“A forma que ele tem feito política é a forma que eu não acredito. É da agressão, do ódio, do desrespeito à população.”
Camilo Santana resolveu reagir. O senador petista, ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação, avisou que não deixará mais sem resposta os ataques sistemáticos de Ciro Gomes, de quem é alvo diário há mais de três anos.
O recado veio no programa Sem Pressa, da UrbNews, na última quinta-feira, 25 de junho. Ciro hoje é pré-candidato do PSDB ao governo do Ceará e costura uma aliança com setores do bolsonarismo no estado.
Na dinâmica do programa, o apresentador perguntou se Camilo atenderia uma ligação de Ciro.
“Eu não atenderia.”
Em seguida, explicou:
“Há mais de três anos, ele todo dia resolve falar mal de mim. O meu estilo é o seguinte, se mexer com a minha honra, ele vai responder na justiça.”
Camilo afirmou que não pretende entrar no “jogo” de Ciro, mas deixou claro que vê no ex-governador uma forma deteriorada de fazer política.
“O meu debate será, vamos comparar. Vamos saber o que quem fez, quem tá fazendo, quem são os governos que entregam.”
A acusação de que Ciro faz política pela agressão tem lastro judicial. Em maio, a Justiça Eleitoral do Ceará o condenou por violência política de gênero contra Janaína Farias, do PT, hoje prefeita de Crateús, por chamá-la de cortesã e assessora para assuntos de cama quando ela assumiu o Senado como suplente de Camilo.
A pena de um ano e quatro meses foi convertida em indenização, e Ciro recorre. Em sua defesa, ele admitiu as falas e disse que o alvo real era Camilo, o que apenas confirma o método descrito pelo senador.
A entrevista foi ao ar no momento em que Ciro tenta reorganizar sua candidatura ao governo do Ceará em aliança com lideranças bolsonaristas.
A própria Veja registrou que Michelle Bolsonaro voltou a atacar Ciro após ele comparar Lula e Bolsonaro e negar apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência.
Camilo também foi duro ao tratar da mudança de lado do grupo de Ciro no Ceará.
“Quem mudou de lado não fomos nós. Eu sempre fui do lado do Lula, sempre fui do lado do Cid, que está do nosso lado. Eles que mudaram. Foram para o lado do Bolsonaro.”
Para ilustrar, o senador lembrou que Roberto Cláudio sempre foi opositor de Capitão Wagner e de André Fernandes, e que hoje todos se elogiam. O próprio Ciro atacava André Fernandes nas redes, e agora aparece ao lado dele.
A frase atinge o centro da contradição atual de Ciro.
Depois de passar anos atacando Jair Bolsonaro e seus aliados, o ex-governador agora tenta construir uma frente eleitoral com forças que representam o bolsonarismo no Ceará.
Camilo fez questão de separar adversário de oportunista. Disse respeitar quem é de direita e mantém a coerência, e reservar a crítica ao vai e vem por conveniência, em que alguém se diz de esquerda quando o governo é de esquerda e muda de lado quando muda o vento.
Camilo insistiu nesse ponto.
“Então quem mudou de lado não fomos nós, quem mudou de lado foram eles, que se aliaram com todos aqueles que eles criticaram a vida toda do bolsonarismo aqui no Ceará, hoje estão juntos. Em nome de que?”
A pergunta é politicamente devastadora porque coloca Ciro diante de sua própria trajetória recente.
O ex-governador tenta se apresentar como independente da polarização nacional, mas sua chapa no Ceará depende de alianças com o campo bolsonarista.
Em maio, Ciro chegou a dizer que Capitão Wagner e Alcides Fernandes teriam, no Senado, a tarefa de “colocar um freio nesse lado apodrecido do Supremo Tribunal Federal”.
Na entrevista, Camilo também atacou o legado de Bolsonaro no Ceará.
“Me diga uma ação, uma obra do governo Bolsonaro no estado do Ceará nos quatro anos que ele foi presidente. Não quero duas, quero só uma. Você não vai encontrar.”
O senador lembrou a postura de Bolsonaro na pandemia.
“Nós tínhamos, infelizmente, um presidente que era anti-vacina, que brincava com a vida das pessoas.”
Camilo foi ainda mais forte:
“Ao contrário, vai encontrar apenas um grupo que negava a vacina, que debochava das pessoas morrendo, que fazia brincadeira das pessoas morrendo, dizendo que era uma gripezinha, dizendo que quem tomasse vacina virava jacaré.”
Ao defender Lula, Camilo adotou o tom oposto.
“É impressionante a visão que ele tem de colocar o Estado a serviço das pessoas.”
O senador afirmou que vai dedicar suas energias à reeleição de Lula e de Elmano de Freitas.
“O que eu quero agora, e eu vou me dedicar muito, é a reeleição do presidente Lula por acreditar que é um grande presidente, que olha para as pessoas. O Brasil não pode ser entregue ao retrocesso.”
Sobre Elmano, Camilo ressaltou a dimensão humana da gestão.
“Porque governar é cuidar das pessoas. É importante fazer a obra, a estrada, mas é cuidar das pessoas.”
A defesa do governo estadual veio acompanhada de números.
Camilo afirmou que todos os indicadores do Ceará melhoraram nos últimos anos.
“Na educação, na saúde, na segurança, no emprego. Menor taxa de desemprego da história do Ceará. O estado é equilibrado.”
Os dados econômicos ajudam a desmontar a narrativa de Ciro de que o Ceará estaria quebrado.
Segundo o Ipece, com dados do IBGE, o PIB do Ceará cresceu 6,49% em 2024, contra 3,40% do Brasil.
Na indústria, o Ceará também teve desempenho superior à média nacional. O IBGE registrou crescimento de 6,9% da produção industrial cearense em 2024, contra 3,1% no Brasil.
Em 2025, o Ipece informou que o PIB cearense cresceu 2,87%, também acima do resultado nacional, de 2,3%.
Ou seja, Ciro tenta construir uma imagem de colapso que não combina com os indicadores oficiais.
Camilo ainda defendeu a gestão de Evandro Leitão, justamente o prefeito de Fortaleza que Ciro acusou de receber dinheiro do PCC. Citou o fim da taxa do lixo e a reabertura da Santa Casa de Misericórdia, com 240 leitos, como entregas concretas da nova administração.
Na segurança pública, Camilo reconheceu a gravidade do problema, mas rejeitou a pose salvacionista.
“Agora, todo ano querem usar esse tema como se eu sou xerifão e vou resolver o problema. Como se eu fosse o grande salvador da pátria, mentindo muitas vezes para a população.”
A frase também serve como resposta indireta à entrevista de Ciro à Veja, na qual o ex-governador prometeu procurar Estados Unidos, Israel e Mossad para sua política de segurança.
O senador também virou o tema contra os próprios adversários. Perguntou qual contribuição Ciro e seu grupo, todos com passagem pelo Parlamento, deram à segurança do estado, e contrapôs os números do atual governo.
Segundo Camilo, maio foi o mês de maior queda de crimes contra a vida na história do Ceará, com redução de 48% no estado, 73% em Fortaleza e 84% na região metropolitana.
Camilo defendeu integração nacional, Polícia Federal, Receita Federal, inteligência e coordenação entre os estados.
“Ninguém sozinho vai conseguir. Ninguém sozinho, estado nenhum sozinho vai conseguir resolver esse problema sozinho. É preciso ter uma coordenação nacional para poder enfrentar isso.”
Ao comentar eventual cooperação dos Estados Unidos, Camilo inverteu o argumento.
“E se os Estados Unidos quiserem ajudar? Não tem problema nenhum apoiar. Ele precisa começar a ajudar prendendo os nossos grandes chefes de organização criminal que estão morando lá.”


Adalberto Livre
26/06/2026
CIRO E CAMILO TUDO FARINHA DO MESMO SACO COMUNISTA BANDIDO
Maria Clara Lopes
26/06/2026
É preocupante ver duas lideranças que já foram aliadas se atacando dessa forma. Parece que a polarização virou um esporte nacional, independente do lado político. O eleitor que só quer ver propostas sérias acaba desanimando com esse circo montado.
Marcus Almeida
26/06/2026
Maria Clara, infelizmente essa briga só confirma o que a Bíblia já alerta: onde não há temor a Deus, o homem segue seus próprios interesses e acaba se devorando. Enquanto a esquerda se fragmenta em orgulho e acusações, nós, conservadores, buscamos união em torno de valores sólidos e propostas que respeitam a família e a liberdade.
Marcos Andrade Niterói
26/06/2026
Ciro perdeu o rumo faz tempo. Parece que confunde personalismo com radicalismo de esquerda, mas só serve pra fragmentar o campo progressista. Enquanto isso, Niterói mostra que gestão e diálogo transformam cidade — o metrô sob a Baía é prova disso. Cadê projetos sérios em vez de ataques pessoais?
Lurdinha Deus Acima de Todos
26/06/2026
Amém, Marcos, enquanto falam de metrô debaixo da baía eu só lembro que vão fechar as igrejas e ninguém liga, fala sério! 🙏🇧🇷😤
Marta Souza
26/06/2026
Concordo que esses políticos adoram criar cortina de fumaça com metrô e fechamento de igrejas, mas o verdadeiro absurdo é eles continuarem sugando nosso dinheiro com imposto e regulamentação. Enquanto não baixarem a carga tributária e pararem de interferir na liberdade do cidadão, igreja ou metrô é só desculpa pra nos distrair.
Márcio Torres
26/06/2026
Ciro Gomes e Camilo Santana trocando farpas é um daqueles episódios que revelam o pior da política brasileira: a substituição do debate de ideias por um ringue de egos. Não surpreende que Camilo, após anos de silêncio estratégico, tenha resolvido reagir. O que me intriga é a conveniência da memória seletiva: ambos são produtos do mesmo sistema político cearense, que por décadas combinou fisiologismo com retórica inflamada. Ciro sempre foi um animal político instintivo, que confunde agressividade com firmeza, e agitação com debate. Camilo, por sua vez, representa a vertente mais institucional e calculista do PT, que só ergue a voz quando o cálculo eleitoral permite. A acusação de que Ciro faz política com “ódio e desrespeito” é precisa, mas parcial; o problema não é apenas o estilo, e sim a ausência de um projeto coerente que vá além da personalidade.
A ironia é que, ao reagir com essa declaração, Camilo também joga o jogo da personalização. Em vez de confrontar Ciro com dados de gestão, propostas ou resultados concretos de seus mandatos, o senador petista optou por um ataque ad hominem disfarçado de defesa da civilidade. Ora, se o ódio e a agressão são realmente o problema, por que não rebater com evidências? Por que não apresentar um balanço de sua passagem pelo governo do Ceará ou pelo Ministério da Educação, e contrastá-lo com as críticas de Ciro? A resposta é simples: porque o eleitor médio responde melhor à briga de galo do que a planilhas de orçamento. A esquerda brasileira, infelizmente, aprendeu a falar a linguagem do entretenimento político, e esse episódio é mais um capítulo na novela semanal que mantém o eleitor distraído enquanto a pauta econômica e social apodrece.
Do ponto de vista científico-político, o que estamos vendo é a consolidação de um fenômeno que chamo de “competição de autenticidade”: ambos os políticos disputam quem é mais verdadeiro, quem sofreu mais, quem foi mais traído. Não há ali um centímetro de discussão sobre reforma tributária, transição energética, educação básica ou desigualdade regional. Ciro Gomes, com seu vocabulário de dicionário e sua pose de intelectual perseguido, capitaliza a frustração do eleitor que se sente traído pelo sistema. Camilo, com seu tom professoral e sua biografia de gestor, tenta capturar o eleitor que busca estabilidade e previsibilidade. No fim, ambos vendem a mesma coisa: identidade política, não soluções. E o eleitorado, refém dessa polarização de nicho, continua sem respostas para problemas reais.
O mais curioso é ver como essa briga expõe a fragilidade das alianças no campo progressista. Se Ciro e Camilo não conseguem conviver dentro de um mesmo espectro ideológico sem se digladiar em público, o que esperar de uma frente ampla contra o bolsonarismo? A resposta é: nada. Enquanto a esquerda gastar energia combatendo a si mesma, com base em ofensas pessoais e disputas de vaidade, a direita avança sem precisar articular um argumento coerente. Talvez seja mais honesto, para ambos, deixar de lado a retórica do “ódio” e admitir que o que os separa é ambição pessoal, não princípios. Mas isso exigiria um nível de autocrítica que a política brasileira, infelizmente, ainda não amadureceu para oferecer.
Carlos Menezes
26/06/2026
Márcio, você acertou em cheio ao chamar isso de “competição de autenticidade” — os dois tão mais preocupados em provar quem é mais legítimo do que em apresentar um projeto minimamente coerente pro país. O problema é que enquanto eles se digladiam, o eleitor fica refém desse teatro que não entrega reforma tributária nem educação básica, só entretenimento político de baixa qualidade. Mas me diz: será que algum dia a esquerda brasileira vai conseguir superar esse vício de personalizar o debate, ou a vaidade sempre vai falar mais alto que qualquer princípio?
João Santos
26/06/2026
Márcio, tu escreveu um textão bonito, mas no fundo é a mesma lenga-lenga: os dois são farinha do mesmo saco. Ciro é um tresloucado que acha que pode xingar todo mundo e Camilo é o político profissional que só aparece pra defender o próprio umbigo. Enquanto essa turma briga por poder, o povo honesto tá trabalhando e pagando conta, então bandido bom é bandido preso e político que não presta tem que ir pra casa também.
João Augusto
26/06/2026
A observação de Camilo Santana evoca a análise gramsciana sobre a crise de hegemonia: quando o consenso se desfaz, a fração dirigente recorre à coerção simbólica e à agressividade. Ciro Gomes, ao abandonar o diálogo programático e adotar o ataque pessoal, reproduz o que Marx chamaria de política kleinbürgerlich, desesperada por audiência. Benjamin, na “Crítica da Violência”, já alertava sobre os perigos de uma política que fetichiza o confronto como fim em si mesmo.
Helton Barros
26/06/2026
João Augusto, você cita Gramsci, Marx e Benjamin pra tentar dar verniz intelectual a um político que sempre foi um grosseirão metido a sabichão. Essa crise de hegemonia que você fala é a mesma crise de valores que permite a destruição da família e da pátria. Ciro é apenas mais um produto desse meio acadêmico podre que despreza o cidadão de bem.
Luisa Teens
26/06/2026
Amigão, solta um pouco do Gramsci e vai ver o planeta queimando, sério #ForaBolsonaro