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Inteligência dos EUA admite: governo do Irã não está em risco de colapso

A mídia ocidental, geralmente cúmplice dos esquemas de propaganda do imperialismo, desta vez se mostra notoriamente constrangida, dividida e até mesmo crítica em relação aos ataques americanos ao Irã. É a primeira vez que se observa tal fenômeno, um reflexo da incompetência da administração Trump. Avolumam-se os relatos de que os Estados Unidos se complicam […]

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Uma mulher segura uma imagem do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, ao lado do falecido líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, durante cerimônia fúnebre para os comandantes militares iranianos mortos nos ataques, em meio ao conflito EUA-Israel com o Irã, em Teerã, 11 de março de 2026. Majid Asgaripour/WANA via Reuters

A mídia ocidental, geralmente cúmplice dos esquemas de propaganda do imperialismo, desta vez se mostra notoriamente constrangida, dividida e até mesmo crítica em relação aos ataques americanos ao Irã. É a primeira vez que se observa tal fenômeno, um reflexo da incompetência da administração Trump.

Avolumam-se os relatos de que os Estados Unidos se complicam cada vez mais no conflito. Fontes da própria inteligência ocidental, sobretudo americana, vazam diariamente relatórios que apontam a impossibilidade de uma vitória militar. O establishment de inteligência, que já havia desaconselhado Trump a atacar o Irã, vê suas previsões se confirmarem.

Não apenas a inteligência, mas também os países árabes, imploraram para que Trump não iniciasse a agressão. Agora, os informes são unânimes: os EUA não conseguirão desbloquear o Estreito de Hormuz, não conseguirão derrubar o regime iraniano e, em suma, não alcançarão nenhum de seus objetivos declarados.

Relatórios de inteligência dos EUA indicam que a liderança do Irã permanece intacta e não corre risco de colapso, mesmo após quase duas semanas de bombardeios contínuos dos EUA e de Israel. Uma “multidão” de relatórios de inteligência fornece uma “análise consistente de que o regime não está em perigo” e “mantém o controle do público iraniano”, disse uma das fontes.

A coesão da liderança clerical iraniana se mantém apesar da morte do aiatolá Ali Khamenei, no primeiro dia dos ataques, em 28 de fevereiro. Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi declarado o novo líder supremo pela Assembleia de Especialistas, um grupo de clérigos xiitas de alto escalão.

Apesar de o presidente Donald Trump ter sugerido que encerraria “em breve” a maior operação militar dos EUA desde 2003, encontrar um final aceitável para a guerra pode ser difícil se os líderes linha-dura do Irã permanecerem firmemente entrincheirados. Os próprios objetivos da guerra parecem confusos, com Trump inicialmente incitando os iranianos a “tomar seu governo”, enquanto seus principais assessores negam que a deposição da liderança seja a meta.

Os ataques mataram dezenas de altos funcionários e alguns dos comandantes de mais alto escalão da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), mas os relatórios de inteligência dos EUA indicam que a IRGC e os líderes interinos que assumiram o poder após a morte de Khamenei mantêm o controle do país.

Fontes indicam que para derrubar o governo seria necessária uma ofensiva terrestre, algo que Trump não descartou, mas que complicaria ainda mais a posição americana. Enquanto isso, a pressão política interna sobre o presidente aumenta devido à alta dos preços do petróleo, consequência direta do conflito que ele mesmo iniciou.

Com informações da Reuters

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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