O advogado-geral da União, Jorge Messias, oficializou sua candidatura ao Supremo Tribunal Federal com uma mensagem enviada ao Senado. No documento, o indicado pelo presidente Lula detalha sua trajetória profissional e expõe valores pessoais, como a fé evangélica, em uma estratégia para conquistar apoio entre parlamentares conservadores.
Messias reforçou que cumpre os requisitos constitucionais de notório saber jurídico e reputação ilibada. No entanto, dedicou espaço considerável para destacar princípios que norteiam sua conduta: ‘Guiado pelos valores que me formam: a fé, a família, o trabalho, a ética no serviço público, a justiça e o amor ao Brasil’. A menção explícita à religiosidade sinaliza uma tentativa de aproximação com bancadas evangélicas e setores da direita.
Segundo agências internacionais, a carta enviada ao Senado destaca sua atuação à frente da Advocacia-Geral da União. ‘Minha experiência foi pautada pela defesa das instituições, pela segurança jurídica e pelo diálogo entre os Poderes’, afirmou. O texto também enfatiza a necessidade de distanciamento institucional e serenidade decisória, em resposta velada às críticas sobre sua proximidade com o Palácio do Planalto.
A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado ainda não tem data marcada, dependendo do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O adiamento estratégico reflete a incerteza sobre os votos necessários para aprovação. Messias foi indicado por Lula em novembro de 2025, mas a nomeação enfrentou resistência desde o anúncio, com parlamentares questionando sua independência para atuar no STF.
O relator da sabatina, senador Weverton Rocha (PDT-MA), já adiantou que apresentará parecer favorável. Rocha, que responde a investigações da Polícia Federal por supostas irregularidades em descontos no INSS, afirmou que o indicado atende aos requisitos constitucionais. ‘O cargo exige independência, imparcialidade e fidelidade à Constituição’, reforçou Messias na carta, em uma tentativa de dissipar dúvidas sobre sua capacidade de atuar com neutralidade.
A estratégia de combinar discurso técnico com apelos simbólicos revela a complexidade da disputa. Enquanto o governo Lula busca consolidar sua agenda de reconstrução institucional, a oposição no Congresso usa a indicação como mais um campo de batalha. Resta saber se a manobra será suficiente para garantir os 41 votos necessários no plenário do Senado, onde a polarização política segue como obstáculo.