No dia 8 de abril de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, expediu mandado de prisão contra Vitório Campos da Silva, dentista de 73 anos.
A medida determina o imediato cumprimento da pena de 14 anos de prisão em regime fechado após o trânsito em julgado da condenação definitiva. Vitório Campos da Silva foi condenado pelos crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa, dano ao patrimônio e dano ao patrimônio tombado.
A decisão busca encerrar o período em que o condenado permanecia em prisão domiciliar no Pará, conforme detalhou o portal Diário do Centro do Mundo.
O processo transitou em julgado em março de 2026, quando a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal rejeitou por unanimidade os últimos recursos da defesa, tornando a sentença irrecorrível.
Desde abril de 2023, Vitório Campos da Silva cumpria prisão domiciliar no Pará, monitorado por tornozeleira eletrônica. Com a ordem judicial de Alexandre de Moraes, a Polícia Federal recebeu determinação para capturar o réu e iniciar o cumprimento da pena em estabelecimento prisional.
A Vara de Execuções Penais de Marabá, no Pará, ficou responsável por calcular o tempo exato de pena remanescente, com o desconto do período já cumprido em regime domiciliar.
Investigadores da Polícia Federal identificaram o dentista por meio de análise minuciosa de vídeos e imagens registradas por jornalistas durante os atos de 8 de janeiro de 2023. Elementos como o uso constante de óculos escuros, o bigode, a cor do cabelo e a faixa etária foram decisivos para a correspondência com as gravações.
Nas imagens, Vitório Campos da Silva aparece depredando o gabinete da primeira-dama Janja no interior do Palácio do Planalto. Mensagens eletrônicas atribuídas a ele revelam que o condenado incitava manifestantes e pressionava as Forças Armadas para a concretização de um golpe de Estado.
A defesa argumentou que os mais de dois anos em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica deveriam ser integralmente abatidos da pena total. A decisão de Alexandre de Moraes acatou o pleito em parte e determinou que o cálculo preciso da pena restante fosse realizado pela vara especializada em Marabá.
Vitório Campos da Silva figura entre os condenados que receberam as penas mais elevadas pelos eventos de 8 de janeiro de 2023, quando milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
Os atos ocorreram com o objetivo de contestar o resultado da eleição presidencial de 2022 e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A invasão causou destruição em áreas dos três poderes da República, com danos significativos a bens públicos e patrimônio tombado.
A identificação de Vitório Campos da Silva baseou-se em múltiplas fontes visuais e digitais, que permitiram a construção robusta do caso pela Polícia Federal ao longo dos anos de investigação.
Até o momento, não há confirmação oficial de que a Polícia Federal tenha cumprido o mandado de prisão. As autoridades não divulgaram a localização atual de Vitório Campos da Silva nem detalhes sobre eventuais operações para sua captura após a expedição da ordem no dia 8 de abril de 2026. O caso integra o amplo conjunto de ações judiciais destinadas a apurar responsabilidades individuais pelos eventos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.