Representantes de 24 Estados da região do Atlântico Sul reafirmaram, durante a IX Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), realizada nos dias 8 e 9 de abril de 2026 no Rio de Janeiro, seu compromisso com a preservação da área como uma zona livre de conflitos e rivalidades geopolíticas externas.
A Declaração do Rio de Janeiro, documento final do encontro, destacou a importância do multilateralismo e do respeito ao direito internacional, alertando para os perigos da militarização da região e defendendo a eliminação total de armas de destruição em massa, além do cumprimento rigoroso de acordos de desarmamento nuclear.
No campo da segurança, os ministros decidiram intensificar a cooperação em defesa e vigilância marítima, priorizando o compartilhamento de informações para enfrentar ameaças como pirataria, pesca ilegal e crimes transnacionais que afetam a estabilidade regional.
O texto da declaração também reforçou a necessidade de soluções pacíficas para controvérsias, com menção explícita ao apoio às negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas, um ponto de tensão histórica entre Argentina e Reino Unido.
Além da segurança, o desenvolvimento sustentável emergiu como um dos pilares centrais do encontro. Os países reconheceram o papel estratégico do oceano Atlântico Sul para suas economias, comprometendo-se a colaborar em pesquisa científica, proteção da biodiversidade marinha, práticas de pesca responsável e no fortalecimento da chamada economia azul, que busca explorar os recursos oceânicos de forma sustentável.
Nesse contexto, foi adotada a primeira Estratégia de Cooperação da Zopacas, um plano que orientará ações práticas em temas como governança dos oceanos, segurança marítima, preservação ambiental e integração regional, promovendo maior conectividade entre os Estados membros.
Um dos avanços mais significativos da reunião foi a assinatura da Convenção para a Proteção do Meio Marinho no Atlântico Sul, um acordo juridicamente vinculante que estabelece diretrizes para prevenir e controlar a poluição na região.
O documento incorpora princípios como a precaução diante de riscos ambientais e a utilização de dados científicos confiáveis para embasar decisões. Entre as medidas previstas estão o combate ao despejo de substâncias perigosas, a proteção de ecossistemas marítimos frágeis, a criação de áreas marinhas protegidas e o enfrentamento à pesca predatória, além de iniciativas para fortalecer capacidades locais e facilitar o intercâmbio de informações entre os países.
No âmbito institucional, o Brasil assumiu a presidência temporária da Zopacas pelos próximos três anos, conforme decidido no encontro encerrado no dia 9 de abril de 2026. Criado em 1986, esse mecanismo de diálogo reúne Brasil, Argentina, Uruguai e 21 nações da costa ocidental da África, com o objetivo de manter a região livre de armas nucleares e outros armamentos de destruição em massa.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, a liderança brasileira buscará aprofundar a cooperação prática entre os membros, com foco em projetos que combinem segurança e sustentabilidade.
O encontro no Rio de Janeiro também serviu como espaço para reafirmar a relevância da Zopacas em um cenário global marcado por tensões crescentes. Autoridades presentes sublinharam que a unidade dos países do Atlântico Sul é essencial para resistir a pressões externas e garantir que a região permaneça um exemplo de cooperação pacífica e desenvolvimento conjunto, longe de disputas que não lhe pertencem.
Com informações de prensa-latina.cu.


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