Live do Cafezinho: o caso Samuel Borelli, quando a esquerda produz fake news

CNI/Ibope confirma declínio de Bolsonaro junto a classe média

Por Miguel do Rosário

24 de setembro de 2020 : 21h42

(Atualização: fiz um vídeo com alguns comentários adicionais. Assista abaixo).

A aprovação de Bolsonaro explodiu no Nordeste e nas camadas mais humildes da população, em virtude do Auxílio Emergencial.

Mas é uma lua de mel com data para acabar.

Quando esse apoio dos mais humildes e do Nordeste refluir, Bolsonaro ver-se-á sem a base que o elegeu e que vinha lhe apoiando no primeiro ano de governo, a classe média.

Neste setor, o apoio a Bolsonaro não parou de cair.

Ao mesmo tempo, agora está claro as limitações políticas dos programas de renda mínima.

Numa palestra recente, o ex-presidente Lula declarou: “Provamos ser barato cuidar dos pobres. Difícil é cuidar dos ricos”.

Na verdade, difícil é promover reformas estruturantes que mudem a vida de todos os brasileiros, de pobres a ricos. De fato, é relativamente fácil implementar programas de renda mínima, uma fórmula que o principal ideólogo do neoliberalismo, Milton Friedman, defendia em sua obra mais conhecida, Capitalismo e Liberdade.

Difícil é implementar reformas profundas na educação fundamental.

Difícil é reformar o sistema tributário, de maneira a termos um Estado com capacidade de financiamento para investir pesadamente em infra-estrutura, em saúde, em ciência e tecnologia, de maneira a reposicionar o país na divisão internacional do trabalho.

A explicação para a disparada da aprovação de Bolsonaro junto aos setores mais humildes da população é simples.

Com a pandemia e a suspensão temporária dos obstáculos ideológicos que criminalizavam despesas sociais, o governo passou a gastar cerca de R$ 50 bilhões por mês em auxílios emergenciais. O Bolsa Família custava aproximadamente R$ 30 bilhões por ano.

O impacto desse dinheiro no bolso dos mais pobres foi imediato e profundo, conforme revela pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje. Os números estratificados da pesquisa, usados neste post, podem ser baixados aqui.

No Nordeste, a aprovação de Bolsonaro explodiu para 45%, maior índice desde o início de seu mandato. Entre famílias com renda até 1 salário, a aprovação chegou a 48%, igualmente o maior índice da atual administração.

Por outro lado, o presidente nunca ficou tão mal junto a eleitores com renda familiar acima de 5 salários, segmento que era o que mais apoiava Bolsonaro após sua eleição: sua aprovação neste segmento chegou a bater em 63% em junho de 2019, foi caindo paulatinamente e agora chegou a 47%.

Entre eleitores com ensino superior, a aprovação caiu para 41%, menor índice desde o começo da nova administração.


Entretanto, é olhando a rejeição que se entende melhor a mudança no perfil do eleitorado.

A rejeição de Bolsonaro junto a eleitores com renda familiar até um salário tinha chegado a seu maior nível em dezembro, 61%, e agora em setembro de 2020, caiu para 46%, mesmo índice de abril de 2019.

Mas entre eleitores com renda acima de 5 salários, a rejeição a Bolsonaro chegou ao nível máximo, de 51%, o maior desde o início de sua administração.

A mesma coisa se dá entre eleitores com ensino superior, entre os quais a rejeição a Bolsonaro chegou a 55%, igualmente o maior índice da atual gestão.

Reiterando, a aprovação do presidente junto aos mais pobres tem prazo para acabar: assim que a população se der conta de que o auxílio emergencial chegou ao fim, a aprovação ao presidente tende a desabar junto às camadas mais humildes da população.

Como o prestígio de Bolsonaro se deteriorou irremediavelmente junto a classe média, o governo vai ficar órfão de apoio.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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28 comentários

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Justiceiro

25 de setembro de 2020 às 16h33

A poio que Bolsonaro está “perdendo” na classe média, não significa que esse apoio vá para o PT ou para o Cirão.

Pode ser que o cidadão diga que não está satisfeito com Bolsonaro, mas na hora de votar, se ficar Bolsonaro e Lula (ou Ciro), ele vota de novo no capitão.

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Tadeu

25 de setembro de 2020 às 13h08

Não discordo da análise, mas cabe também uma leitura alternativa: sabendo que já perdeu esse contingente – que é barulhento, mas ainda minoritário -, Bolsonaro pode perder qualquer medo que ainda tivesse de cair matando em cima deles, e tratorar alguma coisa na reforma tributária ou principalmente administrativa que tire dos “ensino superior” e “mais de 5 SM” para bancar a continuidade do auxílio em alguma forma. Assim ele mantém o apoio dos pobres, enquanto que a rejeição dos ricos já está precificada. A classe média de verdade, que ganha 2 ou 3 SM, não acompanha mais politicamente os ricos, mas sim o Zap Zap.

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barnabé

25 de setembro de 2020 às 13h08

A classe media é uma parte minima da populaçào brasileira que votou para bolsonaro sem saber porque e nao quer votar mais também sem saber porque….kkkkkkkkkkkkkkkkk

Perdeu o Povao jà era (Mano Brown)

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Vixen

25 de setembro de 2020 às 12h56

Continue assim que a oposiçào està dando certo…kkkkkkkkkkkkkkkkk

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Gilmar Tranquilão

25 de setembro de 2020 às 11h23

a clarre média não gosta de mula kkkkk

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    Hilux12

    25 de setembro de 2020 às 12h58

    Clarre ?? E’ dislexico mesmo o Tontolão…kkkkkkkkkkkkkkk

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    Justiceiro

    25 de setembro de 2020 às 16h26

    Não gosta de mula, e nem de ex-presidiário..

    Responder

Luiz

25 de setembro de 2020 às 08h00

A respeito do neoliberalismo, a pergunta que não quer calar é se o capeta acanhado permanece trocando gentilezas em direção à mesa de jantar, ou toma o rumo da porta de saída?

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    Jerson7

    25 de setembro de 2020 às 13h01

    Segure o esperneio que dia 31 de dezembro de 2026 tà longe ainda.

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Josafá

25 de setembro de 2020 às 07h01

A “classe média” (de verdade e não a do PT que tirou 5 trilhões de brasilerios, indianos e africanos da pobreza) nao existe no Brásil e nunca existiu…. não chega a 2 % da população e é com destaque a parcela mais idiota da população. São 4 metidinhos que se acham melhores que os outros mas quando abrem a boca ninguém consegue perceber o motivo.

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Arthur Fonzarelli

25 de setembro de 2020 às 06h50

Lendo uma “analise” dessa percebe-se que vocês vivem completamente desconectados da realidade da rua, vivem em algum Mundo paralelo…o tempo passa mas não aprendem de jeito nenhum.

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Kleiton

25 de setembro de 2020 às 06h44

Passado o medo inicial os brasileiros vieram percebendo que o “fique em casa” foi uma das maiores asneiras da história da humanidade e o Brasil não escapou disso.

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    Batista

    25 de setembro de 2020 às 12h09

    Pois é, “uma das maiores asneiras da história da humanidade”, combatida sem tréguas pelo ‘pandemônio desmiolado’ que nos desgoverna, visando impedir e impedindo, que fosse devidamente aplicada no Brasil, haja visto o liberou geral reinante, resultou até o momento que 14% de todos os mortos no mundo pela Covid são brasileiros, mesmo possuindo apenas 3% da população mundial.

    Suplantado apenas pela metrópole do ‘Trumpista’, que lhe serve de farol rumo, não solidário, aos rochedos, que com apenas 4% da população mundial, permitiu que entre todos os mortos pela Covid, 20% fossem americanos, apesar de maior potência econômica do planeta.

    Enfim, o negacionismo ruminante, replicado por medíocres adestrados e convictos, somados Metrópole e Colônia, mais de um terço (34%) de todas as mortes pela Covid no mundo, ocorreram nesses dois países que representam juntos, 7% da população mundial.

    De fato, “o Brasil não escapou disso” e pior, segue rumo ao ‘coração das trevas’, com imbecis “lemingues embriagados numa estranha infusão de egoísmo, hedonismo e açaí na tijela”, conforme os geniais LFV e Fernando Brito.

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Jerson7

25 de setembro de 2020 às 06h37

Quer dizer que os brasileiros se vendem por alguns trocados ?

É bastante estupido e superficial achar que seja só isso, por isso sofrerão muito ainda…

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Marco Vitis

24 de setembro de 2020 às 23h56

Parece que uma rejeição de Bolsonaro de 51% pela classe média é animador para os democratas. Só que não. A classe média tem acesso à informação e SABE quem é Bolsonaro. Um ladrão de $$$ público, mentiroso, amigo dos assassinos do Escritório do Crime, cultuador de um torturador como herói, sonha instituir uma ditadura militar, etc. etc. etc.
Quase metade da classe média é cúmplice de um fascista ignorante, violento, traidor. Triste, né ?
Nunca se pode esquecer que a imensa maioria dos alemães venerou Hitler.
Daqui a alguns meses, quando a força da tragédia econômica arrebentar com as doces ilusões, não sei o que será desse enorme espaço geográfico chamado Brasil. Nosso povo é ignorante e individualista.

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Paulo

24 de setembro de 2020 às 22h12

Só o gado apoia Bolsonaro incondicionalmente. O resto depende dos “paranauês”…

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    Germano

    25 de setembro de 2020 às 06h42

    Os metidinhos da classe media mais abestada como você que se acham melhores que os outros por terem chorado no berço da Chicco são os mais ridículos… não fazem média.

    Vocês ou nada é a mesma coisa.

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      Paulo

      25 de setembro de 2020 às 18h24

      Pô, cê só vem de turma, Sérgio Araújo? Rsrs, somados os de cima e de baixo, acho que só faltaram a Andressa, o Hilux 12, o Wellington, o Mustafá, o Monza 87 (que o Alan usa de vez em quando pra te zoar), o Botafogo e mais alguns de que não me lembro…

      Responder

    Belem

    25 de setembro de 2020 às 09h01

    Que presunçào hein Toalha….que arrogancia.

    Serà que vc nao està se achando demais…?

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    Ronei Silveira

    25 de setembro de 2020 às 09h05

    Apoia Bolsonaro quem quer tanto quanto nao apoia quem nao quer, muda a opiniao mas a sua vale quanto a dos outros…é a mesma merda, o mesmo gado, muda eventualmente sò o pasto, nada mais.

    Responder

    Gilmar Tranquilão

    25 de setembro de 2020 às 11h24

    Muuuu!!!! kkkkk

    Responder

      Hilux12

      25 de setembro de 2020 às 12h54

      Sofre de dislexia companheiro….? KKkkkkkkkkkkkkkkkk

      Responder

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