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Theófilo Rodrigues: Somos 70%, Frente Ampla e populismo de esquerda

Por Redação

03 de junho de 2020 : 13h28

 Por Theófilo Rodrigues


Neste domingo, um novo movimento tomou conta das redes sociais em todo o Brasil. Sob a insígnia #Somos70porcento, milhares de pessoas das mais diversas correntes de opinião política expressaram seu repúdio ao governo Bolsonaro. A bola de neve foi lançada despretensiosamente pelo economista Eduardo Moreira, que tinha apenas o objetivo de mostrar que, como indicam as pesquisas, 70% dos brasileiros estão insatisfeitos com o atual governo. Agora, o movimento cresceu e já não pertence a mais ninguém.


O que #Somos70porcento faz é concretizar na prática aquilo que tem sido chamado de tática da Frente Ampla. Há razoável consenso no campo democrático brasileiro de que o enfrentamento ao governo Bolsonaro – acusado de fomentar práticas fascistas – não pode ser empreendido apenas por uma Frente de Esquerda formada por partidos como PCdoB, PSB, PT, PDT, REDE e PSOL. Para o enfrentamento ao fascismo, Dimitrov ensinou, o conjunto de aliados precisa ser maior, precisa ser uma Frente Ampla.


Nesse sentido, o único critério para a participação na Frente Ampla é a concordância na oposição ao que representa o governo Bolsonaro. Ou seja, ela pode incluir desde o PSTU, na extrema-esquerda, até o PSDB na direita. Claro, desde que todos os atores políticos estejam dispostos a deixar momentaneamente seus programas máximos e projetos individuais em favor de um programa mínimo coletivo.


Por óbvio, há “Frentes amplas” e “Frentes amplas”. Como seu conteúdo, e seu arco de alianças, são construídos politicamente, seu sentido está em permanente disputa. Neste mesmo domingo, por exemplo, o jornal O Globo publicou editorial em que defendeu uma Frente Ampla para que a agenda econômica do governo saia da paralisia. Na proposta de O Globo, essa Frente ampla poderia incluir até mesmo o próprio Bolsonaro. Certamente uma coalizão bem diferente daquela que propõe o #Somos70porcento.


Ora, o tipo de articulação populista do #Somos70porcento pode ser o que há de mais inovador e concreto no sentido de uma Frente ampla pela democracia no Brasil. Como significante vazio, alarga a fronteira política do “nós” e demarca e isola como adversário o “eles” da elite bolsonarista. É seguir a lógica do populismo de esquerda, como propõe Chantal Mouffe. Trata-se da mesma lógica que Inigo Errejon sustenta na Espanha quando diz que a luta não é da esquerda versus a direita, mas sim dos de baixo versus os de cima. Ou, do Occupy Wall Street , quando diz que representam 99% contra 1%. Em síntese, trata-se de alargar a fronteira política pelo discurso.
 

Theófilo Rodrigues é pesquisador de Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UERJ

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14 comentários

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Sebastião Farias

04 de junho de 2020 às 22h40

Ôxente, Cafezinho, acho que meu comentário de ontem foi sensurado pelo moderador, será que escrevi o que não devia? Gostaria, se fosse possível, de saber por quê, já que imaginava que estava contribuindo com o tema. A resposta, se achar melhor, pode ser enviada para meu e-mail.
Sebastião Farias
Um cidadão brasileiro nordestinamazônida

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Vanderson

04 de junho de 2020 às 10h47

Eheh menina brilhante: http://www.youtube.com/watch?v=Cs3LpbBJeuI

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Edgar

04 de junho de 2020 às 08h55

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Celso

03 de junho de 2020 às 19h03

É bom que o sujeito saiba que marginais são eles que difamam as pessoas e as instituições com fake news e que usurparam o poder a fórceps com essa ferramenta digital odiosa.

Marginais são seus fanáticos apoiadores que agridem jornalistas e também enfermeiros em plena pandemia.

Terrorista é a Sara Winter e seu grupo medonho que fazem ato no estilo da Klu Klux Kan em frente à uma instituição democrática como o STF.

Terrorista é a sua trupe que ameaça ministros do STF.
Terrorista é a sua conduta enquanto esteve no exército.

A propósito, já que o Mourão compartilha do seu pensamento, o único jeito é cassar a chapa né.

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Charles

03 de junho de 2020 às 18h54

“Espero que esse movimento não cresça”
O movimento nem bem começou e esse demônio já está borrando as calças.
Idiota.
Mal sabe ele que esse tipo de declaração é uma senha poderosa para o movimento crescer. Ele certamente acha que todo mundo é covarde como ele. Vê a todos a sua imagem e semelhança.

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Celso

03 de junho de 2020 às 18h50

“Devo ter pegado esse vírus umas vinte vezes” .
Humm..
Deve ser por isso que o senhor custou a apresentar seus três exames de Covid. Inclusive, o ultimo é totalmente suspeito né.

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Paulo

03 de junho de 2020 às 18h39

Só até derrubá-lo, seria como o MDB da ditadura militar. O problema é o Centrão…

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Antenor

03 de junho de 2020 às 16h47

Depois do áudio que foi divulgado ontem com o presidente da Fundação Palmares chamando o movimento negro de escória maldita, filhos da p.. e falando em consciência negra ‘zero’, o mínimo que deveria ter acontecido é ele amanhecer exonerado cargo.

O problema é que Jonhy Bravo precisa manter naquele cargo alguém que possa destruir a consciência negra e representar o racismo do seu governo. Esse é o problema.

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Alexandre Neres

03 de junho de 2020 às 16h39

Com todo o respeito que merecem o Theófilo Rodrigues e o Eduardo Moreira, essa frente é igual coração de mãe, sempre cabe mais um. Pra que juntar pessoas pra dizerem truísmos como sou a favor da educação, sou a favor de que todos sejam tratados por bons médicos, sou a favor de saneamento básico para todos ou sou contra o câncer? Até no Juntos Juca Kfouri impôs um limite, fascista não entra, excluindo Sergio Moro. No Basta, Kakay cogitou de sair quando viu o nome do decano da Lava Jato. Estamos legitimando diversos apoiadores graúdos do Bolsonaro como Huck, Witzel, Doria etc. Esses movimentos serão instrumentalizados para purgarem os nomes dos ditos cujos, pseudodemocratas, bem como os que defendem a tunga dos direitos trabalhistas e o ultraneoliberalismo de Guedes, tais como Lobão, Marcelo Tas, Pondé, Roberto Freire, Kinta Katiguria, FHC e caterva. Iremos todos nos misturar aos porcos. Ao fim e ao cabo, vão todos esses mantenedores do status quo sair limpinhos e cheirosos, aparecendo no JN como os paladinos da democracia, ao passo que os oriundos da centro-esquerda que os legitimaram vão ser obliterados como de costume.

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Nautilus

03 de junho de 2020 às 16h00

Quem fez essa conta que deu 70%…a Dilma ?

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    Renato

    05 de junho de 2020 às 17h01

    Exatamente, foi Dilma ! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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chichano goncalvez

03 de junho de 2020 às 14h16

Se não constar o PCB, o partido mais autentico, não será uma frente ampla, será tipo: muda, para que nada mude. E a burguesia com a classe media puxa saco, junto aos mercenarios empresarios, acabarem novamente levando os lucros, para seus bancos na Suiça, ou nos esteites (E.U.) . É trocar a merda da quadrilha bolsonaro-nazi-fascista pela bosta da direita

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JOÃO LUIZ GARRUCINO

03 de junho de 2020 às 14h10

Planos com Corona: Salvar Capitalismo Financeiro Matar até 3 bilhões de pobres e impor governo do Deep State agora não mais oculto dos 1 % mais ricos
https://www.linkedin.com/pulse/planos-com-corona-salvar-capitalismo-financeiro-matar-garrucino/?fbclid=IwAR2eIQrq6-MroIGBqEUtGjcb423H0WTiYdUQ9Txr0b8aM_n91tx95VaSeX0

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Kleiton

03 de junho de 2020 às 13h36

70%…? Kkkkk

Se esticar muito chega a 40.

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