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Gustavo Castañon: A polarização morreu

Por Redação

29 de novembro de 2020 : 22h17

Por Gustavo Castañon

Recém apuradas as urnas se consolida a tendência do primeiro turno de derrota do PT e do bolsonarismo por todas as capitais. Tanto a direita quanto a esquerda, pelo centro, parecem ter novos protagonistas.

Ao vencer Recife, Fortaleza, Aracajú e Maceió, a bem-sucedida aliança PDT-PSB se consolida como a nova liderança do progressismo brasileiro. O PDT é o partido com maior número de prefeitos, vereadores e governados no campo, o segundo, o PSB. Mantendo a hegemonia no Ceará, o PDT, junto com o PSB que manteve a hegemonia em Pernambuco, oferecem uma base mais sólida para a candidatura Ciro Gomes em 2022. Ainda é necessário lembrar que esta aliança ensaiou frente ampla em BH com Khalil e em Salvador com ACM Neto, vencendo ambas em primeiro turno.

O PSDB continua o maior partido do país em número de governados, e a candidatura Dória em 2022 ganha força contra Huck e Moro. Partidos como o PP, o MDB e o PSD mostraram que a centro-direita despolitizada continua a maior força municipal do país.

Lula foi o grande derrotado das eleições. Teve que ser escondido da campanha até em seu estado natal, Pernambuco. Não apareceu lá para fazer campanha para Marília. Entregou a cabeça de Tatto na manhã da votação do primeiro turno em São Paulo. Tudo para depois ser diluído na propaganda de Boulos. Ainda assim, não adiantou. O PT, que disputava 17 cidades neste segundo turno, até quando escrevo este artigo, perdeu em 12. Não levou capital alguma.

O que é mais grave, no entanto, é o resultado das opções eleitorais do PT para 2022. Haddad se acovardou e não se lançou candidato em São Paulo, e o PT perdeu as eleições na capital para o Mamãe Falei, ficando em sexto lugar. Apostando em Boulos no segundo turno, um candidato no extremo do espectro político atual, colheu outro resultado desastroso. Flávio Dino viu o PDT se tornar o maior partido em prefeituras no Maranhão, e seu candidato no primeiro turno em São Luís não chegou a 10% dos votos. Apostando em Duarte no segundo, perdeu de novo, para o bolsonarismo, na capital do Guaraná Jesus. Ruy Costa perdeu no primeiro turno a capital para seu adversário ACM Neto e no segundo turno a segunda e a terceira maiores cidades da Bahia. Foi um desastre de proporções bíblicas.

No PCdoB o ambiente é de desolação. Perdendo Maranhão e Porto Alegre o partido se encaminha para um processo de fusão com o PSB por pura sobrevivência, não só política, mas mesmo física de seus quadros. A associação ao PT se mostrou mais uma vez tóxica. A derrota de Manuela no segundo turno, esperada por todos os políticos brasileiros há dois anos, mostra cruamente os limites da repaginação de uma candidata que vergou nos últimos anos a um discurso identitário e tentou o caminho de volta a um discurso universalista nas eleições. Casos semelhantes são os de Marília em Recife e Boulos em São Paulo.

A derrota do bolsonarismo é real, mas deve ser olhada com prudência. Seus candidatos demonstraram fôlego no segundo turno em eleições perdidas como Belém e Fortaleza. Venceram onde disputaram contra o PT, como em Vitória. O bolsonarismo se expandiu para o interior do Brasil. Em clara decadência, o poder político de Bolsonaro ainda pode ser suficiente para chegar ao segundo turno em 2022. E como vimos, se for contra um candidato do PT, pelo jeito, vencerá novamente.

É dever de todo brasileiro progressista fazer a autocrítica agora passadas as eleições. O bolsonarismo perdeu, mas a esquerda também. Só o PDT manteve seu tamanho, o PSB, o PT e o PCdoB encolheram. O trabalho em redes sociais do Boulos não nos fará mágica. A frente de esquerda não nos fará mágica. Se perdemos na maioria das capitais, imaginem no interior. Candidatos com a marca do PT não foram de novo a lugar algum esse ano. É a terceira eleição seguida de desastre. O PT não pode seguir com o crime continuado de seu hegemonismo, que está matando a pátria brasileira. Para salvar o país precisamos de um ato de grandeza de seus melhores quadros, ou, de tirar o PT da frente da porta de saída.

O Brasil está destruído, e entrará em chamas em 2021.

Vamos salvá-lo.

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11 comentários

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jose carlos rodrigues arana

30 de novembro de 2020 às 19h07

Censura Cafezinho? Que coisa feia!!!

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jose carlos rodrigues arana

30 de novembro de 2020 às 11h50

Já li muito artigo canalha, mas como esse, francamente. O cidadão que escreve que Lula ” não apareceu lá (Recife) para fazer campanha para Marília”, já demonstra isso.
O mundo inteiro sabe que Lula não saiu de seu apartamento em S.Bernardo desde o início da pandemia.

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Edibar

30 de novembro de 2020 às 11h25

Só um candidato do centro para a direita poderá derrotar Bolsonaro em 2022. A esquerda já era. Graças a Deus!

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Tiago Silva

30 de novembro de 2020 às 08h27

Não se pode confundir desejo com fatos. Claro que o PT saiu derrotado nessas eleições municipais, mas também todos os partidos que se intitulam de Esquerda também perderam: PC do B perdeu, PSB perdeu tanto em número de vereadores como em número de prefeitos, PV, Rede, PDT apenas fez uma eleição de contenção de danos (e quase perdeu em Fortaleza, apesar do apoio de Ciro e do Governador do PT que desde o começo preferiu ajudar o candidato do Ciro). Não se pode fechar os olhos que o Anti-Petismo ainda está muito forte, porém esse anti-Petismo levou pra baixo toda a Esquerda junto. Falar que PSB e PDT são maiores que PT em um contexto em que todos esses perderam para o avanço da Direita Pragmática (DEM/PSDB/MDB/PSD/PP/PL) ou até para o avanço da Extrema-Direita ideológica (crescimento do bloco Republicanos/Patriota/PSL/etc)… É miopia. Assim como é miopia não enxergar que os grandes vencedores (DEM/MDB/PP/PSD/PL/além de PSDB que continua forte principalmente em SP) foram vencedores com base na polarização do Anti-PT (independente de qual seja o candidato de esquerda que estivesse como contraponto, mas em alguns lugares foi uma Pseudo Esquerda que fez as vezes do Anti-petismo contra o PT, como o caso de João Campos anti-Petista e até se utilizando de discurso BozoNazista contra Mariana Arraes).

Não enxergar que na maioria das grandes cidades o resultado foi apertado e decorrente ainda dá polarização com o anti-Petismo (mesmo que o candidato de esquerda não tenha sido do PT) ou que nas pequenas cidades a elite local anti-petista não deu espaço pra esquerda…. Não enxergar isso é também miopia!

A exceção ficou com o PSOL em SP que soube quem eram seus adversários (Direita), soube fazer campanha no meio digital, soube conquistar corações da juventude, conseguiu equilibrar sua militància contra a militância do anti-Petismo e soube aglutinar a Esquerda (também inteligentemente no segundo turno, pois sabe que toda a esquerda deveria competir no primeiro turno por faixas/nichos específicos, por exemplo: PSOL/PC do B e Novo/MBL hj brigam pela juventude e classes altas; PT x BozoNazismo brigam nas faixas de pessoas mais humildes; PDT e PSB x Centro-Direita Fascista (PSDB/DEM/MDB/PP/Podemos/etc) na faixa de classe média…).

O Anti-Petismo de hoje pode ser entendido como uma analogia historica ao Anti-PTB que muitos do PSD embarcaram na época de João Goulart, capitaneados pela Direita da época. E tanto naquela época, como nessa época, existe a “Esquerda que a Direita gosta”!

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Nordestino

30 de novembro de 2020 às 08h08

O psb é progressista?…Depois do q aconteceu em Recife…De extrema direita…A partir de hj como petista prioridade número um derrotar Ciro e o psb..Se forem p o segundo turno..voto nulo… Dá o troco de 2018..e viajar..kkkk

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Nordestino

30 de novembro de 2020 às 08h05

Nosso papel como petista, derrotar Ciro em 2022… Prioridade número um…Se ele for por segundo turno…Pregar o votoO psb provou q nulo…

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MARCIO FRANCO

30 de novembro de 2020 às 02h42

O artigo deveria se apoiar numa análise científica. Curiosamente, o artigo, embora esteja postado num blog que se coloca no campo progressista, com excessão da conclusão, dá a impressão de ter saído, curiosamente, de algum blog bolsonarista. Parece que o discurso de ódio do bolsonarismo é, para alguns, contagiante como um vírus..

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MARCIO FRANCO

30 de novembro de 2020 às 02h31

Curioso o “artigo” acima. Retirando as considerações finais, as “análises” mais parecem saídas de algum desses blogs bolsonaristas. Muito curioso para um blog que se coloca no campo “progressista”.

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Sérgio da Matta

29 de novembro de 2020 às 23h30

Me trás pesquisas com Ciro Gomes acima de 20% de intensão de votos no 1° turno que a gente discute hegemonia eleitoral.

ps. PMDB foi por décadas o maior partido do país, com diretórios em quase todos os municípios, e jamais passou de 1 dígito qd lançou candidatos à presidência.

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Berê Ávila

29 de novembro de 2020 às 22h36

Só uma correção: o candidato do Bolsonaro em Vitória não era o delegado Pazolini, e sim o capitão Assumpção, que teve apenas 7% dos votos e ficou em quarto lugar com discurso idêntico ao de Bolsonaro, do tipo “vamos erradicar o comunismo” que obviamente foi rejeitado.
O delegado Pazolini claramente evitou semelhança com o bolsonarismo e adotou uma retórica mais de centro durante toda a campanha.

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cezar perin

29 de novembro de 2020 às 22h22

Vai falar isso vão dizer que o Ciro viajou para Paris

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