Irã contesta narrativa dos EUA sobre passagem de navios no estreito de Ormuz

Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando unificado das forças armadas do Irã, durante pronunciamento em Teerã / Reprodução

A República Islâmica do Irã rejeitou de forma contundente as declarações do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) que afirmam que navios americanos teriam atravessado o estreito de Ormuz em uma operação recente.

De acordo com o porta-voz do Quartel General Central de Khatam al Anbiya, as Forças Armadas iranianas detêm controle exclusivo sobre a circulação de embarcações nessa região estratégica, contestando a versão apresentada pelos Estados Unidos.

A resposta iraniana veio após o almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM, declarar que os destróieres USS Frank E. Peterson e USS Michael Murphy passaram pelo estreito como parte de uma missão de desminagem destinada a garantir a segurança do comércio marítimo.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reforçou a posição americana ao confirmar que os navios já estão operando no golfo Pérsico, integrando esforços para manter a estabilidade na área.

Esse embate verbal ocorre em um contexto de alta sensibilidade, enquanto delegações iranianas e americanas participam de negociações mediadas pelo Paquistão, em Islamabad.

O estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial, permanece como um foco de disputas entre as duas nações, com implicações diretas para a economia global.

Conforme reportado pelo portal RT, a posição do Irã reflete sua determinação em afirmar soberania sobre o estreito, utilizando-o como um instrumento de influência em meio a sanções econômicas e tensões diplomáticas com os Estados Unidos.

A capacidade de monitorar e, se necessário, restringir o tráfego marítimo na região é vista como um elemento central da estratégia iraniana de resistência nacional frente às pressões e agressões do eixo imperialista.

Os EUA insistem em sua presença militar como uma medida de proteção ao fluxo comercial, embora críticos apontem para a contradição de Washington, que prega segurança enquanto mantém políticas de intervenção no Oriente Médio.

A troca de declarações ocorreu em torno do dia 11 de abril de 2026, no contexto das negociações em curso entre as partes.

Agências internacionais como a Reuters também reportaram o aumento da presença militar americana no golfo Pérsico, destacando que os Estados Unidos buscam reforçar sua posição em meio a um cenário de instabilidade regional — movimentos que o Irã classifica como provocações diretas à sua soberania territorial.

A controvérsia no estreito de Ormuz não é um fato isolado, mas parte de um histórico de atritos entre Teerã e Washington, que frequentemente utilizam a região como palco para demonstrar poder e influência.

O Irã já alertou repetidamente que qualquer ação percebida como hostil terá respostas firmes, enquanto os EUA continuam a justificar suas operações com o discurso de defesa da liberdade de navegação.

Esse impasse mantém o mundo atento às possíveis consequências de um conflito mais amplo, especialmente considerando o impacto que interrupções no estreito poderiam causar ao fornecimento global de energia.

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