A China alcançou um marco notável na agricultura ao demonstrar a viabilidade de cultivar trigo em áreas desérticas, superando barreiras naturais e técnicas.
Na região autônoma de Xinjiang Uygur, às margens do Deserto de Taklamakan, um projeto iniciado há dois anos tem gerado resultados concretos.
Em Kunyu, cidade de nível de condado localizada na borda sul desse deserto, a colheita mais recente de trigo, realizada em uma área de mais de 8.200 mu (equivalente a cerca de 547 hectares), registrou uma taxa de sobrevivência de mudas e de greening acima de 90%.
A informação foi divulgada pelo jornal People’s Daily em publicação do dia 5 de abril de 2026, conforme apurado por este portal.
O projeto combina esforços para combater a desertificação e reforçar a segurança alimentar do país, utilizando uma tecnologia avançada de irrigação automatizada chamada “sistema de sprinkler pivotante”.
Esse mecanismo opera com múltiplos bicos suspensos que funcionam como chuveiros, permitindo a distribuição eficiente de água em solos arenosos e áridos.
Essa inovação desafia a ideia de que o cultivo de trigo em desertos seria inviável, destacando o uso de soluções tecnológicas para superar limitações ambientais extremas na região de Xinjiang, conhecida por suas condições climáticas adversas.
Além do impacto local, a iniciativa tem potencial para inspirar estratégias semelhantes em outras partes do mundo que enfrentam problemas de desertificação e escassez de terras cultiváveis.
Países em regiões áridas da África e do Oriente Médio, por exemplo, poderiam se beneficiar de abordagens similares, adaptando tecnologias de irrigação e manejo de solo às suas realidades.
A experiência chinesa em Kunyu demonstra como a integração de recursos técnicos pode transformar áreas antes consideradas improdutivas em espaços de cultivo viável.
Especialistas citados pelo People’s Daily indicam que o projeto não apenas aumenta a produção de trigo em áreas inóspitas, mas também contribui para a estabilização de solos desérticos, reduzindo a expansão de áreas arenosas.
Os dois anos de desenvolvimento mencionados sugerem um trabalho contínuo e estruturado na região de Taklamakan, uma das maiores extensões desérticas do planeta.
Esse avanço na agricultura de condições extremas posiciona a China como um ator relevante no desenvolvimento de tecnologias para o setor.
A longo prazo, o impacto real dessa iniciativa dependerá de sua sustentabilidade ambiental e econômica, bem como da possibilidade de replicação em outros contextos globais.
Por enquanto, os números divulgados indicam um progresso técnico que pode redefinir o uso de terras áridas para a produção de alimentos essenciais como o trigo.
Com informações de scmp.com.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!