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Founders Fund, de Peter Thiel, investe US$ 220 milhões em ‘coleiras solares’ que vigiam o gado na Nova Zelândia

0 Comentários🗣️🔥 O bilionário da vigilância global aposta na financialização do campo e na coleta massiva de dados rurais sob o pretexto de “agtech”. Startup passa a valer US$ 2 bilhões. A empresa neozelandesa Halter, responsável por desenvolver coleiras inteligentes com energia solar para vacas, anunciou a captação de US$ 220 milhões em uma rodada […]

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O bilionário da vigilância global aposta na financialização do campo e na coleta massiva de dados rurais sob o pretexto de “agtech”. Startup passa a valer US$ 2 bilhões.

A empresa neozelandesa Halter, responsável por desenvolver coleiras inteligentes com energia solar para vacas, anunciou a captação de US$ 220 milhões em uma rodada de investimentos (Série E). O movimento impressiona não apenas pelo volume, que dobra o valor da startup para o patamar de US$ 2 bilhões, mas pelo nome por trás do dinheiro: quem lidera o aporte é o Founders Fund, empresa de capital de risco de Peter Thiel, bilionário notório por fundar a Palantir, uma das maiores empresas de espionagem tecnológica do complexo industrial-militar dos EUA.

O produto central da Halter são coleiras equipadas com GPS, sensores comportamentais e emissão de som e vibrações. Através de um aplicativo de celular, o fazendeiro cria “cercas virtuais”, e a inteligência artificial (tecnologia que a modesta startup batizou de “Cowgorithm”) estimula o movimento do gado. Além do pastoreio remoto contornando a necessidade de cercas físicas, as coleiras colhem dados incessantes de comportamento, reprodução e “níveis de estresse” do rebanho.

No papel, trata-se de um facilitador de produtividade para fazendeiros cansados, prometendo maravilhas aos custos do campo. Na prática, contudo, é a expansão da “economia da vigilância” (surveillance capitalism) para a natureza e a consolidação do agronegócio hiperconectado, agora nas mãos de corporações do Vale do Silício.

Ao extrair e privatizar os mínimos dados de cada boi, os fundos de investimento não estão apenas automatizando o agro – eles estão tentando transformar latifúndios inteiros em imensas bases de dados para as “Big Techs”. O interesse de Peter Thiel neste setor escancara um novo flanco do agronegócio de vigilância: quem controlar o big data do campo definirá a soberania alimentar e as patentes produtivas nos próximos anos.

A startup já afirma ter vendido mais de um milhão de coleiras e mapear fazendas na Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos. Com essa nova enxurrada de milhões, o olhar agora se volta para a globalização da tecnologia, incluindo mercados europeus e, possivelmente no futuro, a América Latina.

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