Analista da Ideia fala sobre “voto útil” dos eleitores de Ciro a Lula no 1° turno

Xinhua

“Globalização à chinesa”. O aniversário de um discurso histórico. Por Elias Jabbour

Por Redação

17 de janeiro de 2022 : 08h50

Por Elias Jabbour, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Artigo produzido em colaboração com o Grupo de Mídia da China.

Desde sua fundação em 1945 a Organização das Nações Unidas (ONU) e suas famosas Assembleias Gerais foram palco de discursos agudos, históricos e definidores de um tempo. Não foram poucos os líderes dos países periféricos que utilizaram desta tribuna para denunciar os efeitos nocivos do imperialismo ao mundo. De Che Guevara à Fidel Castro. De Gamal Abdel Nasser à Jawaharlal Nehru. Todos fizeram história ao ocupar a tribuna da central da ONU. Por parte da República Popular, existem dois discursos marcantes. O de Deng Xiaoping em 1974 onde expôs as linhas gerais da chamada tese dos “Três Mundos” e Xi Jinping a 18 de janeiro de 2017 com o discurso “Construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade.

(Clique aqui para ler a íntegra do discurso – em inglês).

Na verdade, nesse pronunciamento histórico o presidente chinês aponta à humanidade o que eu chamaria de “Globalização à chinesa”. Uma globalização inclusiva, sob o império da paz e do desenvolvimento. O oposto da globalização exportada pelos Estados Unidos na década de 1990, caracterizada pela coerção econômica e militar de países e povos inteiros, utilizando-se de instituições como o FMI e o Banco Mundial para alcançar objetivos próprios. Trata-se da globalização da pobreza, da miséria, da violência e das guerras coloniais de novo tipo. A globalização que a China propõe tem sentido oposto e com um nome muito sugestivo: “comunidade de destino compartilhado”.

O discurso de Xi Jinping inicia-se tratando das incertezas do mundo. A resposta do chefe de Estado chinês está em perguntas: de onde viemos? Onde estamos agora? E para onde vamos? Após traçar um panorama dos últimos cem anos, o presidente chinês propõe uma síntese simples, mas aguda: “Nestes mais de cem anos, a aspiração comum da humanidade é a paz e o desenvolvimento. No entanto, ainda estamos longe de alcançá-los. Precisamos responder ao clamor do povo, tomar o bastião da história e prosseguir a maratona em direção à paz e ao desenvolvimento”

Passados cinco anos, o que inclui quase dois anos de plena pandemia, qual a importância deste discurso e como a China tem trabalhado para sua implementação em um mundo cada vez mais contraditório e perigoso? Em primeiro lugar, o exemplo. Xi Jinping faz questão de pontuar que a China saiu da condição de país muito pobre à segunda economia do mundo sem colonizar, explorar ou saquear outros povos. Isso é essencial em mundo marcado, ainda, por fortes e intensas guerras coloniais promovidas pelo imperialismo. Outro exemplo, mais concreto. A República Popular da China entrega ao mundo a prova histórica de que é possível um país eliminar a pobreza extrema apesar das difíceis condições demográficas, geográficas e econômicas. Milhões de adultos e crianças padecem de fome no mundo, mas nenhuma delas é chinesa!

A comunidade de destino compartilhado envolve a promoção da paz pela via do desenvolvimento. Não existe paz na miséria ou onde as condições ao desenvolvimento estejam presentes. A grande contribuição que a China dá ao mundo neste momento é ser a proponente de uma integração física, por terra e mar, do mundo inteiro, com a Iniciativa Cinturão e Rota, que atualmente conta com a participação de cerca de 140 países. A China abre grandes possibilidades de um “destino compartilhado” ao exportar bens públicos como estradas, ferrovias, portos e aeroportos. Elevando capacidades produtivas de países receptores, lança luzes à superação da miséria e do subdesenvolvimento a vários países.

Por fim, impossível não nos remetermos às práticas chinesas, suas lições e o que ela entregou ao mundo desde o início da pandemia. Enquanto países que promovem “encontros pela democracia” saqueavam navios com insumos médicos destinados a países pobres, a China não somente abasteceu a si e ao mundo de insumos de todo tipo, como teve a honra histórica de doar dois bilhões de doses de vacinas. A prática é o critério para verdade, já nos lembrava Mao Tsétung. A comunidade de destino compartilhado para a humanidade é uma prática política, e a governança chinesa demonstra ser muito mais eficiente do que a hipocrisia imperialista em torno de palavras de ordem vazias.

Os chineses sabem que o destino humano não pode ser apontado por uma única nação. O destino humano de um mundo compartilhado é uma tendência histórica. Os chineses ajudam a construir esse mundo não baseado em países fortes e fracos, grandes e pequenos e entre povos hígidos de um lado e doentes do outro. Eis a grande lição não somente do histórico discurso de Xi Jinping, mas da prática internacional chinesa como um todo, desde o nascimento da República Popular até os dias de hoje.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

4 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Saulo

17 de janeiro de 2022 às 13h59

Vai ser difícil ler algo que chegue perto de tamanha montanha de esterco nós próximos 20 anos…

Responder

Querlon

17 de janeiro de 2022 às 12h12

Enfiem a democracia e a globalizaçào chinesa no meio das nadegas.

Responder

Galinzé

17 de janeiro de 2022 às 12h08

Globalizaçào a Chinesa…? Kkkkkk

O esquerdismo a brasileira é um transtorno mental.

Responder

WILTON CARDOSO MOREIRA

17 de janeiro de 2022 às 09h25

O Jabbour caiu no canto de sereia Chinês. Antes dos EUA desbancarem a Inglaterra eles também propunham um mundo inclusivo e eram solidários. Quando se tornaram império agiram como tal. Todo estado é vigilante e paranóico e todo império é dominador.

Responder

Deixe um comentário

O Xadrez para Governador de Minas Gerais O Xadrez para Governador de São Paulo O Xadrez para Governador do Rio de Janeiro Novo Presidente da PETROBRAS defende preços altos Cadê o churrasco do povo, Bolsonaro? Preço explodiu! Conservadores? A atual juventude brasileira O Indulto sem Graça de Bolsonaro Os Principais Eleitores de Lula Os Principais Eleitores de Ciro Gomes Os Principais Eleitores de Bolsonaro