Como o jejum intermitente pode ajudar mulheres com ovários policísticos

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 06/04/2026 05:43

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma condição que afeta até 18% das mulheres em idade fértil e está associada a uma produção excessiva de hormônios androgênicos, como a testosterona. Isso pode resultar em irregularidades menstruais, obesidade e até infertilidade. Tradicionalmente, o tratamento inicial é feito com anticoncepcionais hormonais, mas eles podem ter efeitos colaterais negativos no humor, libido e metabolismo. Por isso, muitas mulheres buscam abordagens complementares que se encaixem melhor na sua rotina e no seu corpo.

Uma nova pesquisa, liderada por Krista Varady, professora de nutrição da UIC, investigou como o jejum intermitente, especificamente a alimentação com restrição de tempo, pode impactar os hormônios e sintomas em pacientes com SOP. Segundo o portal News-Medical, essa abordagem consiste em consumir alimentos apenas dentro de uma janela de seis horas por dia, jejuando nas restantes 18 horas. A pesquisa mostrou que essa prática reduziu os níveis de testosterona sem afetar negativamente os hormônios femininos.

O estudo, publicado na Nature Medicine, revelou que além da redução da testosterona, o método de alimentação com restrição de tempo também melhorou os níveis de A1C, um marcador de risco para diabetes. A pesquisa envolveu 76 mulheres pré-menopáusicas com SOP, que seguiram o jejum intermitente entre 13h e 19h diariamente, comparadas a um grupo que apenas contava calorias. Ambas as abordagens reduziram a ingestão calórica em cerca de 200 calorias por dia, levando a uma perda média de 4,5 kg em seis meses.

Embora o jejum intermitente não tenha melhorado outros sintomas da SOP, como a irregularidade menstrual, Varady sugere que esses sintomas podem melhorar com uma adesão mais longa à dieta e maior perda de peso. Além disso, cerca de 80% das participantes do grupo de jejum intermitente afirmaram que pretendem continuar com a dieta.

Este estudo representa um dos maiores esforços colaborativos do departamento de nutrição da UIC, envolvendo diversos professores e pesquisadores interessados na saúde feminina. A abordagem de jejum intermitente, além de ser uma forma mais simples de reduzir a ingestão calórica sem o complexo controle de calorias, oferece benefícios adicionais para mulheres com SOP, mostrando-se uma alternativa promissora e menos invasiva aos tratamentos hormonais tradicionais.

É importante ressaltar que qualquer mudança significativa na dieta, como o jejum intermitente, deve ser feita sob orientação de um profissional de saúde, especialmente para quem tem condições como a SOP. Consultar um médico ou nutricionista pode garantir que a prática seja segura e adequada às necessidades individuais.

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