O que parecia caminhar para um ataque militar contra o Irã terminou com uma reviravolta: Trump recuou das ameaças e concordou em negociar com base no plano de 10 pontos apresentado por Teerã.
Ben Rhodes, ex-assessor de Segurança Nacional dos EUA, descreveu o desfecho como uma derrota "compreensiva" sofrida em um conflito de curta duração.
Yair Lapid, ex-primeiro-ministro de Israel, foi ainda mais direto: classificou o resultado como um "colapso estratégico" e um "desastre político sem precedentes" na história israelense.
O plano iraniano aceito como base das negociações concede poucas concessões aos EUA, segundo analistas. Trump confirmou a aceitação do princípio de uma taxa sobre o estreito de Ormuz, embora tenha manifestado preferência por uma "joint venture" com participação americana.
O JP Morgan calcula que o Irã pode obter entre 70 e 90 bilhões de dólares em receita anual adicional com o controle do estreito. O valor representa cerca de 20% do PIB iraniano e é quase dez vezes maior do que o Canal de Suez gera para o Egito, entre 9 e 10 bilhões de dólares por ano.
A hipótese mais aceita entre analistas é que Trump tentou um blefe de altíssimo risco ao qual o Irã simplesmente não cedeu. O Irã, cuja sobrevivência como Estado dependia de não capitular, não tinha margem para recuar.
Jennifer Kavanagh, ex-diretora da RAND Corporation, afirma que ao elevar tanto as apostas sem conseguir resultado, os EUA maximizaram os danos à percepção global de seu poder. Para ela, trata-se de uma "clara derrota estratégica".
Com informações do arnaudbertrand.substack.com.


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