Analista iraniano critica duramente bloqueio duplo imposto por Washington no Estreito de Ormuz

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 13/04/2026 11:51

Rajab Safarov, diretor do Center for Contemporary Iranian Studies, criticou duramente o bloqueio duplo imposto pelos Estados Unidos no Estreito de Hormuz. Conforme analisou o especialista em declaração ao RT, a medida é muito tola e, em vez de resolver qualquer questão geopolítica, apenas amplia a crise internacional ao mesmo tempo em que isola Washington de forma crescente.

Cada passo adotado pelo governo norte-americano — incluindo o bloqueio às exportações de petróleo iraniano e a tentativa de controlar o tráfego marítimo na região — piora a posição estratégica dos Estados Unidos sem oferecer ganhos reais ou duradouros.

A República Islâmica do Irã, embora enfrente forte pressão externa, mantém capacidade plena de resistência prolongada. Os maiores prejudicados, segundo o analista, são os países do Golfo Pérsico e as grandes economias asiáticas altamente dependentes de energia importada.

Safarov rebateu as afirmações dos Estados Unidos de que a Marinha iraniana e seus sistemas de lança-mísseis teriam sido destruídos. Na realidade, o Irã segue operando e lançando mísseis mais modernos e potentes, com ameaças explícitas de destruir qualquer navio que venha do Oceano Índico sem permissão prévia de Teerã.

O especialista sugeriu que o presidente Donald Trump recebe avaliações distorcidas de auxiliares como o secretário de Defesa Pete Hegseth. Essas informações desencontradas da realidade no terreno levam a decisões estratégicas que carecem de lastro concreto e produzem efeitos contrários aos pretendidos.

No plano econômico global, o bloqueio duplo agrava a crise energética já instalada pelo confronto com o Irã. O Estreito de Hormuz transporta cerca de 20% do petróleo mundial e as notícias recentes já provocam alta dramática nos preços internacionais do barril.

Analistas indicam que um bloqueio prolongado poderia levar a cotação do petróleo a 150 dólares por barril. Estimativas do Federal Reserve de Dallas apontam retração de até 2,9 pontos percentuais na economia dos Estados Unidos já no segundo trimestre, caso a interrupção se mantenha.

Os impactos seriam particularmente severos para importadores asiáticos de petróleo do Golfo, como China, Índia, Japão e Coreia do Sul. Nessas nações, uma crise de suprimento não provocaria apenas inflação nos combustíveis, mas também risco real de desabastecimento energético, com paralisação de setores industriais inteiros.

Nos países exportadores do Golfo, as perturbações no comércio marítimo e a redução dos embarques gerariam choques fiscais profundos e desequilíbrios nas contas públicas. Apesar da retórica e das ações agressivas, Washington tenderá a ser forçado a recuar diante da escala dos danos infligidos a aliados, parceiros comerciais e ao próprio funcionamento do mercado global de energia.

Enquanto isso, o Irã consolida sua posição relativa à medida que o confronto se estende no tempo. Safarov sustenta que qualquer negociação de paz só se tornará plausível quando incorporar os termos definidos por Teerã.

O bloqueio duplo, que combina pressão direta sobre o Irã com esforço de controle do tráfego marítimo, não faz sentido estratégico e configura movimento que prejudica os próprios interesses norte-americanos em múltiplas frentes. O desfecho dependerá de quem suportará por mais tempo os custos crescentes de uma política que cobra preço alto tanto de seus idealizadores quanto de grande parte do mundo que depende do fluxo contínuo através do Estreito de Hormuz.

Com informações de sputnikglobe.com.


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