 20 anos.

Responder

    Redação

    04 de setembro de 2019 às 22h24

    Eu concordo com isso, mas a esquerda deveria agradecer. Porque ninguém assiste as entrevistas de Alckmin. Não é bom para a direita. Como o “dono” da emissora é o governo tucano de SP, talvez os âncoras tentem poupá-los, mas acabam prejudicando-os ao final.

    Responder

    Ramon

    05 de setembro de 2019 às 13h11

    Não dá para comparar uma entrevista com Gleen sobre um assunto extremamente controverso e atual, com qualquer assunto com o sorvete de xuxu.

    Responder

Franklin

04 de setembro de 2019 às 22h15

Concordo quando fala da comunicação do governo Dilma. No caso Lula ele era a comunicação é paltava a mídia. Já na questão do Roda Viva é uma vergonha, a muito tempo não se vê jornalismo lá. Grandes jornalistas criticaram a entrevista como o Nassif, com fundamento de quem entende do ofício.

Responder

    Redação

    04 de setembro de 2019 às 22h25

    Discordo respeitosamente do amigo Nassif. E acho que devemos avaliar uma entrevista pelo resultado. E o resultado foi ótimo para Glenn, para o programa e para nos ajudar a esclarecer algumas questões sobre ética jornalística.

    Responder

    Ramon

    05 de setembro de 2019 às 13h14

    Naciffe é um jornalista de esquerda. Tem o discurso oficial da esquerda, ficaria surpreso se ele falasse diferente.

    Responder

Attilio Cesar Martins Ferreira

04 de setembro de 2019 às 21h53

Discordo de você não acho nem um pouco “Tola implicância da esquerda “.

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