O tráfego marítimo no estreito de Ormuz registrou um aumento significativo, alcançando o maior nível em semanas.
Nos dias 4 e 5 de abril de 2026, 21 navios cruzaram suas águas, sendo 13 deles em direção ao mar Arábico. Esse número representa o maior fluxo em dois dias desde o início de março, período em que o tráfego na estratégica via marítima havia sofrido uma queda drástica.
O estreito, que conecta o golfo Pérsico ao golfo de Omã, é considerado um ponto crucial de controle para o Irã, que mantém domínio sobre a região com suas embarcações.
Apesar da predominância iraniana, o tráfego recente incluiu navios de diversas origens. Um petroleiro transportando petróleo iraquiano atravessou o estreito após Teerã conceder uma isenção especial ao Iraque, referido como ‘irmão’ pelo governo iraniano.
A Índia também marcou presença, com oito navios transportadores de gás liquefeito de petróleo (GLP) passando pela rota, sendo a primeira vez em anos que o país recebeu esse tipo de carga do Irã.
Além disso, dois porta-contêineres ligados à China, dois navios associados ao Japão, bem como embarcações com vínculos turcos, gregos e tailandeses, conseguiram transitar. O Paquistão, por sua vez, recebeu uma oferta de 20 vagas para retirar navios do golfo Pérsico, número superior ao de embarcações atualmente paradas do outro lado de Ormuz.
Embora o volume atual ainda esteja longe dos níveis anteriores ao conflito, quando cerca de 135 navios circulavam diariamente pelo estreito, mais países têm assegurado acordos de passagem segura com o Irã.
Após ações militares conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel contra território iraniano, a República Islâmica impôs restrições severas ao tráfego na região, declarando que não permitiria a saída de ‘nem uma gota de petróleo’ por mar. Essa medida contribuiu para a escalada dos preços dos combustíveis em escala global.
No dia 5 de abril de 2026, o presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu um ultimato a Teerã, exigindo a reabertura do estreito e ameaçando represálias severas caso a passagem não fosse liberada.
Em resposta, o governo iraniano afirmou que o estreito de Ormuz nunca voltará ao status anterior, especialmente para Washington e Tel Aviv, e anunciou estar elaborando um ‘novo ordenamento’ para o golfo Pérsico.
É importante esclarecer que as restrições impostas pelo Irã não configuram um bloqueio total, mas sim uma política seletiva, permitindo a passagem de navios de nações que negociaram acordos específicos com Teerã.
Enquanto isso, as hostilidades na região persistem, com relatos de confrontos no golfo Pérsico e ataques envolvendo mísseis sobre Israel.
Conforme apurado pelo portal RT, Trump tem alternado entre ultimatos e adiamentos em suas demandas sobre o estreito, mantendo a incerteza sobre os próximos desdobramentos.
Vale destacar a contradição nas posturas dos EUA, que frequentemente defendem a ‘liberdade de navegação’ enquanto mantêm histórico de intervenções militares no Oriente Médio, incluindo apoio a ações que resultaram na morte de civis e jornalistas em regiões como Gaza. A retórica de Washington sobre o estreito de Ormuz carrega, portanto, o peso de sua própria trajetória geopolítica.
A situação no estreito permanece um ponto de atrito global, com impactos diretos sobre o comércio de energia e a estabilidade na região.