O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou em 2 de abril de 2026 medidas para proteger a economia brasileira dos efeitos da guerra no Oriente Médio, deflagrada pelos governos de Donald Trump (Estados Unidos) e Benjamin Netanyahu (Israel) contra o Irã.
Em entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, do Ceará, Lula classificou como mentira a alegação norte-americana de que o Irã possuiria armas nucleares. O presidente relembrou sua atuação diplomática em 2010, quando negociou com Teerã um acordo para enriquecimento de urânio com fins pacíficos, similar ao modelo brasileiro.
Lula afirmou: “Não vamos comparar com a política do Bolsonaro, porque não tem nada a ver. Nós temos uma guerra. Os Estados Unidos se meteram a fazer uma guerra desnecessária no Irã. Alegando o quê? Que lá tinha arma nuclear. Mentira”. O presidente destacou que os EUA e a União Europeia rejeitaram o acordo firmado durante seu mandato anterior.
A escalada militar ameaça a estabilidade econômica brasileira ao pressionar os preços de alimentos e combustíveis. Lula garantiu que o governo adotará todas as medidas possíveis para evitar que o conflito resulte em alta do feijão, alface, saladas e carne de bode no Nordeste, região mais vulnerável à inflação.
O barril de petróleo Brent registrou aumento superior a 50% desde o início dos confrontos, impactando diretamente o custo do diesel no Brasil. O país importa cerca de 30% do diesel consumido, enquanto os 70% restantes são produzidos internamente pela Petrobras.
Para conter a alta, o governo federal anunciou a redução de tributos federais como PIS/Cofins e negocia com governadores a diminuição do ICMS sobre combustíveis. Lula explicou: “As negociações com os governadores não serão impostas de maneira autoritária. A proposta é que União e estados compartilhem o custo da redução de impostos, com o governo federal arcando com metade”.
Em 1º de abril de 2026, Donald Trump afirmou que o conflito no Irã teria fim em duas ou três semanas, enquanto Israel intensificava seus ataques. A participação direta de Tel Aviv na ofensiva elevou a tensão geopolítica e reacendeu preocupações com o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de energia.
Segundo agências internacionais, a crise já afeta o mercado global de energia, com reflexos em cadeias produtivas e inflação em países dependentes de importações de petróleo. No Brasil, a estratégia combina medidas emergenciais com negociações federativas para evitar uma crise social.
Lula criticou a motivação política do conflito. “É uma guerra desnecessária, movida por cálculos que não consideram o sofrimento do povo”, afirmou. O presidente reforçou que a postura brasileira prioriza a soberania nacional e a proteção dos mais vulneráveis diante de uma crise global fora do controle da maioria das nações.