O Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Laps) da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) lançou, no dia 10 de fevereiro, o fanzine LapsZine com o objetivo de ampliar o debate sobre economia solidária como estratégia de inclusão social no campo da saúde mental.
Pesquisador da Ensp/Fiocruz, Paulo Amarante, e a coordenadora do Laps, Ana Paula Guljor, são alguns dos profissionais da área presentes na publicação. A obra destaca algumas experiências nacionais de geração de renda e economia solidária e o impacto dessas iniciativas para a reforma psiquiátrica. As ações possibilitam que sujeitos excluídos pelo sistema passem a ter protagonismo. O material conta também com diversas indicações de livros e filmes sobre o tema, como As Loucuras do Rei Charles e Saúde Mental e Arte: práticas, saberes e debates.
Segundo Paulo Amarante, o fanzine é uma mídia mais jovem e ágil, muito utilizada para popularização de uma discussão: “No campo da ciência e política, é uma estratégia importante, porque penetra em camadas de segmentos sociais mais jovens na introdução do tema”.
Conforme conta o pesquisador, o Laps tem buscado estratégias para o debate da saúde mental, seja com a criação de sites ou de páginas na internet. O laboratório também possui o projeto Memória da Reforma Psiquiátrica no Brasil. A iniciativa reúne algumas camisetas para comunicar com a sociedade, com dizeres como “de perto, ninguém é normal” e “manicômio nunca mais”. Além disso, o laboratório desenvolveu o Enloucast, o podcast ‘fora da caixinha’, como mais uma forma de disseminação de temas sobre saúde mental.
O professor Paul Singer, um dos principais expoentes do conceito de Economia Solidária, reforça que a iniciativa não é somente uma estratégia de geração de renda para as populações excluídas do mercado de trabalho capitalista, mas uma alternativa de vida e de se pensar em economia com um fim político e na coletividade.
Segundo Amarante, a geração de renda é importante, mas a economia solidária vai além, pois promove pertencimento e inclusão social, configurando-se como uma estratégia fundamental no campo da saúde mental, especialmente por envolver pessoas historicamente excluídas e marginalizadas do convívio social. “Assim, torna-se necessária a ideia da economia solidária em segmentos como quilombolas, comunidades originárias indígenas e no campo da saúde mental”, complementa.
Fonte: Fiocruz.


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