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Isenção do IR para salários até R$ 5 mil começa a valer e Lula destaca benefício para os trabalhadores

Os efeitos da nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de 2026 começaram a ser sentidos nesta semana por milhões de trabalhadores brasileiros. A partir dos salários pagos desde janeiro, com reflexo nos contracheques de fevereiro, quem recebe até R$ 5 mil brutos por mês passou a ter isenção total do imposto. Já […]

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RICARDO STCKERT/PR

Os efeitos da nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de 2026 começaram a ser sentidos nesta semana por milhões de trabalhadores brasileiros. A partir dos salários pagos desde janeiro, com reflexo nos contracheques de fevereiro, quem recebe até R$ 5 mil brutos por mês passou a ter isenção total do imposto. Já os contribuintes com renda entre R$ 5.001 e R$ 7.350 contam com redução gradual do valor retido na fonte.

Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, divulgadas pela Agência Brasil, cerca de 16 milhões de pessoas serão diretamente beneficiadas pela mudança. A nova regra vale para trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios, além de se aplicar também ao décimo terceiro salário.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou o início da vigência da medida nas redes sociais. Em vídeo divulgado na plataforma X, Lula afirmou que a isenção pode representar uma economia anual próxima de R$ 4,8 mil para parte dos trabalhadores. “Significa quase um décimo quarto salário”, disse. Segundo o presidente, a mudança é histórica e reforça a ideia de justiça tributária, ao garantir “mais comida na mesa, mais tranquilidade dentro de casa e dignidade”.

A medida já começa a alterar o orçamento de trabalhadores de baixa e média renda. O pedreiro Genival Gil, de 49 anos, morador do Distrito Federal, recebe pouco mais de R$ 2,7 mil mensais e aguardava o novo contracheque para confirmar a diferença. “Vai ajudar a pagar umas contas a mais da casa”, afirmou. Situação semelhante vive o jardineiro Arnaldo Manuel Nunes, de 55 anos, que ganha R$ 2.574 e pretende usar o valor antes descontado para arcar com despesas básicas como água e luz.

Apesar do impacto direto, parte dos trabalhadores ainda desconhece a mudança. A atendente de caixa Renata Correa, que recebe R$ 1.620 por mês, disse ter se surpreendido ao saber que não pagará mais imposto de renda. Seu plano é guardar o valor para emergências ou despesas futuras. Especialistas apontam que a falta de informação pode gerar dúvidas e insegurança nos primeiros meses de aplicação da nova tabela.

De acordo com o conselheiro do Conselho Federal de Contabilidade, Adriano Marrocos, a isenção e os descontos graduais serão aplicados automaticamente na folha de pagamento. “Quem tem emprego não precisa se preocupar, pois os cálculos são automáticos nos programas que geram as folhas. O trabalhador deve apenas conferir se o redutor adicional e o desconto simplificado foram corretamente aplicados”, explicou.

Para Marrocos, um dos desafios é melhorar a comunicação entre empregadores e empregados. Ele recomenda que empresas enviem comunicados explicando que não se trata de aumento salarial, mas de redução de imposto. A cozinheira Elisabete Silva Ribeiro dos Santos, de 48 anos, que ganha cerca de R$ 1,7 mil por mês, disse que só acreditará plenamente após ver o contracheque. “Eu acho excelente, mas vamos ver se vai valer mesmo”, afirmou.

Como forma de compensar a renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões, o governo criou o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), que passa a atingir contribuintes de alta renda. Desde 1º de janeiro, quem recebe acima de R$ 50 mil mensais (R$ 600 mil por ano) está sujeito a uma alíquota progressiva de até 10%. Para rendas superiores a R$ 1,2 milhão por ano, a chamada parcela dos super-ricos, foi estabelecida uma alíquota mínima efetiva de 10%.

Segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 141 mil contribuintes devem ser impactados pelo novo modelo. O contador Adriano Marrocos avalia que o efeito sobre a arrecadação tende a ser limitado. “A renúncia real está concentrada na faixa entre R$ 3.036 e R$ 5 mil, já que antes havia isenção até dois salários mínimos. Por outro lado, o governo passou a tributar rendimentos antes isentos, como lucros e dividendos”, explicou.

A mudança na tabela do IRPF não altera, por enquanto, as regras de dedução na declaração anual. Permanecem os limites de R$ 189,59 por dependente ao mês, desconto simplificado mensal de até R$ 607,20, despesas com educação de até R$ 3.561,50 por pessoa ao ano e desconto simplificado anual de até R$ 17.640.

O Ministério da Fazenda esclarece que os efeitos da nova tabela só aparecerão na declaração do Imposto de Renda entregue em 2027, referente aos rendimentos de 2026. Na declaração a ser apresentada em maio deste ano, relativa a 2025, não há mudanças. Além disso, a dispensa de entrega da declaração para quem ganha até R$ 5 mil não considera apenas o salário, mas também rendimentos isentos, tributados exclusivamente na fonte e o patrimônio declarado.

Especialistas recomendam atenção especial a quem possui mais de uma fonte de renda. Mesmo que cada rendimento individual seja inferior a R$ 5 mil, pode haver necessidade de ajuste na declaração anual. A orientação é conferir cuidadosamente o informe de rendimentos fornecido pelas empresas e os dados da declaração pré-preenchida da Receita Federal antes do envio.

Com a nova tabela, o governo aposta em aliviar o peso do imposto sobre a base da pirâmide de renda e reforçar a progressividade do sistema tributário. Para milhões de trabalhadores, o efeito imediato é mais dinheiro no bolso e maior fôlego para equilibrar o orçamento doméstico já nos primeiros meses de 2026.

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