Ministros do STF atuam como cabos eleitorais para emplacar Jorge Messias no Senado

O Supremo Tribunal Federal (STF) virou palco de uma articulação política inédita para garantir a indicação de Jorge Messias à vaga deixada por Luís Roberto Barroso. Ministros como André Mendonça e Kassio Nunes Marques, ambos indicados por Jair Bolsonaro, assumiram papel ativo na campanha, negociando diretamente com senadores para reduzir a resistência ao nome do atual advogado-geral da União.

Segundo a Folha de S.Paulo, o movimento mira especialmente a oposição e busca neutralizar o principal obstáculo: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Mendonça e Kassio intensificaram as conversas com parlamentares nos últimos meses, consolidando-se como pontes entre o STF e o Legislativo.

A estratégia inclui evitar que a indicação se contamine por disputas paralelas, como o caso Banco Master. O governo adiou por meses o envio formal da indicação, anunciada em 20 de novembro de 2025, para fortalecer a articulação política.

Alcolumbre, que defendia Rodrigo Pacheco para a vaga, tornou-se o alvo principal das negociações. Interlocutores de Messias afirmam que ele já conversou com 75 dos 81 senadores e pretende retomar o contato com todos, incluindo o presidente do Senado.

A justificativa técnica para apressar a sabatina é o desfalque no STF. Com apenas dez ministros desde a saída de Barroso em outubro de 2025, o tribunal enfrenta risco de empates, sobrecarga nos gabinetes e paralisia em processos estratégicos.

Esse argumento tem sido usado para pressionar senadores a não prolongar a análise do nome. Gilmar Mendes e Cristiano Zanin também participam da campanha, mas Mendonça e Kassio concentram esforços na oposição.

O perfil de Messias — evangélico, conservador em algumas pautas e experiente em negociações políticas — é apresentado como vantagem. Os ministros destacam sua capacidade de diálogo com diferentes setores, inclusive adversários do governo.

Em conversas reservadas, parlamentares manifestaram receio de desagradar Alcolumbre, reforçando a percepção de que o maior entrave não é o nome de Messias, mas a resistência do presidente do Senado.

A estratégia do governo e do STF é isolar essa oposição e garantir a aprovação sem aprofundar crises institucionais.

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