A mídia ocidental, geralmente cúmplice dos esquemas de propaganda do imperialismo, desta vez se mostra notoriamente constrangida, dividida e até mesmo crítica em relação aos ataques americanos ao Irã. É a primeira vez que se observa tal fenômeno, um reflexo da incompetência da administração Trump.
Avolumam-se os relatos de que os Estados Unidos se complicam cada vez mais no conflito. Fontes da própria inteligência ocidental, sobretudo americana, vazam diariamente relatórios que apontam a impossibilidade de uma vitória militar. O establishment de inteligência, que já havia desaconselhado Trump a atacar o Irã, vê suas previsões se confirmarem.
Não apenas a inteligência, mas também os países árabes, imploraram para que Trump não iniciasse a agressão. Agora, os informes são unânimes: os EUA não conseguirão desbloquear o Estreito de Hormuz, não conseguirão derrubar o regime iraniano e, em suma, não alcançarão nenhum de seus objetivos declarados.
Relatórios de inteligência dos EUA indicam que a liderança do Irã permanece intacta e não corre risco de colapso, mesmo após quase duas semanas de bombardeios contínuos dos EUA e de Israel. Uma “multidão” de relatórios de inteligência fornece uma “análise consistente de que o regime não está em perigo” e “mantém o controle do público iraniano”, disse uma das fontes.
A coesão da liderança clerical iraniana se mantém apesar da morte do aiatolá Ali Khamenei, no primeiro dia dos ataques, em 28 de fevereiro. Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi declarado o novo líder supremo pela Assembleia de Especialistas, um grupo de clérigos xiitas de alto escalão.
Apesar de o presidente Donald Trump ter sugerido que encerraria “em breve” a maior operação militar dos EUA desde 2003, encontrar um final aceitável para a guerra pode ser difícil se os líderes linha-dura do Irã permanecerem firmemente entrincheirados. Os próprios objetivos da guerra parecem confusos, com Trump inicialmente incitando os iranianos a “tomar seu governo”, enquanto seus principais assessores negam que a deposição da liderança seja a meta.
Os ataques mataram dezenas de altos funcionários e alguns dos comandantes de mais alto escalão da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), mas os relatórios de inteligência dos EUA indicam que a IRGC e os líderes interinos que assumiram o poder após a morte de Khamenei mantêm o controle do país.
Fontes indicam que para derrubar o governo seria necessária uma ofensiva terrestre, algo que Trump não descartou, mas que complicaria ainda mais a posição americana. Enquanto isso, a pressão política interna sobre o presidente aumenta devido à alta dos preços do petróleo, consequência direta do conflito que ele mesmo iniciou.
Com informações da Reuters


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