Análise da reunião ministerial de Bolsonaro

Pesquisa Jota confirma deterioração da aprovação de Bolsonaro

Por Miguel do Rosário

29 de abril de 2020 : 11h36

Pesquisa divulgada hoje pelo Jota/Quaest, com entrevistas realizadas no último final de semana, comprova que o estrago na aprovação do presidente Bolsonaro tem sido grande, e não começou na demissão do ministro Moro.

Vem de antes, e atinge todas as classes.

Para analisar os gráficos abaixo, preste atenção nas linhas vermelhas, que tratam da avaliação negativa, e também nas linhas azuis, que tratam da positiva.

A boca do jacaré se abriu, como se diz no jargão de análises de pesquisa. A rejeição atingiu seu maior ponto, 48%, ao passo que a aprovação caiu para seu menor patamar, 20%.

Se a população brasileira é de 200 milhões de pessoas, isso signica que quase 100 milhões de brasileiros acham o governo do presidente Jair Bolsonaro ruim ou péssimo, ao passo que 40 milhões o consideram bom e ótimo.

Observe que a deterioração ocorreu em todas faixas de renda, inclusive naquelas mais altas.

Entre as classes com renda de 2 a 5 salários, por exemplo, a rejeição explodiu para 53%, ao paso que a avaliação positiva declinou para o mais baixo patamar desde o início da pesquisa, para 21%.

Entre os mais pobres, com renda familiar inferior a 2 salários, a avaliação positiva do presidente caiu para 17%, enquanto a negativa explodiu para 46%.

Entre as famílias de maior renda, acima de 5 salários, a aprovação positiva caiu para 24%, enquanto a negativa é de 45%.

Bolsonaro perdeu apoio inclusive entre os evangélicos, que são o grupo onde ele ainda tem mais apoio: sua avaliação positiva neste grupo, que era de 40% há poucas semanas, caiu para 28%, ao passo que a negativa subiu de 28% para 35%.

Outros gráficos do Jota sinalizam que essa deterioração vai continuar, porque o impacto da saída de Sergio Moro do governo foi muito negativo.

Acho importante ainda qualificar este “negativo”. A maioria das pessoas acredita nas denúncias de Moro.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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9 comentários

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chichano goncalvez

30 de abril de 2020 às 13h38

Sou favoravel que a esquerda, que é representada pelo Psol, PCB, PCO, contando com apoio de alguns membros do PCdo B, do Socialista, da Rede, enfim a verdadeira esquerda, pois nem Lula, nem Ciro representam esquerda nenhuma, nem o Pdt hoje, chega de fazer coligação com direitistas disfarçados de socialistas, esses tipos Lulas, Ciros, e esses partidos psc, pd não sei o que, podemos,patriotas, etc, amontoados de pastores que nada fazem, isto é, não trabalham e vivem a custa do povo.

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Roberto M.

30 de abril de 2020 às 07h53

FORA BOLSONARO, FORA FASCISTAS.

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gilmar de jesus

29 de abril de 2020 às 17h29

entendo que o petismo foi e sempre será oposição, mas não tem coragem de tanta sujeira e canalhice da direita, inclusive com milicias, que ameaçam, matam e pagam milhões por mentiras para ganharem eleição ou seja, usurpar. deixa acharem o que quiser como diz o papa, a verdade prevalecera, sobre esses bolsovirus. quem ri por último ri melhor. e não será um bando de bitolados caducos , que vai tirar a vontade e o ideal dos brasileiros.

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dcruz

29 de abril de 2020 às 16h32

Não adianta a gente ficar aqui malhando em ferro frio, que o bozo é o pior presidente de todos os tempos do Brasil, ninguém de bom senso duvida, agora vai dizer essa realidade tão óbvia para o gado que votou nele, quanto mais diz asneiras ele cresce, quanto mais é criticado ele cresce, não adianta essas estatísticas fugazes, a dura realidade é que quem nunca deveria votar no bozo, a faixa de pobreza fronteiriça à miséria votou nele, e os que agora fizeram crescer esse percentual de rejeição a qualquer aceno eles voltam à sua fidelidade bozonázi.Todos os fascistas exercem esse domínio justamente em quem deveria odiá-los.Esse fenômeno é histórico, Umberto Eco analisou-o profundamente em um de seus livros.

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Marcos Videira

29 de abril de 2020 às 14h16

Minha percepção é a de que Bolsonaro não tem 15% de fiéis seguidores, ou seja, de fanáticos fascistas.
Quando arrefecer a pandemia, no segundo semestre, entendo que a maioria do povo deve – legalmente – colocar a familícia na cadeia. Os crimes e as provas abundam.
Mas não devemos nos esquecer dos militares entreguistas. Os democratas aceitaram a Anistia de 1979 da Ditadura Militar com o propósito de olhar pra frente e reconstruir a Democracia usurpada. Hoje está comprovado que foi um erro estrondoso. Os militares entreguistas, alinhados ao general Silvio Frota, assumiram a candidatura de Bolsonaro e estão aí governando o Brasil. São cúmplices do fascismo de Bolsonaro. Por isso, tirar Bolsonaro e colocar Mourão é trocar 6 por meia dúzia.

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    chichano goncalvez

    30 de abril de 2020 às 13h44

    A solução temporaria , penso eu, seria cassar a chapa toda Bolzo e Mourão, só que não temos um supremo serio e honesto, e nem um congresso serio tambem, isto porque, infelizmente grande parte do povo brasileiro, queiram ou não, são analfabetos politicos, e por muito imediatistas , recebe a porta em uma eleição, depois vem a chave, e os anos vão passando, e o pais tende a piorar cada vez mais. Continuo com a minha campanha : eleição direta para juizes em todos os seus niveis.

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Tiago

29 de abril de 2020 às 13h45

A deterioração é clara, mas o Bozismo parece ter um núcleo duro de 15% a 20%, enquanto o Lulismo parece ter um núcleo duro de 20% a 25% histórico. O que parece não atentar ao Miguel do Rosário é que essa deterioração não está gerando mais eleitores para as esquerdas (vide o índice de rejeição de Lula, Haddad e Ciro por exemplo), que inclusive tem um problema em ter um um público de 16 a 30 anos que só começaram a se preocupar com política após 2013 e só viu um mandato mambembe da Dilma que quis inicialmente satisfazer os eleitores derrotados do PSDB com Joaquim Levy e depois não conseguiu governar pelo golpismo do próprio PSDB de Aécio, depois continuado o golpe por Eduardo Cunha, Temer, Rodrigo Maia (Jucá, Serra, etc). Essa deterioração é mais urbana, classe média e vai buscando dividir o Gado para as hostes lava-jatistas do Sérgio Moro – que não passa de ser o candidato do golpismo do PSDB e da Globo.

Nesse momento de desastre da extrema direita (entreguista, neoliberal e elitista), quem é reconstruído é o PSDB por Moro, Dória e Huck (também Entreguistas, Neoliberais e Elitistas). Uma pena para as esquerdas (e sites que se dizem de esquerda) que não conseguem demonstrar essas incoerências, não encanta o público abaixo de 30 anos e caminha para fazer o jogo de recuperação eleitoral do Parlamentarismo do PSDB para desembocar em um provável segundo turno entre extrema direita (Bozismo) versus direita (Sérgio Moro, Dória, Huck, etc).

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    Luiz Felipe

    30 de abril de 2020 às 08h51

    Nossa Tiago,
    Dando a esquerda como já derrotada tanto tempo antes das eleições?
    Eleição em 2022 sem chegue ao Segundo Turno? Não acredito!
    Honestamente falando, Bolsonaro é tão ruim que não conseguirá resgatar o Brasil da imensa crise econômica em que Dilma e o PT nos jogaram!
    Desse modo, acredito que a batalha vai se dar entre alguém desse grupo que você chamou de direita (Sérgio Moro, João Dória, Huck, Zema, PSDB, Partido Novo…) e alguém da esquerda mais moderada (Ciro, Haddad, Marta, Freixo, Alexandre Molon…).
    Acho que Bolsonaro é carta fora do baralho!
    Sem condições mentais para nada…
    Acho que nem chega a 2022…
    Mas, depois do Governo errático de Dilma e do inacreditavelmente desequilibrado Bolsonaro, o Brasil vai querer alguém com uma imagem mais serena, alguém mais centrado, mais afeito à técnica do que a ideologia…
    O Brasil não vai querer outra batalha ideológica! Não será uma nova revanche entre quem pôs e quem tirou Dilma do poder…
    Isso está superado!! Dilma, Lula, Aécio e Bolsonaro são passado, HISTÓRIA!!
    O vai querer alguém novo, alguém que tenha serenidade para nos trazer de volta aos trilhos do crescimento econômico, para todos, e também da Paz Social das ruas…
    Quem apostar na revanche, vai perder!
    Ciro Gomes peca por isso também: É destemperado! O Brasil cansou de gente assim, como Bolsonaro… Guilherme Boulos também não tem chance… Políticos com imagem de corrupto também estão descartados… Vamos ter mesmo alguma coisa com um perfil tipo Fernando Haddad ou Sérgio Moro… Sérgio Moro, sai na frente, mas seu perfil de ex-juiz não é muito apropriado para a presidência da República! Estaria melhor no STF (isso prova o quanto Bolsonaro foi burro!).
    Porém, a esquerda, para ter mesmo chances reais, precisaria nos apresentar uma alternativa, um nome progressista, porém de ilibada reputação! Não poderia ser alguém tão vinculado à imagem de Lula, como Haddad, não tão destrambelhado como Ciro (cujo temperamento sai prejudicado eleitoralmente pelo exemplo de Bolsonaro), nem que tivesse parecido ser tão oportunista como a Marta que deixou o PT para cair nos braços de Temer!!!
    O que a esquerda deveria fazer é exatamente isso: Pensar em alternativas! Não apenas seguir o que o desgastado Lula quiser indicar!!
    Assim como a direita!!
    Erra quem pensa que o desastre Bolsonaro vai significar uma volta ao passado! O Brasil, acredito, vai insistir no nome novo: Um nome técnico, sereno, preparado e generoso!
    Quem? Talvez ainda não tenha aparecido o nome…

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    putin

    30 de abril de 2020 às 08h52

    tiago,
    o unico problema é que a esquerda completa 6 anos de boicote TOTAL por parte das 4 TVs.
    só isso.
    nesta situaçao foi um milagre haddad ter conseguido 45%.

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