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Embaixador iraniano na ONU diz que Ormuz permanecerá aberto e culpa EUA por crise

O embaixador do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, afirmou nesta quinta-feira (12) que o país não pretende fechar o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de petróleo. A declaração foi feita horas depois de o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmar que a via poderia […]

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Imagem: Gallo Images / Copernicus Sentinel 2017/ Orbital Horizon

O embaixador do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, afirmou nesta quinta-feira (12) que o país não pretende fechar o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de petróleo. A declaração foi feita horas depois de o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmar que a via poderia permanecer bloqueada como instrumento de pressão no conflito com Estados Unidos e Israel.

“Não vamos fechar o Estreito de Ormuz, mas é nosso direito intrínseco preservar a paz e a segurança nesta via navegável”, disse Iravani a jornalistas na sede da ONU, em Nova York.

O diplomata insistiu que o Irã continua comprometido com a liberdade de navegação na região e responsabilizou os Estados Unidos pela deterioração da situação de segurança no Golfo.

“A situação atual na região, incluindo no Estreito de Ormuz, não é resultado do exercício legítimo do direito de autodefesa do Irã. Pelo contrário, é consequência direta das ações desestabilizadoras dos Estados Unidos, que lançaram agressões contra o Irã e minaram a segurança regional”, afirmou.

As declarações ocorreram poucas horas após o primeiro pronunciamento público de Mojtaba Khamenei desde que assumiu o cargo de líder supremo do Irã, após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em um ataque realizado no início da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel.

No comunicado transmitido pela televisão estatal iraniana, Mojtaba defendeu a manutenção do bloqueio do Estreito de Ormuz como parte da estratégia de pressão contra os adversários de Teerã.

“Certamente ainda deve ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz”, afirmou o líder no discurso.

O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é considerado um dos pontos mais sensíveis da geopolítica energética mundial. Estima-se que cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente passe diariamente pela rota marítima. Qualquer ameaça de interrupção do tráfego na área costuma provocar impacto imediato nos mercados internacionais de energia.

Além da declaração do embaixador na ONU, autoridades iranianas reforçaram que navios estrangeiros ainda podem atravessar o estreito, desde que haja coordenação com a Marinha do país. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que a navegação continua possível apesar da escalada militar.

“Após os acontecimentos recentes, de forma geral não podemos retornar às condições anteriores ao dia 28 de fevereiro (início da guerra no Oriente Médio), pois entendemos a importância da segurança do Estreito de Ormuz, e o mesmo foi dito pelos demais”, declarou.

As declarações ocorrem em um momento de crescente escalada militar entre Irã, Estados Unidos e Israel. Desde o início do conflito, forças iranianas e aliados regionais têm lançado ataques contra posições americanas e israelenses no Oriente Médio.

No pronunciamento divulgado mais cedo, Mojtaba Khamenei também ameaçou atingir diretamente bases militares dos Estados Unidos na região. “Todas as bases americanas da região devem ser fechadas imediatamente. Essas bases serão atacadas”, afirmou no comunicado transmitido pela televisão estatal.

No mesmo discurso, o líder prometeu retaliar as mortes ocorridas durante o conflito e afirmou que o Irã continuará a buscar compensações pelos ataques. “Vamos exigir compensação do inimigo. Se não conseguirmos compensação, destruiremos suas propriedades tanto quanto eles destruíram as nossas”, declarou.

Khamenei também tentou minimizar possíveis tensões com países vizinhos do Golfo. Segundo ele, os ataques iranianos na região têm como alvo apenas instalações militares americanas. “Temos tido um bom relacionamento com todos esses 15 países vizinhos… atacamos apenas essas bases militares e continuaremos, teremos que continuar e continuaremos a fazê-lo”, afirmou.

O líder iraniano ainda não apareceu publicamente desde que assumiu o cargo. Autoridades e fontes diplomáticas indicam que ele teria ficado ferido durante o ataque aéreo que matou seu pai.

O embaixador do Irã no Chipre, Alireza Salarian, afirmou ao jornal britânico The Guardian que Mojtaba Khamenei foi atingido no mesmo bombardeio que matou o antigo líder supremo e outros membros da família.

A ausência de aparições públicas desde então tem alimentado especulações sobre seu estado de saúde, embora autoridades iranianas insistam que ele permanece no comando das operações políticas e militares do país.

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Lucas Allabi

Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab

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