Live com Marcio França, pré-candidato a prefeitura de São Paulo

Notas internacionais (por Ana Prestes) – 03/06/20

Por Ana Prestes

03 de junho de 2020 : 11h13

– O Brasil já possui mais de 30 mil mortes por Covid-19. No começo de maio havia aproximadamente 6 mil mortes. Em um mês foi multiplicado por cinco o número de vítimas. Em número de infectados já passamos de meio milhão. Em número de casos somos o segundo maior do mundo, atrás apenas dos EUA. Em número de mortes só ficamos atrás dos EUA, Reino Unido e Itália. Nossa curva está na ascendente. Podemos chegar ao posto de país mais afetado. Única conquista internacional possível ao governo Bolsonaro.

– O Brasil vem perdendo rios de dólares de investidores estrangeiros. A informação está no Financial Times e foi replicada pelo Meio. De fevereiro a maio já saíram 11,8 bilhões de dólares da Bolsa e entre fevereiro e abril, 18,7 bilhões do mercado de títulos. A taxa de saída é o dobro da verificada em 2008, durante a crise econômica mundial. Pandemia combinada com crise política diferencia o Brasil de outros países considerados “emergentes” e que não estão perdendo tantos investimentos externos.

– Os protestos antirracistas iniciados nos EUA no último dia 26 de maio, após o assassinato de George Floyd por um policial branco, sufocado até a morte em Minneapolis, seguem intensos e ontem (2) foram bastante fortes na Europa. Em especial na França. As ruas de Paris foram tomadas por milhares de pessoas que infringiram as determinações da quarentena. A França foi um dos países mais afetados pelo coronavírus na Europa e não estão permitidas concentrações de mais de 10 pessoas. O protesto foi convocado para frente do Tribunal de Paris. Para além da alusão ao assassinato de Floyd, os franceses que protestaram denunciaram a morte de Adama Traoré, um homem negro de 24 anos que morreu em 2016 em uma delegacia de Paris duas horas após ser preso. Segundo sua família, ele foi violentamente agredido no momento da prisão. Aliás, o protesto de ontem foi organizado e chamado por um comitê de apoio à família de Adama. A irmã de Adama, Assa Traoré, disse à Rádio França Internacional: “hoje não é apenas o combate da família Traoré, é o combate de todos vocês. Hoje, quando lutamos por George Floyd, lutamos por Adama Traoré”. Na verdade, a ocorrência do protesto no mesmo momento em que se dão os protestos nos EUA foi uma coincidência que fortaleceu o ato, pois a família de Traoré já estava mobilizando ativistas desde a semana passada quando saiu uma perícia do caso que descartava a responsabilidade dos policiais franceses e uma perícia independente soltou seus resultados apontando que ele recebeu socos na barriga na hora da prisão. (infos da RFI e da AFP)

– E enquanto os protestos seguem fortes nos EUA, assim como sua repressão violenta que aumenta a cada dia, o Papa Francisco também se pronunciou. Nesta manhã (3) ele disse: “caros irmãos e irmãs dos EUA, sigo com grande preocupação as dolorosas desordens sociais que estão ocorrendo emsua nação nesses dias após a trágica morte do senhor George Floyd”. O que o Papa chama de “desordens sociais” na verdade são marchas e mobilizações permanentes em sua grande maioria pacífica, mas que também conta com grupos que fazem depredações e saques como forma de se manifestar. Várias cidades estão com toque de recolher e ostensiva presença de forças de segurança. Até mesmo a guarda nacional de fronteira, famosa por sua brutalidade contra os migrantes, está sendo mobilizada por Trump, como denunciou a deputada democrata por NY, Ocasio Cortez. As informações de ontem (2) eram de que o Pentágono havia mobilizado cerca de 1600 soldados para postos militares na área de Washington. Em uma de suas demonstrações de força, o governo colocou um helicóptero para sobrevoar com proximidade um grupo de manifestantes na capital na noite de segunda (1). Manifestações foram fortes ontem em Houston, Los Angeles, Washington, Nova Iorque, Minneapolis e diversas outras cidades por todo o país.

– E sobre os protestos antirracistas nos EUA e a violenta repressão das forças policiais e ameaças de Trump de usar a Guarda Nacional e as Forças Armadas, a China se manifestou através do porta-voz de seu ministério das Relações Exteriores, Lijian Zhao. Ele questionou: “por que os EUA glorificam as ditas forças pró-independencia de Hong Kong como heroicas, mas chamam manifestantes desapontados com o racismo no seu país de arruaceiros?”. O questionamento veio após uma decisão americana de limitar a entrada de cidadãos chineses no país e encerrar benefícios comerciais a Hong Kong em retaliação à nova Lei de Segurança Nacional da China em relação a Hong Kong aprovada pelo parlamento chinês no último 27 de maio.

– Venceu ontem (2) mais um prazo para pagamento de parcela da dívida argentina e deve haver nova extensão do prazo. Há elementos de que um acordo está se consolidando entre credores e governo. O montante em questão é da ordem de 68 bilhões de dólares. O debate no momento é sobre a taxa de juros a ser empregada, a Casa Rosada quer 3% e os credores topam 4,2%. Está em negociação também o período de congelamento do pagamento pedido pelo governo argentino, se de três ou dois anos. É bom lembrar que quando falamos “credores” trata-se de um grupo heterogêneo, amplo, complexo e com interesses diversos. A Argentina está em default desde 22 de maio, o que impacta nas suas possibilidades de participação no mercado internacional de créditos. Bom lembrar também que esta dívida em negociação não é a dívida do empréstimo de Macri como FMI (57 bilhões de dólares, com 44 bilhões já liberados). Esta outra dívida será negociada na sequencia. Macri não deixou poucos problemas para Fernández.

– Em franca provocação com Merkel e outras lideranças do G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Reino Unido e Japão), Trump está fazendo anúncios de modificações para a próxima reunião da qual o país será sede. Disse que quer ver o Fórum ampliado e atualizado. Afirmou recentemente, sem citar o Brasil, que a Rússia deve voltar ao grupo e que vai convidar Austrália, Coreia do Sul e Índia para participarem. Disse também que vai colocar a China no centro do debate. Ontem (2) Bolsonaro disse que o Brasil também está convidado para o G7 “expandido”. A princípio a reunião seria em junho, mas pela pandemia foi adiada e deve ocorrer em alguma data entre setembro e novembro.

– Sobre o convite à Rússia para participar do G7, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o presidente Putin é defensor do diálogo emtodas as direções, mas que precisa receber mais informações para responder ao convite. Segundo o Kremlin, Moscou precisa saber o que estará na agenda do encontro e qual será o formato da mesma. A Rússia foi vetada no antigo G8 em 2014 quando houve o referendo popular para reincorporação da Crimeia no país, anteriormente vinculada à Ucrânia. A região da Criméia é fonte de permanente tensão entre a Rússia e a Ucrânia.

– O governo da Suécia começa a dar sinais de admissão de falhas na condução da resposta local ao novo coronavírus. O epidemiologista Anders Tegnell, especialista responsável pela estratégia suéca de enfrentamento da pandemia, deu uma entrevista a uma rádio suéca que está repercutindo bastante. Ele diz: “se estivéssemos diande da mesma doença, com o mesmo conhecimento que temos hoje, acho que a nossa resposta seria alguma coisa entre o que a Suécia fez e o que o resto do mundo fez” e complementou, “claramente, há potencial de melhoria no que fizemos na Suécia”. Desde o início da crise, a Suécia apelou para a responsabilidade individual de proteger seus familiares e pessoas mais vulneráveis e fez poucas restrições à mobilidade de seus cidadãos. Apear de universidades fechadas e lares de idosos com visitas proibidas, escolas, restaurantes e comércio ficaram abertos. A taxa de mortes por 100 mil habitantes na Suécia é de 43,3, segundo a Johns Hopkins University. Nos países vizinhos da Dinamarca é de 9,9, na Finlândia é de 5,8 e na Noruega é de 4,4. E mesmo tendo adotado medidas frouxas para o “bem da economia”, a Suécia pode ter uma queda em 7% de seu PIB segundo a ministra das Finanças, Magdalena Andersson. (com infos da DW)

– A missão da ONU na Líbia (UNSMIL) informou no começo desta semana que um plano de conversações entre as partes conflitantes está avançando. Desde abril de 2019 um Exército de Libertação Nacional da Líbia liderado por Khalifa Haftar tenta tomar a capital Trípoli, hoje comandada pela GNA (Governo do Acordo Nacional) que é o governo reconhecido pela ONU. A situação é bastante complexa e a região acabou se transformando em área de disputa entre a Turquia de um lado e Rússia, Egito e Emirados Árabes do outro, apoiando Haftar.

Ana Prestes

Ana Prestes Socióloga, mestre e doutora em Ciência Política pela UFMG. Autora da tese “Três estrelas do Sul Global: O Fórum Social Mundial em Mumbai, Nairóbi e Belém” e do livro infanto-juvenil “Mirela e o Dia Internacional da Mulher”. É membro do conselho curador da Fundação Maurício Grabois, dirigente nacional do PCdoB e atua profissionalmente como assessora internacional e assessora técnica de comissões na Câmara dos Deputados em Brasília.

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4 comentários

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chichano goncalvez

03 de junho de 2020 às 14h10

Espero que os manifestantes não percam o entusiasmo, e sigam em frente até as ultimas consequencias. É evidente que quando ha manifestações contra os governos de direita, aparecem soldados, forças de segurança que ninguem sabe de onde sairam, mas quando o cidadão precisa de segurança, que nem nos Estados Unidos, que todo o dia sai um louco com um AK 47 matando, não se encontra policiais, mas quando eles estão sumidos, estão recebendo gordos salarios pagos a custa do povo trabalhador. Alguem saberia me explicar porque acontece isso ?

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Erminio

03 de junho de 2020 às 12h12

“Xerife de Moraes recebe visita do Ministro da Defesa em sua casa…” kkkkkkk

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Garrincha

03 de junho de 2020 às 12h05

A fala do sujeito Sueco nao disse nada d’isso…”O médico responsável pela estratégia da Suécia de não adotar o lockdown reconheceu nesta quarta-feira (3) que o país enfrenta problemas no combate à pandemia do coronavírus. O epidemiologista Anders Tegnell, porém, voltou a defender as medidas do governo e deixou claro que não considera o fechamento total do país como uma opção.”

A Suecia è a mais cosmopolita dos paises da escandinavia, lugar de muita imigraçào onde eu estive por 2 vezes (Estocolmo è a porta de entrada dos mesmos assim como NY nos EUA e Milao na Italia…) por tanto o virus entrou com mais força que na Noruega ou Finlandia onde tem duas cidades (Helsinki e Oslo) e mais nada, sò florestas.

Na Suecia erraram com os idosos em asilos tanto que sao metade das mortes.

A Belgica tem mais ou menos a mesma populaçào da Suecia, fechou tudo por semanas e tem o dobro das mortes, quase 10.000 contra 5.000.

Onde o virus entrou com força là atràs em dezembro/janeiro/fevereiro nada adiantou…nessa altura a OMS ainda tava dizendo que o virus nao se trasmitia entre pessoas !!

Entrevista com o ponto mais importante sobre a Democracia que se perdeu durante esses meses em varios paises, Brasil inclusive: https://www.publico.pt/2020/05/03/ciencia/noticia/johan-giesecke-epidemiologista-sueco-numero-mortes-covid19-sera-quase-paises-europeus-1914373

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Banana Joe

03 de junho de 2020 às 11h53

O feudo dos Gomes tem mais casos que metade da America do Sul mais um pedaço de Brasil juntos (Argentina, Cile, Uruguay, Bolivia e todo o sul do Brasil…PR, SC e RS).

O virus nao entrou com a mesma força em todos os Paises por tanto as comparaçoes entre paises sao dificeis.

Ser um dos Pais com mais notificaçoes è muito bom tanto que o ideal seria testar a inteira populaçao e isolar os portadores do virus. O numero de testes aumentaram sensivilmente nas ultimas semanas, isso è otimo. As pessoas asintomaticas portadoras do virus sao muitas mais que as detectadas oficialmente.

O que interessa è a taxa de mortalidade por milhao de pessoas e considerado o nivèl tragico da saude publica brasileira essa taxa è muito baxa. O sistema nao entrou em colapso, ninguem deixou de ser atendido e as internaçoes nas cidades epicentros da epidemia estào diminuindo. O pico das internaçoes foi no fim de abril, começo de maio e a maioria das notificaçoes de obitos atuais sao daquele mesmo periodo, por tanto ainda teremos umas uma ou duas semanas com notificaçoes elevadas de obitos.

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