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A humilhação de Trump — como a guerra no Irã rachou sua aliança com a direita europeia

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, subiu à tribuna do Parlamento nesta quarta-feira e rompeu publicamente com Donald Trump. Condenou o bombardeio à escola Shajarah Tayyebeh, que matou 175 pessoas em Minab, a maioria meninas, chamou o episódio de “massacre” e avisou que a Itália não cede suas bases para a guerra no Irã. Até […]

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Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália, discursa no Palazzo Chigi
Giorgia Meloni durante coletiva no Palazzo Chigi, em Roma (Foto: Mondadori Portfolio/Massimo Di Vita)

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, subiu à tribuna do Parlamento nesta quarta-feira e rompeu publicamente com Donald Trump. Condenou o bombardeio à escola Shajarah Tayyebeh, que matou 175 pessoas em Minab, a maioria meninas, chamou o episódio de “massacre” e avisou que a Itália não cede suas bases para a guerra no Irã.

Até semanas atrás, Meloni era a aliada mais próxima de Trump na Europa. A líder que ele chamava de “beautiful” em discursos, com quem mantinha afinidade ideológica e canal direto. Quando essa peça sai do tabuleiro, o isolamento fica difícil de disfarçar.

O ponto de virada foi o ataque de 28 de fevereiro. Segundo o New York Times, um erro de mira americano atingiu a escola, que ficava ao lado de uma base militar iraniana. As imagens dos funerais correram o mundo em horas. Fileiras de caixões pequenos, mães em desespero, pais carregando corpos em lençóis brancos. Viraram símbolo. E a pressão popular sobre os governos europeus se tornou insuportável.

Trump negou tudo. Disse que “não sabe nada” sobre o ataque e sugeriu que o próprio Irã seria responsável, versão que nem Pete Hegseth, seu secretário de Defesa, endossou.

Meloni fez diferente. Reconheceu o risco nuclear iraniano, mas enquadrou a ofensiva como intervenção “fora do escopo do direito internacional”. E ao exigir que qualquer uso de território italiano passe pelo Parlamento, travou a participação na guerra sem precisar dizer “não” diretamente a Washington. Deslocou a recusa para o terreno institucional, onde o veto vira consequência do processo, não afronta pessoal.

Segundo o La Repubblica, ela só soube dos ataques quando já estavam em curso. Nem foi consultada. Isso explica a dureza do discurso. Meloni está protegendo seu capital político num país onde Minab gerou comoção real.

Ela não está sozinha. Pedro Sánchez proibiu bases espanholas, disse que “não se responde a uma ilegalidade com outra” e recebeu de Trump a ameaça de cortar todo o comércio com a Espanha. Macron e o holandês Rob Jetten classificaram os ataques como contrários ao direito internacional.

Pela primeira vez em décadas, líderes de espectros opostos, da esquerda espanhola à direita italiana, convergem na mesma conclusão. E o que provocou essa convergência não foi diplomacia. Foram 175 caixões pequenos demais.

A tensão na aliança transatlântica não se via nesse nível desde a Guerra do Iraque em 2003. Com uma diferença. A dissidência agora não vem só da esquerda, mas do coração da direita aliada de Trump.

Meloni sentiu o vento mudando. E preferiu se adiantar a ser arrastada.

Com informações de Daily Beast, The New York Times, La Repubblica e ANSA

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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