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Senado quer que Banco Central se preocupe também com atividade econômica

Por Redação

18 de fevereiro de 2020 : 13h12

É lamentável que o congresso caminhe a passos acelerados para dar autonomia ao Banco Central, retirando do governo eleito um importante instrumento para proteger os grandes interesses econômicos nacionais. O poder de alguns burocratas do BC, se já era grande, será fora do comum.

Não é de todo mal, todavia, que o Senado ao menos se preocupe em dar ao Banco Central dois novos objetivos: suavizar as flutuações do nível da atividade econômica e zelar pela eficiência do Sistema Financeiro.

O lado negativo, contudo, é que essa preocupação com a atividade econômica, não será integrada com as diretrizes do governo, introduzindo uma duplicidade de poder com potencial de gerar ainda mais instabilidade.

Quem, afinal, vai governar o país?  O presidente da república eleito ou alguns servidores do Banco Central, muitos dos quais costumam sair da instituição diretamente para o setor privado?

Outra consequência relevante do projeto que dá autonomia ao Banco Central, com mandato de quatro anos para seus presidentes e dirigentes, é ampliar o poder do próprio Senado, que deverá aprová-los.

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CAE aprova autonomia do Banco Central com novos objetivos

Rodrigo Baptista | 18/02/2020, 11h53

Proposta aprovada fixa em quatro anos o mandato dos dirigentes do BC com a possibilidade de uma recondução

Agência Senado — Além do controle da inflação, o Banco Central terá outros dois objetivos: suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e zelar pela solidez e eficiência do Sistema Financeiro Nacional. Emenda que amplia as responsabilidades do BC no projeto de autonomia do órgão foi aprovada nesta terça-feira (18) pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O texto retorna à análise do Plenário, com pedido de urgência.

A proposta também fixa em quatro anos o mandato para os dirigentes da autarquia, com a possibilidade de uma recondução, e determina que o mandato do presidente do BC comece no primeiro dia útil do terceiro ano do mandato do presidente da República.

O colegiado já havia aprovado a proposta em novembro do ano passado, mas emendas de Plenário levaram a proposta a nova análise do colegiado. Acatada pelo relator, senador Telmário Mota (Pros-RR) durante a reunião, a emenda foi sugerida pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que propôs que esses objetivos secundários devem ser formalizados em lei. Essa alteração teria o efeito de dar maior transparência e responsabilidade ao Banco Central na opinião do parlamentar. Assim, segundo Tasso, está mantido o chamado “mandato simples”, de controle da inflação, mas como uma responsabilidade subsidiária.

—  Nós mantemos o mandato único e subsidiariamente essa observação que o Banco Central tem que acompanhar — defendeu Tasso.

O relator rejeitou emenda do senador Eduardo Braga (MDB-AM) que conferiria “um duplo mandato ao BC”, com meta também de crescimento (ou geração de empregos).

— Atribuir mandato duplo abriria espaço para o BC ser afetado pelo ciclo político, sendo potencialmente mais pressionado a estimular a atividade econômica e o emprego no curto prazo, visando benefícios políticos e eleitorais, em detrimento de uma inflação mais alta no futuro próximo. Essa possibilidade é reduzida em caso de mandato único — argumentou Telmário ao rejeitar a mudança.

Apesar de votarem favoravelmente ao projeto, alguns senadores defenderam outras metas para o Banco Central, como a geração de empregos.

— Além de atingir meta de inflação, o FED [banco central dos Estados Unidos] também tem que perseguir meta de emprego e crescimento. É importante que o BC tenha uma visão completa da economia e não apenas a questão monetária — defendeu o senador Reguffe (Podemos-DF).

Para o líder do PT, senador Rogério Carvalho (SE), a emenda de Tasso amplia as atribuições e preocupações do BC.

— Isso obriga o Banco a se preocupar de forma mais ampla com os aspectos da economia. Apesar de posição contrária à autonomia como se propõe. Com a emenda, nós votaremos com o relator — defendeu.

Também do PT, Jean Paul Prates (RN) considera que a atual redação do projeto não dá “autonomia completa ao BC”.

— Não estamos falando de uma autonomia completa, não estamos dando liberdade para o Banco Central ser um governo paralelo. O Banco Central responde a um programa de governo que vem das urnas, por pior que ele seja — avaliou.

O senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) discordou ao anunciar voto contrário ao projeto. Em sua avaliação, não há nada no projeto que garanta que o presidente do BC se submeta à política do governo.

— O projeto não mostra como ele pode ser questionado caso as linhas adotadas fujam aos princípios eleitos nas urnas — apontou.

Autonomia

Apresentado pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), o projeto recebeu nova redação do relator, senador Telmário Mota (Pros-RR), definindo que, dos oito diretores da instituição, dois serão nomeados a cada ano de governo. Vinculado ao Ministério da Economia, cabe ao BC formular e executar a política monetária, manter a inflação dentro da meta e servir como depositário das reservas internacionais do país.

Autor e relator argumentam que, ao intercalar os mandatos com o do presidente da República, será possível blindar o banco de pressões políticas do Poder Executivo e garantir ao BC estabilidade e tempo para planejar e executar a política monetária.

Exoneração

Os membros da diretoria poderão ser exonerados em caso de “desempenho insuficiente para o alcance dos objetivos do Banco Central”. Nessa situação, caberá ao Conselho Monetário Nacional (CNM) submeter ao presidente da República a proposta de exoneração, que ficará condicionada à prévia aprovação por maioria absoluta dos senadores. Segundo Telmário, como o CMN assessora o presidente da República em assuntos monetários e bancários, entre eles a fixação da meta de inflação, um parecer do conselho agregaria valor técnico à avaliação de desempenho dos membros da diretoria do banco.

Outra hipótese de exoneração é a condenação por improbidade administrativa ou por crime que acarrete a proibição de acesso a cargos públicos. Caso qualquer dos cargos fique vago, um substituto será indicado e nomeado para completar o mandato.

Conflito de interesses e quarentena

Ainda conforme o texto aprovado na CAE, os integrantes da diretoria do BC serão nomeados pelo presidente da República entre brasileiros “idôneos, de ilibada reputação e notória capacidade em assuntos econômico-financeiros ou comprovados conhecimentos que os qualifiquem para a função”.

Aplica-se ao presidente e aos diretores a Lei nº 12.813, de 2013, que trata de conflito de interesses e informações privilegiadas em cargos públicos. A lei prevê, por exemplo, uma espécie de “quarentena”, que proíbe aos diretores e presidente do BC uma série de atividades, como prestação de serviço para pessoa física ou jurídica com que tenha estabelecido “relacionamento relevante” em razão do exercício do cargo nos seis meses após o desligamento.

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9 comentários

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Luiz

20 de fevereiro de 2020 às 14h49

Acredito que exista uma crença entre economistas (neoliberais) de que é possível alcançar o “equivalente geral” , desprovido da exploração (marxismo), por via de perspectiva marginalista. Na esquerda, partidos como o PPS talvez tenham alguma coisa a dizer sobre esse tipo de crença. No mais, resta um relativismo ingênuo.

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Paulo

18 de fevereiro de 2020 às 20h10

“Quem, afinal, vai governar o país? O presidente da república eleito ou alguns servidores do Banco Central, muitos dos quais costumam sair da instituição diretamente para o setor privado”?

Na verdade vêm e voltam pra lá…Esse Congresso é ridículo. Nunca vi alguém abdicar de poder a troco de nada, apenas para se submeter a uma agenda liberal e ficar bem na fita com o mercado e a grande mídia.

Já tive oportunidade de escrever aqui: esse Congresso é o pior da história…Moral e politicamente…

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    Goebbels

    19 de fevereiro de 2020 às 10h05

    Servidor é apenas parasita, é assim no nosso governo, não merece nem viver.

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    putin

    19 de fevereiro de 2020 às 19h22

    tem que agradecer ao congresso que barrou 90% das infamidades do dom vito corleone, isso sim!

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      Paulo

      19 de fevereiro de 2020 às 19h27

      Agradecer por ter tido esta nefasta legislatura protagonismo nas Reforma Trabalhista e da Previdência, e, por antecipação, na Administrativa? É isso mesmo?

      Responder

Alan C

18 de fevereiro de 2020 às 18h26

Que teatrinho ridículo….

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Luiz

18 de fevereiro de 2020 às 15h38

A razão pela qual o Banco Central não se submete à livre iniciativa também é obvia.

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Alan C

18 de fevereiro de 2020 às 14h35

Teatrinho ridículo.

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Wellington

18 de fevereiro de 2020 às 14h08

O Banco Central assim como as instituições públicas devem ser o mais possível independentes do poder político. Isso é bastante óbvio e normal.

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