O governo Lula prepara nova edição do Desenrola para renegociar dívidas. A proposta inclui descontos elevados e foco em famílias de baixa renda.
A iniciativa está em fase final dentro do Ministério da Fazenda e deve ser anunciada nos próximos dias. O objetivo é conter o alto nível de endividamento no país.
Segundo integrantes do governo, o novo programa pode oferecer descontos de até 90% para inadimplentes. A medida busca gerar efeito rápido no consumo e na economia.
A estrutura será diferente da versão anterior. O novo modelo pretende ser mais simples e direto, evitando etapas burocráticas que dificultaram o acesso no primeiro Desenrola.
A ideia é permitir renegociação diretamente com bancos e instituições financeiras. Isso reduz barreiras operacionais e amplia o alcance do programa.
Outro ponto central é o uso de garantias públicas. O governo avalia atuar como espécie de fiador para parte das operações renegociadas.
Segundo o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, o plano inclui “desconto amplo” e apoio estatal para evitar nova inadimplência após a renegociação.
Mesmo com abatimentos elevados, parte da dívida continuará sendo refinanciada. A diferença é que haverá juros menores e maior previsibilidade para o devedor.
O foco principal são famílias de baixa renda, especialmente aquelas com renda de até três salários mínimos. Esse grupo concentra grande parte da inadimplência no país.
O programa também deve atingir dívidas mais caras. Cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal estão no centro da estratégia.
Esse recorte não é aleatório. Essas modalidades concentram juros mais altos e são responsáveis por grande parte do endividamento das famílias brasileiras.
A primeira versão do Desenrola, lançada em 2023, já havia alcançado milhões de pessoas. O programa foi criado para reduzir inadimplência e facilitar acesso ao crédito.
Agora, o governo busca uma segunda fase mais eficiente. A meta é aumentar adesão e gerar impacto mais direto no consumo interno.
Para o Brasil, o efeito é econômico e imediato. Menos endividamento significa mais renda disponível para consumo, o que movimenta comércio e serviços.
Isso também afeta o crédito. Com menos inadimplência, bancos tendem a ampliar oferta e reduzir custo financeiro.
No plano macroeconômico, a medida funciona como estímulo indireto. Ao aliviar dívidas, o governo tenta reativar a economia sem aumentar gastos diretos.
O novo Desenrola se insere em um contexto maior. O alto nível de endividamento das famílias virou um dos principais freios ao crescimento.
A proposta, portanto, vai além de política social. É uma tentativa de destravar o consumo e sustentar a atividade econômica em um cenário de pressão interna e externa.