O professor Seyed Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã, fez duras críticas a Israel, acusando o país de tentar impedir avanços em possíveis entendimentos entre os Estados Unidos e o Irã.
Em entrevista ao portal RT India, Marandi afirmou que as tensões no Oriente Médio estão em um momento delicado, especialmente no que diz respeito à estabilidade do Estreito de Ormuz, rota crucial para o fluxo global de energia.
Segundo ele, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, estaria agindo deliberadamente para minar qualquer possibilidade de trégua ou normalização na região.
Marandi também abordou as recentes ações militares de Israel no Líbano, classificando-as como uma clara violação de compromissos que, na visão dele, os Estados Unidos teriam assumido em negociações mais amplas.
Para o professor, tais movimentos não apenas agravam as tensões regionais, mas também contribuem para prolongar instabilidades econômicas em escala global. Ele acusou Netanyahu e seus aliados de terem interesse em manter um estado de crise, o que beneficia determinados grupos políticos e econômicos em Israel.
No que tange ao Estreito de Ormuz, o acadêmico destacou que a República Islâmica do Irã busca a retomada plena do comércio de energia na região, interrompido por políticas agressivas promovidas durante a administração de Donald Trump nos EUA e sob a liderança de Netanyahu em Israel.
Ele apontou que as sanções americanas, que restringem o uso do dólar em transações iranianas, são um obstáculo significativo, sugerindo que moedas alternativas, como as da Índia, Rússia ou China, poderiam ser uma solução viável para contornar essas barreiras.
Marandi expressou ainda preocupação com o que considera uma postura hostil de Israel, alegando que o lobby sionista e o governo israelense estariam determinados a impedir qualquer distensão duradoura.
Ele também criticou países do Golfo Pérsico que abrigam bases militares americanas, acusando-os de conivência em uma campanha de pressão contra o Irã.
O professor não poupou críticas à política externa dos Estados Unidos, especialmente no que diz respeito às sanções impostas ao Irã, que ele considera injustas e destinadas a sufocar a economia do país.
Marandi argumentou que, enquanto os EUA pregam direitos humanos e democracia no discurso oficial, suas ações no Oriente Médio — incluindo o apoio a Israel em meio a denúncias de violações em Gaza — revelam uma contradição flagrante.
Para ele, essa hipocrisia é evidente quando se observa o silêncio de Washington diante de ataques a jornalistas e civis na região, enquanto critica outros países por restrições à liberdade de imprensa.
No dia 10 de abril de 2026, a situação na região permanece tensa, com o Estreito de Ormuz como ponto focal de disputas geopolíticas que afetam o comércio global de petróleo. As negociações entre as potências envolvidas continuam sem um desfecho claro.