Buraco negro reativa jatos após 100 milhões de anos de silêncio cósmico

Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 13/04/2026 12:05

Uma reativação colossal sacudiu o universo: o buraco negro supermassivo no centro da galáxia J1007+3540 despertou após aproximadamente 100 milhões de anos de silêncio. Esse fenômeno cosmológico foi capturado por imagens de rádio que mostram jatos poderosos explodindo como um “vulcão cósmico”, estendendo-se por quase um milhão de anos-luz enquanto confrontam a brutal pressão do aglomerado de galáxias ao redor.

De acordo com comunicado da Royal Astronomical Society, astrônomos liderados por Shobha Kumari, do Midnapore City College, Índia, e colaboradores observaram que o buraco negro voltou a emitir jatos depois de longo período de inatividade. Equipamentos como o LOFAR, na Holanda, e o upgraded Giant Metrewave Radio Telescope (uGMRT), na Índia, revelaram uma estrutura interna nova: jatos compactos e brilhantes emergindo de núcleo agora reativo, cercado por lobos de plasma desgastado deixados por atividades anteriores. O visual lembra camadas de um vulcão — jovens jatos brotando dentro de conchas antigas.

O estudo, publicado em Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, destaca que esses fósseis de plasma são visivelmente deformados pela interferência do gás extremamente quente que permeia o aglomerado onde J1007+3540 reside. O lóbulo norte aparece comprimido e torto, enquanto uma cauda tênue de emissão se estende para o sudoeste, revelando plasma tão antigo que perdeu boa parte de sua energia. Esses resíduos funcionam como relicário de erupções passadas, absorvendo e refletindo o tumulto imposto pela vizinhança intergaláctica. Segundo Science Daily, essa dualidade jovem-velho constitui assinatura clara de um AGN episódico — ou seja, um núcleo galáctico que alterna entre estados de quietude e atividade ao longo de escalas de tempo cósmicas.

J1007+3540 configura-se como laboratório vivo para compreensão do ciclo vital de buracos negros e de como eles influenciam evolução de suas galáxias. A energia descomunal dos jatos, a interação agressiva com o meio ambiente, e as camadas fósseis oferecem pistas sobre frequência com que esses motores gigantes despertam, suprimem e renascem. Revela-se também que crescimento galáctico não ocorre de modo linear, mas caracteriza-se por eras de calmaria intercaladas com tempestades energéticas interligadas a processos físicos complexos.

Os autores anunciaram planos para observações futuras de alta resolução, com foco no núcleo da galáxia, para mapear os novos jatos e estudar seus choques com o gás vizinho. Essa investigação promete esclarecer como AGNs episódicos regulam temperaturas, pressão e formação estelar no aglomerado que os abriga — elementos cruciais para entendimento do destino das galáxias diante do vasto palco do cosmos.

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