A “nuvem” digital, apesar do nome leve, depende de uma estrutura física pesada formada por data centers que consomem enorme quantidade de energia e água. Cada acesso a redes sociais, streaming ou podcasts aciona uma cadeia de computadores, elevando o gasto energético global — hoje entre 1% e 2% da eletricidade mundial, com tendência de alta.
O avanço da inteligência artificial generativa intensifica esse consumo: uma consulta pode gastar até dez vezes mais energia do que uma busca comum. Tecnologias mais complexas, como geração de vídeos por IA, exigem bilhões de cálculos e tornam o custo ainda mais alto, o que levanta dúvidas sobre sustentabilidade.
Além da energia, o resfriamento dos servidores demanda milhões de litros de água por dia. A instalação dos data centers costuma seguir critérios econômicos, como energia barata e incentivos fiscais, muitas vezes ignorando impactos locais.
Embora energias renováveis e novas tecnologias tragam alguma melhora, elas não resolvem totalmente o problema. Especialistas alertam que reduzir o consumo digital — como evitar streaming excessivo e priorizar conteúdos baixados — também é uma forma importante de diminuir o impacto ambiental.
Datacracia
A coluna Datacracia, com o professor Luli Radfahrer, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 ; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP Jornal da USP e TV USP.
Fonte: Jornal da USP.