Menu

Editorial: Sob a complacência da mídia ocidental, Trump entra em modo “full” nazista

0 Comentários – Participe do debate! 🗣️🔥 Um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã foi anunciado. Mas cessar-fogo não é paz. É somente uma trégua precária, uma pausa tensa entre explosões. O silêncio que vem depois não traz reconciliação — apenas o torpor de uma humanidade atordoada diante do abismo. Nada disso absolve […]

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
trump, irã, geopolítica, estreito de ormuz, crise internacional
Especialistas apontam possível violação das Convenções de Genebra diante de ameaças a estruturas essenciais à população civil / Reprodução

Um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã foi anunciado. Mas cessar-fogo não é paz.

É somente uma trégua precária, uma pausa tensa entre explosões. O silêncio que vem depois não traz reconciliação — apenas o torpor de uma humanidade atordoada diante do abismo.

Nada disso absolve Donald Trump. Nada apaga o que ele disse, o que fez e o que autorizou.

Trump já inscreveu seu nome na história como uma das figuras mais desumanas e perigosas do nosso tempo. Há muito a humanidade não ouvia, da boca de um chefe de Estado, palavras tão cruéis, tão impregnadas de ódio, de arrogância imperial e de desprezo pela vida humana. Seu discurso ressuscita as sombras mais sinistras do século 20: nesse vocabulário de extermínio ecoa o nazismo, a linguagem da desumanização sistemática, a lógica perversa segundo a qual certas vidas podem ser descartadas sem cerimônia.

O horror, porém, não ficou confinado às palavras.

Antes mesmo do cessar-fogo, Estados Unidos e Israel já haviam mergulhado o Irã em devastação. A ONU documentou o bombardeio de uma escola de meninas no sul do país no primeiro dia dos ataques, com mais de 160 crianças mortas, enquanto apuração preliminar dos próprios militares americanos apontou provável responsabilidade norte-americana no episódio. A Organização Mundial da Saúde verificou 13 ataques a instalações de saúde iraniana nas primeiras fases da campanha.

Isso não configura defesa. Isso não merece o nome de democracia.

O que se viu foi o mal em estado bruto, organizado como estratégia militar e revestido do verniz de um discurso civilizatório que já não engana ninguém.

Quando um homem envenena o reservatório de água de uma cidade, recebe o nome de terrorista. Quando destrói pontes, usinas, hospitais e escolas, merece o de monstro. O que dizer, então, do líder de uma potência nuclear que ameaça riscar do mapa uma civilização milenar?

Existe uma palavra para isso: crime de guerra. E outra para a indulgência diante disso: cumplicidade.

A máquina de guerra não avança sozinha. Ela precisa de jornalistas obedientes, de comentaristas servis, de um aparato midiático disposto a fabricar o consentimento. Foi exatamente isso que se viu na cobertura ocidental sobre o Irã. A mídia do Norte Global cumpriu sua função com zelo deprimente: em vez de informar, ajudou a construir o álibi.

A Europa, por sua vez, assistiu a tudo com covardia moral e submissão política. Emmanuel Macron está satisfeito com as “grandes coisas” que disse poder realizar ao lado de Trump? Ursula von der Leyen e Kaja Kallas se orgulham do rastro de ruína que ajudaram a legitimar? Era isso que queriam exportar ao mundo: medo, sangue, chantagem e devastação?

A vassalagem europeia aos Estados Unidos já não cabe na categoria de erro diplomático. Configura responsabilidade histórica, cumplicidade ativa com a destruição.

No Sul Global, as consequências chegam como ondas de choque sobre economias, cadeias energéticas e rotas comerciais inteiras. Nesse contexto, o silêncio de Narendra Modi pesa. A Índia integra os BRICS, tem deveres para com o Sul Global e para com a construção de uma ordem multipolar menos sujeita aos delírios violentos do império. Trump chegou a elevar tarifas contra produtos indianos a 50%, demonstrando que a arrogância imperial não reconhece aliados, apenas interesses.

O Brasil também assume essa responsabilidade. Num tempo em que a barbárie volta a falar alto, cada nação relevante será chamada a dizer de que lado está. O povo brasileiro responderá nas eleições de 2026, com primeiro turno marcado para 4 de outubro.

Não será uma escolha burocrática. A disputa já se desenha: Flávio Bolsonaro confirmou que vai concorrer, enquanto Lula segue defendendo o multilateralismo e uma ordem internacional menos submetida ao unilateralismo de Washington.

O que estará em julgamento não será apenas um programa de governo, mas duas concepções de mundo. De um lado, uma política subordinada ao extremismo e à brutalidade imperial. Do outro, a defesa da soberania dos povos e da dignidade das nações.

O brasileiro não poderá fingir neutralidade moral. Cada voto pesará também na balança internacional.

A trégua anunciada não resolve o essencial. Só a paz resolve, e paz não significa ausência temporária de bombas. Paz exige justiça, responsabilização e contenção dos agressores.

Vivemos tempos em que a linguagem do extermínio volta a circular com naturalidade, em que o massacre de crianças se relativiza, em que a destruição de escolas e hospitais se classifica como dano colateral.

O mundo não pode mais silenciar diante de quem defende abertamente a morte de civilizações inteiras.

É preciso ter coragem para nomear o mal. E estar, acima de tudo, ao lado da humanidade.

 

, ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes