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Pesquisa da UFAC revela que mais de 10 mil mulheres sofreram violência doméstica em Rio Branco no último ano

0 Comentários🗣️🔥 Um levantamento inédito da Universidade Federal do Acre (UFAC) revelou que 10.494 mulheres com mais de 16 anos foram vítimas de violência doméstica em Rio Branco nos últimos 12 meses. O número equivale a 7,3% da população feminina adulta da capital acreana e expõe a gravidade de um problema que, em grande parte, […]

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Mãos se segurando em gesto de apoio, ilustrando violência doméstica. (Foto: g1.globo.com)
Mãos se segurando em gesto de apoio, ilustrando violência doméstica. (Foto: g1.globo.com)

Um levantamento inédito da Universidade Federal do Acre (UFAC) revelou que 10.494 mulheres com mais de 16 anos foram vítimas de violência doméstica em Rio Branco nos últimos 12 meses. O número equivale a 7,3% da população feminina adulta da capital acreana e expõe a gravidade de um problema que, em grande parte, permanece invisível aos registros oficiais.

Os dados integram a Pesquisa de Vitimização em Rio Branco, coordenada pelo professor Dr. Ermício Sena, da UFAC, e desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Estudos em Violência e Conflitualidade, liderado pela professora Dra. Marissol Brandt. O estudo ouviu 800 moradores de diversas regiões do município entre 24 de fevereiro e 6 de abril deste ano, traçando um panorama tanto da criminalidade quanto da segurança pública na cidade.

A subnotificação aparece como um dado alarmante: apenas 30% das vítimas registraram boletim de ocorrência, enquanto 70% não formalizaram denúncia. A pesquisa estima que 7.346 mulheres sofreram violência doméstica no período sem que o caso chegasse às autoridades, escancarando a distância entre a realidade das ruas e os números oficiais.

Conforme apurou o portal G1 ao divulgar o estudo, a Baixada da Sobral e seu entorno concentraram a maior incidência de casos: 9,6% das mulheres relataram ter sofrido violência doméstica nos últimos 12 meses. Em seguida aparecem o Centro e entorno (7,8%), Belo Jardim e Vila Acre (6,8%) e Tancredo Neves e São Francisco (6,1%). A zona rural não registrou casos na amostra pesquisada.

A faixa etária mais atingida foi a de mulheres entre 40 e 59 anos, na qual 10,7% declararam ter sido vítimas. O índice também foi mais elevado entre mulheres com ensino médio (8,8%) e fundamental (8,3%), além daquelas com renda familiar de até dois salários mínimos (7,7%).

Quanto aos tipos de violência, a psicológica foi a mais frequente, abarcando 60,2% dos casos — incluindo ameaças, humilhações, intimidações, controle financeiro e destruição de bens pessoais. A violência física correspondeu a 39,7% dos registros. Quando analisadas de forma detalhada, a agressão física lidera com 36,5%, seguida por ameaças ou intimidação verbal (20,6%), xingamentos e humilhações (20,6%), controle de dinheiro ou retenção de documentos (9,5%), destruição de objetos pessoais (9,5%) e abuso ou violência sexual (3,2%).

O perfil dos agressores mostra que metade dos casos foi cometida por ex-cônjuges ou ex-companheiros, enquanto 30% partiram do companheiro ou cônjuge atual. Pais, mães ou responsáveis aparecem em 10% dos registros. Somados, parceiros atuais e antigos respondem por 80% das agressões.

Apenas 29,9% das vítimas buscaram algum serviço de apoio do poder público. A descrença de que alguma providência seria tomada foi o principal motivo para não procurar ajuda (28,5%), seguida pelo medo do agressor ou de expor familiares (23,9%) e pela percepção de que a agressão não foi grave (23,8%). O relatório da UFAC destaca a necessidade de fortalecimento das políticas de prevenção, ampliação do acesso à rede de apoio e redução das barreiras institucionais e sociais que dificultam a denúncia.

A pesquisa também revelou que 18,4% das mulheres da capital acreana afirmaram já ter sofrido violência doméstica em algum momento da vida, o que representa uma estimativa de 26.450 vítimas ao longo da trajetória pessoal. Os resultados foram apresentados em seminário realizado na terça-feira, dia 16, no Plenário do Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC), com a presença de pesquisadores, gestores de segurança pública e representantes da sociedade civil.

A Polícia Militar do Acre disponibiliza canais diretos para denúncias de violência contra a mulher pelos números (68) 99609-3901, (68) 99611-3224, (68) 99610-4372 e (68) 99614-2935. O serviço 190 atende casos de risco imediato, e a Secretaria de Estado da Mulher recebe denúncias pelo telefone (68) 99930-0420.

Com informações de G1.

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