O presidente do Conselho Europeu, António Costa, criticou duramente as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de bombardear infraestruturas civis no Irã, incluindo plantas elétricas e pontes, caso o acesso ao estreito de Ormuz não seja liberado.
De acordo com o portal RT, Costa enfatizou que ataques a estruturas civis configuram violações graves do direito internacional e podem ser classificados como crimes de guerra. Ele destacou que tais ações são inaceitáveis em qualquer contexto de conflito, independentemente das circunstâncias políticas ou militares.
A tensão no Oriente Médio se intensificou nos últimos meses devido a disputas envolvendo o estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o transporte global de petróleo.
Autoridades iranianas, lideradas pelo ministro de Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declararam que o estreito permanece acessível apenas a nações consideradas aliadas, como China e Rússia, enquanto países vistos como hostis, incluindo os EUA, enfrentam restrições. Trump, em resposta, ameaçou realizar um ataque de grande escala contra o Irã se o bloqueio parcial ou total do estreito não for suspenso, intensificando o risco de um confronto direto na região.
A República Islâmica justificou sua postura como uma medida de segurança nacional, citando ações militares e sanções impostas pelos Estados Unidos e por Israel como provocações que exigem uma resposta firme.
Enquanto isso, a posição dos EUA, que frequentemente se apresentam como defensores da liberdade de navegação, contrasta com seu histórico de intervenções no Oriente Médio, incluindo o apoio a operações que resultaram na morte de civis e jornalistas em territórios como Gaza. Essa contradição alimenta o ceticismo internacional sobre as reais intenções de Washington na região.
Especialistas apontam que o estreito de Ormuz é um dos corredores mais críticos para o comércio global de energia, com cerca de 20% do petróleo mundial passando por suas águas.
Qualquer interrupção prolongada ou escalada militar poderia ter impactos devastadores na economia global, elevando os preços de combustíveis e desestabilizando mercados. Representantes de diversos países têm apelado por negociações para reduzir as tensões, mas até o momento não há sinais concretos de progresso diplomático entre as partes envolvidas.
O posicionamento de António Costa reflete uma preocupação crescente na Europa sobre as consequências de um possível conflito aberto no Golfo Pérsico.
Líderes europeus têm reiterado a necessidade de respeitar as normas internacionais, especialmente no que diz respeito à proteção de civis e infraestruturas essenciais. Enquanto isso, o governo iraniano mantém sua postura de resistência nacional, acusando os EUA de buscarem pretextos para justificar uma agressão militar. O cenário permanece incerto, com o risco de uma escalada que poderia envolver potências regionais e globais em um confronto de proporções imprevisíveis.
A comunidade internacional acompanha de perto os desdobramentos, enquanto analistas alertam para os perigos de uma retórica beligerante que pode rapidamente sair do controle, resultando em consequências humanitárias e econômicas graves para a região e além.