A Rússia planeja ampliar sua presença diplomática no continente africano com a abertura de quatro novas embaixadas, conforme declarou o ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, durante a 46ª reunião do Conselho do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa.
Atualmente, o país mantém 45 representações diplomáticas na África. As novas missões serão estabelecidas em Gâmbia, Libéria, Togo e Comores, elevando o total para 49 embaixadas. Lavrov destacou que, com essa expansão, apenas quatro ou cinco nações africanas permanecerão sem uma missão diplomática russa permanente.
A iniciativa reflete um esforço estratégico para intensificar as relações com países africanos, movimento que ganha corpo com a reabertura recente de embaixadas em Níger, Serra Leoa e Sudão do Sul.
O ministro apontou ainda que 81 regiões russas já mantêm acordos de cooperação com parceiros no continente, sinalizando interesse crescente em parcerias econômicas e políticas.
Outro ponto central da agenda russa é a preparação para a terceira Cúpula Rússia-África, marcada para os dias 28 e 29 de outubro de 2026, em Moscou. Durante o evento, espera-se a aprovação de um novo plano de cooperação até 2029, com diretrizes específicas elaboradas por entidades federais russas para o período de 2027 a 2029.
Anatoly Bashkin, diretor do Departamento de África do Ministério das Relações Exteriores, confirmou a data do encontro, conforme reportado pelo portal RT.
As declarações de Lavrov e Bashkin enfatizam a busca por parcerias mutuamente benéficas em um cenário global em transformação, com Moscou apresentando sua atuação como alternativa às influências tradicionais no continente e reiterando uma visão de mundo multipolar.
A movimentação diplomática ocorre em um momento de reconfiguração de alianças na África, com países buscando diversificar parcerias além dos históricos laços com Europa e Estados Unidos. A presença russa, que inclui cooperação militar e econômica além das embaixadas, aprofunda o debate sobre os impactos de longo prazo para a soberania e o desenvolvimento local. A cúpula de outubro servirá como plataforma para formalizar essas ambições.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!