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Análise: O “país está quebrado” de Bolsonaro é camuflagem para aprofundar o arrocho fiscal

Por Gabriel Barbosa

06 de janeiro de 2021 : 10h03

Por Gabriel Barbosa

É óbvio, até mesmo para os mais incautos, que o Brasil não está quebrado como quis dizer o presidente Jair Bolsonaro.

Sim, a situação é muito delicada, mas o estado brasileiro é uma “instituição” permanente e que felizmente têm diversas saídas. Uma delas é a revogação do teto de gastos que subtrai metade de tudo que é arrecadado no Brasil.

Essa é a maior distorção que impede o investimento público em diversas áreas. Lembrando que austeridade fiscal é uma atitude responsável, pois garante a liquidez e o poder de investimento no país.

Porém, a Emenda 95 distorce essa lógica quando reserva metade do orçamento para o pagamento de juros e rolagem da dívida pública, constrangendo o investimento em áreas essenciais como Saúde, Educação e Infraestrutura.

Com o rombo nas contas do país liderado pelo governo Bolsonaro, está previsto para 2021 um déficit recorde de R$ 812,2 bilhões (11,3% do PIB) para todo o setor público. É daí, por exemplo, que o governo tentará negociar com o Congresso Nacional as “reformas” tributária e administrativa a lá Paulo Guedes.

E como o próprio Secretário da Fazenda, Waldery Rodrigues, assumiu recentemente, os possíveis ganhos serão aplicados no saco sem fundo da dívida. “A sucessão de déficits primários, no entanto, vai continuar”, disse na Câmara.

Na prática, o que Bolsonaro pretende manter e aprofundar é o arrocho fiscal e por isso, usa o velho argumento de que o “país está quebrado”. Além de chefiar um governo desastroso, Bolsonaro lidera o desmonte iminente do Brasil e o cenário que ele vai deixar para o próximo presidente será de terra arrasada.

Gabriel Barbosa

Jornalista com passagens pelo Grupo de Comunicação O POVO (Ceará), RedeTV! e Band News FM.

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5 comentários

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Luiz

07 de janeiro de 2021 às 08h39

Nem tudo que está oculto é verdadeiro. Por exemplo, Trump é a face oculta de Biden , Guedes é a face quase oculta de Bolsonaro. Tudo que é concreto também pode ser um fim. Queira-se ou não, a vida social está permeada pelas abstrações.

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JOHN JAHNES

06 de janeiro de 2021 às 23h41

CORRUPTO DO ANO e seu fiel sancho pança financeiro tropical, que é igual a ele, quebraram o BRASIL. Por muito menos que isso já vimos a Polícia prender gente honesta e inocente, só com acusação falsa.
PORQUE ELES CONTINUAM NO GOVERNO E DESTRUINDO UM POUCO MAIS TODOS OS DIAS?

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Batista

06 de janeiro de 2021 às 16h13

Arrocho fiscal necessário, diga-se de passsgem.
Quem mandou gastar mais do que se arrecada??

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    Anônimo

    06 de janeiro de 2021 às 21h32

    Batista jamais escreveria, “passsgem”, mas entendo, o fake fundiu a passagem pretendida com a pastagem do dia a dia, né?

    Responder

Alexandre Neres

06 de janeiro de 2021 às 10h53

Concordando com o teor da análise, quando vejo Bolsonero destilando suas imbecilidades, verdadeiros disparates a cara dele, sendo óbvio que qualquer um com o mínimo preparo para ocupar tal cargo jamais diria algo ao menos parecido, mas não se pode esperar isso do dito cujo. Daí fico a me perguntar cá com meus botões: se tem algum jabuti em cima da árvore é porque colocaram ele lá ou enchente, já que jabuti não sobe em árvore. Decerto, nada mais a calhar para as sandices do capetão do que a tal pinguela para o passado, incluindo no bojo o famigerado teto de gastos. O que não falta são farialimers dispostos a levar a cabo tal empreendimento do arrocho fiscal para agravar ainda mais os efeitos da crise pandêmica. A estes últimos o meu recado, parafraseando Tancredo Neves à época da instalação da ditadura, mostrando de 1964 para cá nada mudou no Congresso, ou melhor, se mudou foi para pior: “Canalhas! Canalhas! Canalhas!”

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