Live do Cafezinho: bate papo com o cineasta cearense Wolney Oliveira

O voto de Cid Gomes, as ameaças de privatização da água e os perigos da radicalização pequeno-burguesa

Por Miguel do Rosário

28 de junho de 2020 : 12h44

A votação do Novo Marco do Saneamento Básico serviu de mote para uma grande campanha de desinformação, produzida, por um lado, pela genuína preocupação com um patrimônio público tão sagrado, como a água, mas também por dois tipos de proselitismo bem menos nobres: um partidário, outro ideológico.

Esses proselitismos são perigosíssimos porque empobrecem o debate e, consequentemente, debilitam e distorcem o discurso autêntico em defesa da soberania nacional e de uma gestão pública e estatal dos serviços de água do país, o qual precisa, para se tornar convincente, estar embasado em dados objetivos e numa postura ponderada e razoável.

As fontes de água potável de qualquer nação soberana devem constituir um bem público, cujo proprietário final precisa ser toda a sociedade, através de seu órgão de representação máxima, o Estado.

Entretanto, não se pode confundir a propriedade da água com a sua gestão. Embora seja preferível, mil vezes, por motivos políticos, sociais e ambientais, que essa gestão seja pública e estatal, a captação, distribuição e reciclagem da água também podem ser tocadas por empresas privadas, como tem sido o caso em milhares de cidades no mundo.

As águas de Berlim e Paris, por exemplo, foram administradas por empresas privadas por mais de trinta anos, antes de serem remunicipalizadas recentemente.

As águas de Paris, que haviam sido entregues à iniciativa privada em 1985, voltaram a ser geridas por uma estatal (Eau de Paris), criada especialmente para esse fim, a partir do final de 2008, através da decisão de um prefeito socialista altamente aprovada pela população.

Até hoje, todavia, 75% dos serviços de água na França são geridos por duas empresas privadas, as gigantes Veolia e Suez, que aliás são líderes mundiais.

Em Berlim, os serviços de água foram privatizados em 1999, após problemas fiscais derivados da reunificação, a partir de uma iniciativa conjunta dos partidos social-democrata (SPD) e cristão-democratas (CDU). O resultado, porém, foi considerado desastroso por especialistas e pela população. Houve uma campanha popular e um referendo foi realizado em fevereiro de 2011, no qual mais de 600 mil berlinenses votaram em favor da remunicipalização (leia-se reestatização) dos serviços de água na cidade.

Na Inglaterra ainda sob a liderança de Margareth Tatcher, os serviços de água foram inteiramente privatizados a partir da década de 80. Somente a Escócia e a Irlanda do Norte ficaram de fora e mantiveram o controle estatal sobre a gestão da água. Mas a opinião pública britânica mudou bastante nos últimos anos. Uma pesquisa feita em 2017 mostrou que 83% dos eleitores britânicos defendem a reestatização de todos os serviços de água do país.

O caso mais curioso, do ponto-de-vista ideológico e político, foi a privatização parcial dos serviços de água em Havana, capital da comunista Cuba, onde o governo criou uma parceria público-privada entre a estatal INRH, a empresa Aguas de Barcelona (Agbar) e o grupo espanhol Martinon. Um detalhe: a Agbar é hoje controlada inteiramente pela francesa Suez.

Como prova de como as questões ideológicas frequentemente se tornam cinzentas no mundo real, as maiores privatizações de sistemas de água e esgoto se deram na também socialista China, a partir do longínquo ano de 1979.  Ainda hoje o governo chinês, comandado pelo Partido Comunista, estimula privatizações dos serviços de água no país, e as mais importantes cidades chinesas, incluindo sua capital política, Pequim, e sua capital financeira, Shangai, possuem sistemas de água geridos por empresas privadas.

Nos Estados Unidos, cerca de 70 milhões de americanos são servidos por empresas privadas de água.

Entretanto, os serviços de água no mundo desenvolvido ainda são administrados, majoritariamente, por estatais especializadas.

No Japão, por exemplo, o sistema é inteiramente público e estatal, embora o debate sobre privatização também aconteça recorrentemente por lá.

Esses são dados objetivos, e que nos autorizam a tirar algumas conclusões. A entrega de serviços de distribuição de água a empresas privadas não é nenhuma novidade, tampouco constitui uma dessas desgraças que apenas ocorrem nos lugares mais sórdidos do terceiro mundo. Hoje temos estudos e experiências bastante amplas para entender os riscos, vantagens e desvantagens de gestão privada de água.

Houve uma grande onda de privatizações a partir da década de 80, que reflui ao final dos anos 2000, embora as coisas não tenham voltado a ser como antes.

Vindo para o Brasil, a onda neoliberal também bateu com força por aqui, a partir da década de 90, e houve entrada maciça de capital privado nos serviços de água. Muitas cidades brasileiras hoje são servidas por empresas privadas ou mistas. O caso mais emblemático é a Sabesp, que hoje é uma empresa mista, embora ainda controlada pelo governo, que detêm 50% mais um pouco de suas ações.

 

Hoje, empresas privadas atendem 322 dos municípios brasileiros e respondem por 20% dos investimentos do setor, segundo informação da Associação Brasileira e do Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Água e Esgoto (Abcon e Sindcon), uma fonte sem nenhuma imparcialidade, porém, porque representa justamente os interesses das operadoras privadas

Essas informações são importantes de serem ditas porque o discurso de que o Marco do Saneamento “privatizou a água” é falso: a legislação brasileira já permite, desde muito tempo, que se privatizem os serviços municipais e estaduais de água.

De qualquer forma, vale a pena olhar o relatório da Abcon sobre a situação da água e das operadoras privadas no país, para ficarmos bem informados e participarmos do debate com um bom nível de embasamento.

O relatório, por exemplo, traz uma tabela comparativa do Brasil com outros países com níveis semelhantes de desenvolvimento, onde se vê que, de fato, estamos passando vergonha no quesito de acesso à água.

Como se pode verificar na tabela acima, estamos pior que a China, Chile, Marrocos e Iraque, países que, por razões naturais, tem problemas históricos de falta de água. Diante de nossos recursos hídricos infinitamente superiores, é uma coisa inacreditável!

Os partidos de oposição e seus respectivos militantes jamais serão levados a sério nesse debate se não oferecerem um projeto muito sólido em relação a esse problema. De onde virá o dinheiro para os grandes investimentos em infra-estrutura hídrica necessários para ajudar os mais de 100 milhões de brasileiros que hoje não tem acesso a rede de esgoto?

A crise do coronavírus caiu como uma bomba neste cenário. Primeiro pela crise sanitária própria do vírus. Como lavar as mãos sem água? Como evitar a disseminação do vírus por esgostos expostos? O Brasil já era um país com alto nível de letalidade por doenças relacionadas a falta de saneamento adequado. Com o Covid-19, a situação ganha ares ainda mais dramáticos. Em segundo lugar, teremos que lidar que a devastação das finanças de municípios e estados, que já começam a lutar para pagar o salário de seus funcionários. Não há perspectiva de nenhum dinheiro excedente para investir na melhora do saneamento.

Por outro lado, temos grandes fundos americanos e chineses abanando seus bilhões de dólares para nossos prefeitos e governadores, oferecendo investimentos justamente na área de saneamento, um congresso conservador, e um ministro da economia obcecado por uma agenda privatista.

Diante desse quadro, o mais inteligente a fazer é, naturalmente, apelar para uma tecnologia milenar: política. .

E como se faz política? Com inteligência, sabedoria e comunicação. Pesquisar muito, ouvir amplamente, comunicar-se com a linguagem apropriada diante dos vários públicos. Sem dogmatismos ou radicalismo, e não porque não seja importante, às vezes, fincarmos o pé em alguns dogmas e termos posições radicais sobre o que nos é mais caro, mas porque dogmatismo e radicalismo dificultam a construção do diálogo, e, portanto, constituem técnicas pobres para a indução de mudanças no pensamento do outro, e na transformação da sociedade.

Do jeito que parte da esquerda está se comunicando hoje no debate sobre água, a direita saberá facilmente taxá-la de amiga dos esgotos a céu aberto.

Daí partimos para um outro tema correlato. Ao invés de estudar a questão da água, a militância de esquerda entra num jogo de radicalismo vazio, repetindo clichês e rotulando qualquer um que não reza em sua cartilha como inimigo.

É assim que a esquerda pretende criar um movimento para derrubar Bolsonaro?

A tendência à radicalização da militância política, acentuada pela separação da internet em bolhas, é um fenômeno do qual os partidos e movimentos de vanguarda devem se afastar.

Em 1980, ao voltar do exílio, Leonel Brizola deu uma entrevista onde fez uma autocrítica sobre um erro político crucial da esquerda revolucionária dos anos 60. Segundo o gaúcho, que iria se tornar governador do Rio dois anos depois, a esquerda não deveria nunca perder a confiabilidade da classe média, e que, para isso, ele queria distância tanto do imperialismo quanto da pequena burguesia radicalizada.

Brizola – ele mesmo o admitia – era um intuitivo. De suas falas, pode-se extrair, porém, grandes lições de política e história. Essa é uma delas.

Afinal, não havia sido a classe média urbana, com seus jornais partidários e sua febril atividade intelectual, um dos sustentáculos mais importantes da revolução de 30 e de todas as conquistas nacionalistas testemunhadas até então?

Os movimentos de vanguarda de hoje – e sobretudo a militância trabalhista – deveriam seguir o conselho de Brizola. O trabalhismo sempre se caracterizou como uma terceira via entre o socialismo real e o capitalismo selvagem do terceiro mundo.

O voto do senador Cid Gomes (PDT-CE) no Novo Marco do Saneamento gerou uma confusão repleta de injustiças e desinformação. Cid Gomes foi um dos coordenadores de um acordo costurado com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e com o relator do projeto, Tasso Jereissati, para que alguns pontos críticos da nova lei, em especial aqueles que acarretavam risco de ônus aos mais pobres, fossem alterados.

O acordo, é bom enfatizar, foi costurado com todas as lideranças da oposição, que retiraram seus destaques, permitindo que a votação ocorresse sem obstáculos.

A tensão entre os partidos de oposição, por sua vez, reflete uma competição natural, necessária, democrática, no campo da disputa de projetos e ideias.

A formação de “militâncias” apenas é possível no ambiente de conflito perene que caracteriza um regime democrático. Em ditaduras, não há “militância”. Ou antes, apenas se autoriza um tipo de militância: aquela em favor do governo.

A crítica e a vigilância da militância em relação aos votos de parlamentares de seu campo político, portanto, é absolutamente necessária. Militância que não critica, que não vigia, que não cobra, não serve de nada. 

Entretanto, é preciso tomar alguns cuidados. As militâncias não apenas precisam estar alinhadas com as respectivas correntes de ideias que caracterizam os movimentos que elas defendem, elas também precisam tomar cuidado para não ser manipuladas por desinformação ou empurradas para posições sectárias e vazias. 

No caso da militância trabalhista, não faz sentido, a meu ver, que ela cultive um radicalismo que, além de ser contraproducente num momento em que precisamos ampliar o arco de apoios e alianças, não é coerente com a realidade objetiva do partido e do movimento do qual ela faz parte. Se é absolutamente desonesto, e até mesmo ridículo, dizer que o PDT “apoia a privatização” das águas, ou que é um partido de direita, também não seria correto afirmar que o PDT é um partido de esquerda radical, e como tal, radicalmente contra qualquer tipo de privatização ou parceria entre o setor público e o setor privado. 

Além disso, temos aqui uma armadilha especialmente maliciosa contra a qual a militância trabalhista precisará se precaver. Na guerra de posições entre o PT e PDT, hoje numa temperatura bastante elevada, os petistas procuram, de todas as maneiras, empurrar Ciro para a direita. Qualquer artifício é usado para esse fim.

Se o seu irmão, Cid Gomes, que liderou uma verdadeira revolução educacional como prefeito em Sobral, levando a cidade à posição de campeã nacional nesse quesito, e que nunca privatizou os serviços de água em suas administrações (Sobral e Ceará), opina que não há clima para impeachment neste momento (opinião com a qual o PT e Lula concordavam até poucos meses atrás, e que, convenhamos, é simplesmente realista), os petistas começam um movimento para criar uma narrativa segundo a qual Cid Gomes é “aliado” de Bolsonaro.

Com o novo Marco do Saneamento, foi parecido. Após ter se articulado contra o projeto, o PDT liberou a bancada, e o líder do partido, senador Weverton, votou contra. Cid Gomes, por sua vez, votou a favor, em função do acordo feito para melhorar uma lei que já contava com esmagadora maioria dos senadores. O que fazem os petistas? Começam imediatamente a vender a narrativa de que o PDT votou em favor da “privatização” da água. E que o PT foi “único” partido que votou contra a privatização da água. 

A militância trabalhista precisa ficar atenta a esses jogos.

A reação natural dos “ciristas”, então, é empurrar de volta, mas precisam tomar cuidado para não fazê-lo com tanta força a ponto de cair no erro infantil do esquerdismo.

Cid Gomes é um dos mais brilhantes e corajosos quadros políticos do país. Seu voto não foi em favor da “privatização da água” e sim em favor do melhor projeto possível nesse momento, após um acordo com as forças hegemônicas, para que a população mais pobre não seja prejudicada.

Já não basta vivermos uma gravíssima crise de lideranças políticas, agora queremos “cancelar” as poucas que temos?

Além disso, qual o sentido de tanto esforço para conquistar o centro político, tentando criar uma nova correlação de forças e uma nova hegemonia moral, e se refugiar num radicalismo sectário e raivoso na primeira adversidade? 

Como construir um processo de impeachment, ou ampliar a oposição, com essa postura?

As águas do Brasil não foram e não serão privatizadas. Elas permanecem sendo um patrimonio social e coletivo, pertencente a todos os brasileiros, e sob controle do Estado.

A luta, no entanto, nunca termina. Aprovado um novo marco de saneamento, do qual não gostamos, o próximo passo é aperfeiçoar a legislação, através de novas leis e eventualmente via judicialização, de maneira que o processo se dê da maneira mais positiva possível. Esse é o papel de uma oposição responsável, adulta, e genuinamente preocupada com o povo brasileiro.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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31 comentários

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Carlos Vinicius J. S.

28 de julho de 2020 às 04h17

embora já havia empresas privadas de água e saneamento básico, o que essa lei faz é simplesmente desamparar a competitividade das empresas estatais na hora de entrarem em licitações.
é óbvio que a empresa estatal que construiu TODO o aparato estrutural e já tem a mão de obra para tocar as atividades terá um custo mais alto de uma empresa privada que irá utilizar gratuitamente a estrutura herdada da estatal! ser liberal assim de obra pronta é fácil.
com algumas exceções, as empresas estatais do setor não tem os abusos salariais que se veem no judiciário, legislativo, etc. esse sistema do “voucher” do estado pagar para empresas privadas sempre saí mais caro na hora de verificar os tais “custos administrativos”

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Kevin

30 de junho de 2020 às 23h17

Pois bem, hoje o Cid também votou a favor do projeto de censura à internet. Tudo isso gera um passivo que vai custar caro ao CIro em 2022. O PT também já tem o seu passivo, e o avanço de Bolsonaro sobre o eleitorado do nordeste tem o potencial de reduzir o cachaceiro e seu partido ainda mais. O segundo turno de 2022 está sendo jogado no colo de Bolsonaro e Moro.

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helio

29 de junho de 2020 às 16h06

Kkkkk. Este blog deveria ser renomeado “A voz do Ciro”.

Entretanto, se você quiser ter uma voz neutra para traçar o perfil do Ciro, leia o artigo “A política de ódio de Ciro Gomes”, por Vivaldo Barbosa, brizolista e trabalhista histórico. Isto mesmo, o professor, advogado e ex-deputado constituinte, é um nome histórico do PDT.

Miguel, por favor, desta vez, não censure a minha manifestação, que seja respeitada a liberdade de expressão neste espaço, certamente democrático.

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    Ava Carminati

    14 de julho de 2020 às 20h11

    O cafezinho endireitou feio. Se dobrou às migalhas da elite econômica que financia Ciro Gomes, que sempre transitou em acordos escusos com os Bancos, rentistas, empresarios trilhardarios, na obscuridade. Seu principal destaque no programa de governo foi o projeto de oferecer aos cidadãos endividados empréstimo dos bancos a longo prazo. Uma beleza de projeto de economia popular! Nunca foi além de um falastrão de retórica de economês barato e achaques de valentias de coroné caricato. Ciro nunca teve luz própria , sempre esteve à sombra de alguém, de algum poder de direita ou de esquerda, tanto faz, desde que consiga algum protagonismo mesmo que medíocre. Agora vai jogar todas as fichas no Brisola. Ha quem se espelhe e se identifique. Sempre há.

    Responder

Cris Bezerra

29 de junho de 2020 às 13h49

Num caso, como o acontecido, de termos um Congresso conservador, como quem sabe, nunca antes, a esquerda vai ter que ficar aparando arestas. Que saibamos conduzir melhor as eleições a favor do povo.

Parabens, Cid Gomes!!!

Responder

Cristina Bezerra

29 de junho de 2020 às 13h48

Num caso, como o acontecido, de termos um Congresso conservador, como quem sabe, nunca antes, a esquerda vai ter que ficar aparando arestas. Que saibamos conduzir melhor as eleições a favor do povo.

Parabens, Cid Gomes!!!

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Oblivion

29 de junho de 2020 às 11h50

Concordo com a ideia central do texto. E fico triste, novamente, com o caminho que aqueles que se consideram os representantes legítimos da esquerda estão novamente nos levando. Se continuar assim, eles vão apoiar a candidatura impugnada do Lula até a vespera das eleições, dizendo novamente que eleição sem Lula é fraude. Eles passam do limite do toleravel, vejam só a materia “xford faz acordo com governo Bolsonaro, que tem pacto com a peste”, publicada num jornal, digamos, em consonancia com a cupula do partido. Então, imaginando que qualquer eventual acordo nao tenha partido de conversas entre a Oxford e uma (ou algumas) de nossas intituições de excelencia (fiocruz, butantan, usp), e sim do proprio ministerio da saude; por isso os “representantes legítimos da esquerda” prefiririam ver o povo continuar morrendo como moscas do que aceitar o acordo? Em minha opinião essa é mais ou menos a ideia do texto.
Por último, os partidos progressistas precisam se basear mais em exemplos, com certeza tem muitos municipios e alguns estados governados por pt, pdt, psb, pc do b, rede, e até pelo psol, por que nao se rodeiam de pessoas preparadas e criativas e toquem projetos transformadores no saneamento, urbanizaçao, bem estar social, etc?

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Andre

29 de junho de 2020 às 09h25

Que malabarismo teórico para defender os Gomes e o PDT , não é, meu filho…
De onde vc tirou que o projeto de lei vai garantir levar saneamento básico para localidades distantes e não economicamente viáveis segundo a lógica capitalista ?
Eles vão comer o filé. O osso continuará sendo osso. E sem água e esgoto.

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    Laucidio Rosa da Silva

    29 de junho de 2020 às 16h33

    esse cafrezinho tem cheiro de direita e sabor de ciro gomes tendencioso a muito tempo percebo isso esse gomes são podres como os bolsonaros, agora a eleição sem o lula foi uma fraude e sera fraude novamente

    Responder

Pablo

29 de junho de 2020 às 08h35

Fora de Pauta

PESQUISA DATAROLHA

BOLSONARO, O INCAÍVEL

OS PATOS ESTÃO DE VOLTA

O conceituado Instituto Datarolha fez uma pesquisa que mostrou que os eleitores brasileiros acham que Bolsonario só cairá quando o número de mortos pela covid-19 atingir a marca dos 4 milhões de óbitos no Brasil, ou então quando cada família paulista tiver perdido pelo menos um de seus entes queridos para o comunavírus.

E sob o argumento de que cada pessoa quer aproveitar o máximo o tempo que lhe resta de vida, o governador Doriana não só congelou o preço dessa margarina como abriu as portas de todos os barzinhos e inferninhos da LOCOMOTIVA do Brazil, para que as pessoas possam ir logo se acostumando com o intenso calor e barulho do inferno. E haja ônibus lotados!

Apesar do esforço do governador para atingir o mais depressa possível uma das marcas acima especificadas (afinal, ele também quer ser Presidente), a previsão é que nenhuma dessas condições será atingida a médio prazo, o que tornará Bolsonaro INCAÍVEL e reelegível em 2022.

O conceituado Instituto perguntou também qual a cor preferida dos eleitores para desfilar pela a Avenida Paulista num domingo ensolarado, e todos responderam AMARELA, a cor da luz do sol e dos patos da FIESP.

Responder

Miramar

29 de junho de 2020 às 00h46

Prezado Walsil, vi que você tem curiosidade em relação a posição de Ciro Gomes na questão da saúde. Recomendo que você leia seu novo livro, em particular a parte em que ele trata da necessidade da construção de um complexo industrial da saúde.

Responder

paulo werneck

29 de junho de 2020 às 00h41

Pode ser que uma empresa privada gere melhor a água. Pode ser que faça como a Vale do Rio Doce e colecione fracassos. Neste momento o Brasil enfrenta um governo criminoso e uma pandemia. A ,Dilma foi deposta sem crime e o Congresso não julga o colecionador de crimes. Apesar de morrerem mil brasileiros por dia o Congresso está decidindo algo no mínimo controverso e não prioritário. Mas você tem razão, o espaço é seu. Desculpe se venho ver sua opinião cada vez menos.

Responder

    LUIZ RODRIGUES

    29 de junho de 2020 às 00h15

    VALE A PENA PESQUISAR AMAZONAS QUE PRIVATIZOU

    Responder

Mario

28 de junho de 2020 às 23h54

Textao para justificar o injustificável.
Qual a necessidade de votar isso no meio da pandemia?
O neoliberalismo se aproveita de crises para se apropriar de fatias do Estado, veja-se A Doutrina do Choque.
Quem vai levar água aos 100 milhões de pobres sem abastecimento? Obvio que é o Estado. A iniciativa privada não investe se não tiver lucro. Do mesmo modo que se privatizar os Correios as localidades no meio da Amazônia ficarão desasistidas. O Cafezinho já foi melhor.

Responder

Paulo Dantas

28 de junho de 2020 às 21h14

O que já encheu o saco na esquerda unicórnia é que é um povo não nunca pensa em nada.
Resolvem as coisas (nas cabeças deles) tão rápido quanto os bolsonaros. Só frases de efeitos vazias.

Apoiado, Miguel.

Responder

Regis

28 de junho de 2020 às 20h48

Precisa avisar a Gleisi, também conhecida como a Damares do PT, bem como o DCM, 247, GGN, Fórum, e outros dessa fauna petelha.

Responder

Beleleu

28 de junho de 2020 às 19h58

“Cid Gomes é um dos mais brilhantes e corajosos quadros políticos do país”…menos please.

Responder

Jerson7

28 de junho de 2020 às 19h56

Coleta de lixo, agua e esgoto, luz, etc…em boa parte da Europa sao tocadas por empresas privadas ou parcerias publico/privada…o resto como sempre é ideologia xula, troglodita.

Responder

Hilux12

28 de junho de 2020 às 19h48

Se o Brasil fosse um lugar minimamente serio depois do que esse sujeito fez com a escavadeira deveria ser cancelado da vida publica para sempre e interrado num mar de vergonha sem antecedentes.

O partido nao ter tomado nenhuma atitude è sintoma claro do aparelhamento do mesmo pelos Coroneis Gomes.

O Congressa tambèm nem se comenta.

Ridiculo.

Responder

Vidal

28 de junho de 2020 às 15h23

Isso aí, Miguel.

Responder

Walsil

28 de junho de 2020 às 15h08

Quem se convencerá que ao abrir para a privatização (porque é essa a exigência implícita nas chantagens) será melhor neste momento para que depois, quem sabe, através da judicialização buscar adequar. O povo, o mais carente não conta como beneficiário do capital, é a realidade. É o Estado que tem a obrigação de cuidar dessas pessoas. Os próprios Gomes exemplificam o que fizeram sem necessitar privatizar, o que mostra a incoerência em apoiar esse marco. Daqui a pouco os Gomes estarão defendendo a privatização do SUS. Vai preparando outro texto justificativa.

Responder

Alexandre Neres

28 de junho de 2020 às 14h58

Não precisa ser muito arguto pra saber de antemão como o Miguel vai se posicionar sobre cada questão. Saudades do tempo em que ele fazia jornalismo. Pena que foi se enveredar pelo ramo das RP ou da publicidade e propaganda, não sei bem.

Eu, por exemplo, fui a favor do ato do Cid Gomes com a retroescavadeira. Em determinadas situações, acho necessário que pessoas ajam daquela forma. Só que o Miguel queria que a esquerda se solidarizasse com tal ato, apesar de ser atacada incessantemente pelo neotrabalhismo.

Outro ponto. Sou como o Cid Gomes e o meu prezado Alan C, contrário ao impeachment de Bolsonaro. Inclusive, acho que querer o impeachment neste momento em meio à pandemia é ser tão irresponsável quanto o próprio Bolsonaro, mesmo sabendo dos disparates que comete em sequência.Já com relação ao novo marco regulatório da água, sou contra. Um rolo compressor foi acionado para aprovar a toque de caixa, sem discussão prévia, num momento sui generis, com apoio do status quo, cujos resultados podem ser de certa forma previstos, como a privatização da água em lugares específicos, ao passo que a população desassistida continuará entregue ao deus-dará. As pessoas têm pontos de vista distintos sobre assuntos diversos, porém algumas são bem previsíveis.

Responder

    Redação

    28 de junho de 2020 às 16h34

    Alexandre, o que você entende como “jornalismo” não existe. Toda informação, interpretação e, sobretudo, opinião representa, obviamente, uma tomada de posição. Leia uma reportagem sobre guerra, em qualquer jornal do mundo, em qualquer época, e você saberá imediatamente de que lado o repórter está. A mesma coisa vale para a política.

    Isso é jornalismo real, e isso é sempre o correto e honesto a fazer. Se você “adivinha” minha opinião, é porque sabe que sou coerente, o que é um elogio.

    O que você está fazendo, com objetivo pueril de me ofender no que me é mais caro, na minha honra e minha independência, é criminalizar a política. Isso é um erro. E o lavajatismo é filho desse tipo de sectarismo e postura.

    Esse é meu blog, que eu criei, no qual trabalho duro há muitos anos, e no qual sempre procurei ser coerente e honesto em minhas posições. Tenho muitos defeitos, e meu estilo sempre foi esse, transparente demais talvez, a diferença é que antes vocẽ concordava com minhas posições e hoje não.

    Quero acreditar que tenho liberdade para escrever o que eu penso nele, já que ninguém é obrigado a vir aqui, e inclusive o preço que eu pago de estar – sempre – na contramão sempre foi alto.

    E sempre sofri acusações desse tipo, de gente acostumada ao jornalismo da grande mídia, que finge de isento e imparcial, mas não é.

    Obrigado e boa semana!

    Responder

    Alan C

    28 de junho de 2020 às 17h50

    Sim, Alexandre, apesar de entender que há crimes de responsabilidade suficientes para um afastamento, na tal condição política – que é o que manda – não há e provavelmente nem haverá.

    Sou contra impeachment pq penso que o povo deve saber votar, caso contrário vai ter impeachment sempre, e isso é muito ruim para uma democracia recente como a nossa, sem contar na instabilidade que isso causa em todos os sentidos. Qual investidor irá investir em um país cujo a eleição tem valor subjetivo?

    Outra razão é que, neste caso específico, tenho muito mais medo do Mourão do que esse retardado do bozo.

    E pra finalizar, que a extrema direita sangre até 31/12/2022 pro povo nunca mais repetir a m*rda que fez.

    Responder

      Beleleu

      28 de junho de 2020 às 19h42

      Cite um crime de responsabilidade possivèlmente sem invençoes, factoides ou papagaiadas ideologicas…basta um.

      Responder

      gaspar

      28 de junho de 2020 às 20h03

      Voces nao sao contra o impeachment, fingem de ser pois sabem que nao vai rolar…sejam menos ridiculos please.

      Responder

Igor

28 de junho de 2020 às 14h30

Boa análise. Mas senti falta da abordagem de um ponto importante, que foi o que me incomodou no voto do PDT: o uso do saneamento como bandeira de Ciro, em suas últimas entrevistas, para uma saída keynesiana de curto prazo para a profunda crise econômica que está por vir. Esse marco, ao facilitar a privatização da gestão dos recursos hídricos, não estaria na contra-mao dos planos desenvolvimentistas do pre-candidato Ciro? Se sim, não deveriam ter conversado antes?

Responder

Luis Campinas

28 de junho de 2020 às 13h42

Miguel, quatro matérias a favor do voto do Cid, que mudou de lado, assim como a posição do partido aos 45′ do segundo tempo, com uma justificativa estranha de louvor ao presidente da casa, aliás, que ele ajudou a eleger é Tasso junto é claro, contra um vídeo de esclarecimentos do Glauber se contrapondo a fala do Ciro, que ressalte-se, embora tenha se declarado, surpreendentemente, incapaz de opinar, o fez e pior, na ânsia do cooperativismo, desqualificou contrários. O maior partido de esquerda e com maior assento na Câmara, somados ao PC do B, PSOL e lideranças de expressão como Requião, não mereceriam que alguém fizesse um contraponto aqui?

Responder

    Redação

    28 de junho de 2020 às 16h35

    Que conteúdo você sugere? Poste aqui no comentário algum link.

    Responder

      Luis Csmpinas

      29 de junho de 2020 às 12h46

      Miguel, eu não tenho essa condição e ainda que tivesse, não daria o equilíbrio necessário. Vc sabe bem que existem pessoas ilustres e capacidadas que poderiam e podem fazê-lo é vc tem acesso a elas. Afinal, assim se faz o bom debate e não partindo da primicia que temos que justificar posições.. Até pq o “estranhamento” se justifica, pois se fosse algo tão “resolvido” o experiente Cid não teria surpreendentemente “descoberto a pólvora” aos 45′ é não avisado a todos. É mais, seu irmão “sem preparo”, desqualificando quem não mudou posição, passou a defendê-lo.

      Responder

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