Cientistas ampliam descoberta de eletricidade gerada por plantas em fotossíntese

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 05/04/2026 21:41

Um avanço significativo na área de energia sustentável tem chamado a atenção de pesquisadores ao redor do mundo: a capacidade de gerar eletricidade a partir da fotossíntese realizada por plantas. Esse processo aproveita o fluxo de elétrons produzido durante a conversão de luz solar em energia química pelas plantas, sendo explorado como uma alternativa promissora para fontes renováveis.

A técnica baseia-se na captura desses elétrons por meio de eletrodos inseridos nas folhas ou no solo, transformando vegetais em pequenas usinas de energia.

De acordo com o portal Olhar Digital, um experimento recente com a planta suculenta Corpuscularia lehmannii demonstrou resultados concretos. Cientistas inseriram eletrodos nas folhas dessa espécie e conseguiram gerar 0,28V e uma fotocorrente de 20 µA/cm² sob luz, com potencial adicional para produzir hidrogênio simultaneamente.

Outro aspecto destacado é que cerca de 70% da matéria orgânica gerada na fotossíntese não é aproveitada pelas plantas, sendo liberada pelas raízes. No solo, bactérias decompõem esses resíduos e liberam mais elétrons, que também podem ser captados por eletrodos estrategicamente posicionados.

Iniciativas em diferentes países ilustram o alcance dessa tecnologia. Em Israel, pesquisadores transformaram a suculenta mencionada em uma célula bio-solar viva, um passo importante para aplicações práticas. Na Holanda, a empresa Plant-e, derivada da Universidade de Wageningen, realizou testes bem-sucedidos em uma área verde de apenas 15 m², gerando energia suficiente para carregar a bateria de um celular a partir de elétrons liberados pelas raízes.

No Peru, o engenheiro Hernán Asto desenvolveu um dispositivo de argila híbrida que capta eletricidade tanto da fotossíntese quanto da atividade bacteriana no solo, eliminando a necessidade de painéis solares ou baterias externas.

No Brasil, estudos também avançam nessa frente. Na UNESP, em Araraquara, pesquisadores trabalham em protótipos de células biofotovoltaicas baseadas em algas, buscando soluções eficientes para geração de energia. Já na Amazônia, a UFAM explora células solares sensibilizadas por corantes naturais extraídos de plantas como açaí e urucum, com custos estimados em 50% menos do que os de células de silício tradicionais.

Embora a implementação em larga escala ainda demande anos de refinamento, os custos de sistemas baseados em plantas podem ser até 70% mais baixos do que os de tecnologias solares convencionais. Dados recentes da Agência Internacional de Energia indicam que cerca de 775 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à eletricidade no mundo, número inferior às estimativas de uma década atrás, mas ainda expressivo.

Soluções como essas poderiam impactar diretamente comunidades rurais isoladas, integrando produção de energia a áreas agrícolas sem demandar espaço adicional. O progresso contínuo de experimentos em laboratório e em campo sinaliza um caminho viável para que plantações se tornem fontes de energia renovável no futuro.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.