O Centro de Simulação Interdisciplinar de Práticas Forenses, que será inaugurado no dia 14 de abril, está vinculado à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto e reforça a formação prática em perícia ao integrar ensino, pesquisa, extensão, além de apoio a instituições públicas.
O campus da USP em Ribeirão Preto inaugura, no dia 14 de abril, o Centro de Simulação Interdisciplinar de Práticas Forenses, estrutura voltada à formação prática, à pesquisa aplicada e às atividades de extensão na área pericial. Vinculado ao curso de Química, com habilitação em Química Forense, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), o novo espaço foi concebido para aproximar a formação acadêmica das exigências concretas da atuação profissional.
O centro foi planejado para oferecer condições de aprendizado em ambientes que simulam situações reais de investigação e análise forense, com laboratórios especializados, salas de simulação e espaços destinados ao exame de evidências. O espaço também conta com um tanque de balística, equipamento utilizado para testes controlados com projéteis em ambiente seguro. “O centro responde a uma lacuna histórica na formação prática. A ideia é que o aluno não apenas compreenda os conceitos, mas saiba aplicá-los com rigor técnico e responsabilidade”, afirmou a docente do curso Aline Thaís Bruni.
Segundo a professora, o espaço também permitirá trabalhar de forma mais estruturada as etapas fundamentais da atuação pericial. “A coleta de vestígios é um ponto central na perícia, e o centro possibilita que o estudante aprenda e treine esses procedimentos de forma adequada, com os equipamentos necessários.”
A estrutura permitirá que diferentes disciplinas do curso utilizem o espaço de maneira integrada, ampliando as possibilidades de ensino. “Com os equipamentos disponíveis, diversas áreas passam a ser contempladas de forma mais prática, o que fortalece a formação do aluno ao longo do curso”, destacou Aline.
Além da formação de graduação, o Centro de Simulação Interdisciplinar de Práticas Forenses foi concebido como um ambiente de integração entre ensino, pesquisa e extensão. “O centro também se propõe a ser um espaço de pesquisa aplicada, capaz de gerar conhecimento e aprimorar práticas que serão utilizadas no cotidiano da perícia”, afirmou a docente.
O professor Celso Teixeira Mendes Junior ressaltou que a concepção do espaço partiu de discussões sobre a necessidade de ampliar o escopo das atividades práticas. “Uma das ideias que a gente discutiu foi justamente criar um ambiente que permitisse trabalhar diferentes cenários da perícia, de forma integrada, e não limitada a uma única abordagem”, afirmou.
Segundo ele, o centro também amplia as possibilidades de atuação junto à comunidade. “As atividades de extensão são parte importante do projeto, com oferta de cursos e treinamentos que podem contribuir para a formação continuada de profissionais da área”, disse.
O professor Bruno Spinosa de Martinis destacou que o novo espaço permitirá avançar em diferentes frentes da investigação forense. “O centro possibilita trabalhar com outras áreas da perícia, como estudos relacionados à decomposição, ampliando o campo de atuação dentro do ensino e da pesquisa”, afirmou. Ele também ressaltou o potencial de colaboração com instituições externas. “A estrutura pode oferecer apoio a órgãos como a polícia e o corpo de bombeiros, contribuindo para a qualificação de procedimentos e análises.”
A iniciativa também incorpora recursos que permitem novas formas de acompanhamento das atividades práticas. Segundo o professor Daniel Junqueira Dorta, o modelo adotado possibilita maior flexibilidade no ensino. “O professor e o aluno não precisam necessariamente estar no mesmo ambiente. É possível acompanhar como o estudante realizou a coleta de amostras para perícia e, se necessário, corrigir o procedimento”, explicou.
Em um cenário de crescente exigência quanto à qualidade das provas técnicas, o centro também dialoga com demandas institucionais mais amplas. “Estamos falando de um ambiente que contribui diretamente para a qualidade da justiça. A prova pericial, quando bem produzida, reduz incertezas e fortalece o processo decisório”, destacou Aline.
Outro eixo previsto é a ampliação das atividades de extensão, com cursos, treinamentos e ações voltadas à capacitação de profissionais já atuantes. “A proposta é que o centro também contribua para a formação continuada, ampliando o acesso às técnicas mais recentes e fortalecendo a atuação profissional”, afirmou a docente.
Com a inauguração, o curso de Química Forense amplia sua infraestrutura e consolida um espaço dedicado à formação prática, à pesquisa e à interação com a sociedade, reunindo ensino, desenvolvimento tecnológico e aplicação direta no campo pericial.
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Fonte: Jornal da USP.