A irresponsabilidade de Donald Trump está causando sofrimento em todo o planeta. A desestabilização geopolítica semeada por sua administração agora cobra um preço alto, com pessoas enfrentando dificuldades para obter alimentos, o transporte de água se tornando mais caro e a inflação ameaçando a estabilidade econômica global. A Ásia, em particular, está sob forte tensão, dada a sua fortíssima dependência do petróleo que transita pelo Estreito de Ormuz, agora um ponto focal de conflito.
Neste cenário de crise, a Agência Internacional de Energia (IEA) emitiu um alerta sombrio na última quinta-feira: o mundo enfrenta a maior interrupção de fornecimento de petróleo da história, consequência direta da guerra no Oriente Médio. Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha de ataques aéreos contra o Irã, em 28 de fevereiro, o bloqueio do Estreito de Ormuz resultou em um corte de produção de pelo menos 10 milhões de barris por dia (bpd) somente nos países do Golfo, o que equivale a quase 10% da demanda mundial.
A IEA projeta que a oferta global de petróleo deve cair 8 milhões de bpd em março. Em resposta, a agência concordou em liberar um volume recorde de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas para tentar conter a escalada dos preços. Contudo, a própria agência adverte que a normalização da produção levará semanas, ou até meses, para ser alcançada, dependendo da complexidade dos campos de petróleo e do retorno de trabalhadores e equipamentos à região.
O impacto da crise vai além dos combustíveis, atingindo diretamente a cadeia alimentar global. Um ataque com mísseis iranianos a uma instalação de gás no Qatar, em 1º de março, paralisou a produção de amônia e ureia, fertilizantes essenciais para a agricultura. Como resultado, o preço da ureia no Sudeste Asiático disparou mais de 40%, superando os US$ 700 por tonelada.
Com a região do Golfo respondendo por 45% das exportações globais de ureia, o bloqueio do Estreito de Ormuz impede que entre 3 a 4 milhões de toneladas de fertilizantes cheguem aos seus mercados mensalmente. Países como Paquistão, Índia e Bangladesh, altamente dependentes, enfrentam um impacto severo. A Índia, um dos maiores produtores de fertilizantes nitrogenados, já reportou o fechamento de uma de suas plantas de amônia e a redução da produção em outras três.
A IEA alerta que a consequência mais provável é a queda no rendimento das colheitas em escala global, o que levará a preços mais altos para ração e alimentos, ameaçando a “produtividade agrícola e a segurança alimentar de milhões de pessoas”.


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