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Balança de pagamento tem maior déficit em 5 anos

Por Redação

21 de fevereiro de 2020 : 13h57

Nos anos de 2012 a 2015, os déficit foram um pouco maiores, mas havia um contexto: o pré-sal ainda não tinha entrado em produção, e portanto o Brasil ainda precisa importar quantidades gigantes de petróleo, cru e refinado, num momento em que o barril atingia seus recordes históricos. Hoje o preço do petróleo está equilibrado (nem muito alto nem muito baixo), e o Brasil está batendo recorde de produção e exportação, por causa do pré-sal.

O peso da balança comercial se dá por causa da enorme pressão que vem fazendo as importações de derivados de petróleo, fertilizantes, eletrônicos e serviços.

O Brasil não vai superar o seu subdesenvolvimento enquanto não equacionar o seu problema com a balança de pagamentos, o que irá exigir políticas industriais inteligentes e sofisticadas.

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No BC

Estatísticas do setor externo

1. Balanço de pagamentos

Em janeiro de 2020, o déficit em transações correntes totalizou US$11,9 bilhões, ante déficit de US$9,0 bilhões no mesmo mês de 2019. A elevação no déficit decorreu da retração de US$3,6 bilhões no saldo da balança comercial, parcialmente compensada pelas reduções de US$506 milhões e de US$182 milhões nas despesas líquidas de renda primária e de serviços, respectivamente, e pelo aumento das receitas líquidas de renda secundária, US$96 milhões. O déficit em transações correntes nos doze meses encerrados em janeiro de 2020 somou US$52,3 bilhões (2,85% do PIB), ante US$49,5 bilhões (2,69% do PIB), em 2019.

As exportações de bens totalizaram US$14,5 bilhões em janeiro de 2020, recuo de 19,5% em relação ao mesmo período de 2019. Na mesma base de comparação, as importações de bens aumentaram 0,6%, para US$17,1 bilhões. As importações de bens no âmbito do Repetro foram estimadas em US$2,1 bilhões, para janeiro de 2020. Em janeiro de 2019, as importações líquidas cursadas pelo Repetro totalizaram US$0,8 bilhão.

O déficit na conta de serviços atingiu US$2,7 bilhões no mês, 6,4% inferior ao resultado de janeiro de 2019. Destacaram-se o incremento na receita líquida de outros serviços de negócio, de US$526 milhões para US$831 milhões, e a redução nas despesas líquidas em viagens, de US$986 milhões para US$857 milhões, na mesma base de comparação. Em sentido oposto, houve aumento nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos, de US$931 milhões para US$1,3 bilhão.

Em janeiro de 2020, o déficit em renda primária reduziu 7,0% na comparação com janeiro de 2019, somando US$6,8 bilhões. Os gastos líquidos com juros somaram US$4,0 bilhões no mês, redução de 13,3% na comparação interanual, com redução de despesas e estabilidade nas receitas. As despesas líquidas de lucros e dividendos somaram US$2,8 bilhões, aumento de 4,1% ante janeiro de 2019.

Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$5,6 bilhões no mês, compostos por ingressos líquidos de US$4,5 bilhões em participação no capital e de US$1,1 bilhão em operações intercompanhia. Nos doze meses até janeiro de 2020, o IDP totalizou US$78,4 bilhões, correspondendo a 4,26% do PIB. Em 2019, os fluxos líquidos de IDP alcançaram US$78,6 bilhões, ou 4,27% do PIB.

No mês, o ingresso líquido de investimento em portfólio no mercado doméstico somou US$1,5 bilhão, com saídas líquidas de US$4,1 bilhões em ações e fundos de investimento, e ingressos líquidos de US$5,6 bilhões em títulos de dívida. Em janeiro de 2019 houve ingressos líquidos de US$6,7 bilhões, resultado de ingressos líquidos US$3,7 bilhões em ações e de US$3,0 bilhões em fundos de investimentos. No acumulado em 12 meses, as saídas líquidas somaram US$12,9 bilhões.

2. Reservas internacionais

O estoque de reservas internacionais atingiu US$359,4 bilhões em janeiro de 2020. O incremento de US$2,5 bilhões nesse estoque, relativamente à posição de dezembro, decorreu principalmente da variação por preço, que gerou ganhos de US$2,1 bilhões. A receita de juros adicionou US$585 milhões ao estoque, enquanto a variação por paridades contribuiu para reduzi-lo em US$251 milhões.

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