O Banco de Brasília (BRB) concentrou expressivamente suas aquisições de carteiras de crédito no Banco Master durante os anos de 2024 e 2025. De acordo com informações obtidas pelo portal Metrópoles, de cada R$ 100 investidos pelo BRB na compra de carteiras, R$ 95 foram direcionados ao Banco Master, totalizando R$ 30,4 bilhões em ativos adquiridos nesse período.
Desse montante, R$ 25,1 bilhões foram aplicados em carteiras de crédito de varejo, com destaque para operações da Credcesta, que representaram a maior fatia das transações.
Além das aquisições diretas, o BRB realizou operações conhecidas como substituições, nas quais carteiras de crédito consideradas problemáticas eram devolvidas e trocadas por outras. Entre 2024 e 2025, o banco adquiriu 32 carteiras de crédito de diversas instituições financeiras, somando R$ 1,6 bilhão em valor total.
A preferência pelo Banco Master permaneceu clara, consolidando uma parceria comercial de grande porte. O Will Bank, banco digital ligado ao grupo Master, também se destacou como um dos principais vendedores nesse período, com a venda de cinco carteiras de crédito consignado garantidas pelo FGTS, totalizando R$ 358 milhões.
Considerando as operações com o Will Bank, o BRB investiu R$ 25,5 bilhões em carteiras vinculadas ao conglomerado liderado por Daniel Vorcaro, enquanto todas as demais instituições financeiras juntas receberam apenas R$ 1,2 bilhão.
Essa concentração de recursos no Banco Master chama atenção, especialmente porque uma tentativa de aquisição do Master pelo BRB foi bloqueada pelo Banco Central em setembro de 2025, embora detalhes sobre a decisão ou seu caráter definitivo não tenham sido amplamente divulgados.
Durante 2024, além do Banco Master, o BRB também focou em carteiras de crédito consignado com garantia do INSS, adquiridas principalmente da Facta Financeira e do Banco Pine. Já em 2025, o banco recomprou quatro carteiras de menor volume que haviam sido anteriormente vendidas ao Guardian Asset, demonstrando uma estratégia de ajustes em seu portfólio.
Esses movimentos revelam um padrão de priorização nas negociações com o Banco Master, que se manteve como o principal parceiro do BRB no mercado de carteiras de crédito ao longo dos dois anos analisados.
A escala dos investimentos realizados pelo BRB reflete uma aposta significativa em ativos de varejo e consignado, setores que demandam gestão cuidadosa devido aos riscos associados à inadimplência. O impacto dessa concentração de recursos em um único parceiro levanta questões sobre diversificação e exposição a riscos no longo prazo, especialmente em um contexto regulatório que parece ter imposto limites a uma integração mais profunda entre as duas instituições.