O Brasil registrou um número recorde de empresas em recuperação judicial ao longo de 2025, de acordo com levantamento divulgado pela Serasa Experian.
No total, 2.466 empresas recorreram a esse mecanismo para reestruturar suas dívidas, o que representa um aumento de 13% em comparação com 2024, marcando o maior patamar da série histórica da instituição.
Entre os setores mais afetados, o agropecuário lidera com 743 empresas em recuperação judicial, equivalente a 30,1% do total.
Em seguida, aparecem os setores de serviços, com 739 empresas, comércio, com 535, e indústria, com 449.
Camila Abdelmalack, economista-chefe da datatech da Serasa Experian, destacou que o setor agropecuário sofre com riscos climáticos e biológicos, além de oscilações nos preços de commodities e insumos dolarizados, fatores que intensificam a instabilidade financeira dessas empresas.
Os pedidos formais de recuperação judicial somaram 997 ao longo de 2025, um crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior.
Esse número, distinto do total de empresas em recuperação ativa, reflete novos processos iniciados no período.
As altas taxas de juros e o aumento da inadimplência têm pressionado as companhias, levando muitas a buscar a recuperação judicial como alternativa para evitar a falência.
Esse mecanismo permite a renegociação de dívidas e a apresentação de um plano de reestruturação, mantendo as operações e preservando empregos enquanto as empresas tentam se recuperar.
Os dados foram publicados pela Serasa Experian no início de 2026, conforme relatório oficial do portal, e apontam para um cenário de dificuldades econômicas persistentes.
Especialistas da instituição reforçam que a combinação de endividamento elevado e custos operacionais crescentes tem impactado especialmente pequenas e médias empresas, que representam uma fatia significativa dos pedidos.
A análise também indica que, sem medidas de alívio financeiro ou redução de taxas de juros pelo Banco Central, o número de recuperações judiciais pode continuar a crescer nos próximos meses.
Outro ponto levantado pelo relatório é a distribuição geográfica dos casos.
Regiões com forte presença do agronegócio, como o Centro-Oeste e o Sul, concentram grande parte das empresas do setor agropecuário em recuperação.
Centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro registram maior incidência no setor de serviços e comércio, reflexo da pressão econômica em áreas densamente povoadas.
Esses números revelam como os desafios econômicos afetam diferentes segmentos e regiões de maneira desigual, exigindo soluções específicas para cada contexto.
A escalada nas recuperações judiciais acende um alerta sobre a saúde financeira das empresas.
Autoridades econômicas e representantes do setor produtivo têm debatido a necessidade de políticas de crédito mais acessíveis e incentivos fiscais para mitigar os impactos.
Enquanto isso, as empresas continuam a enfrentar um ambiente de incertezas, com a recuperação econômica ainda distante para muitos segmentos.
Com informações de metropoles.com.


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