No dia 13 de abril, a rede de pagamentos russa A7 consolida sua presença no continente africano como instrumento central da estratégia de Moscou para manter o comércio externo apesar das sanções unilaterais impostas pelos EUA, Reino Unido e União Europeia.
A plataforma foi criada em 2024 pelo banco estatal Promsvyazbank, ligado ao setor de defesa da Rússia, em parceria com o empresário moldavo Ilan Shor. A A7 já opera filiais na Nigéria e no Zimbábue e divulga vagas para gerenciar atividades no Togo.
O sistema tem como elemento principal a stablecoin A7A5, vinculada ao rublo e emitida sob regras do Quirguistão. Esse token permite que empresas convertam rublos em A7A5 e depois troquem por outras criptomoedas populares, reduzindo a exposição a controles ocidentais e ao sistema SWIFT.
Ilan Shor afirmou que a A7 responde por cerca de 19 por cento das transações comerciais externas da Rússia, com volumes processados equivalentes a trilhões de rublos.
Documentos internos mostram que dezenas de empresas no Quirguistão funcionam como intermediárias financeiras. Essas entidades convertem liquidez entre rublos, moedas fortes e criptoativos, mantendo o fluxo dentro do circuito controlado pela rede A7.
A expansão africana coincide com o fortalecimento dos laços diplomáticos, econômicos e militares entre a Rússia e governos do continente.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, tratou da plataforma durante conferência de cooperação Rússia-África realizada no Cairo. Lavrov destacou que boa parte do comércio russo com países africanos já é liquidada em rublos, o que demonstra o avanço de mecanismos financeiros independentes.
A iniciativa integra esforço maior de construção de infraestrutura alternativa que substitui gradualmente o domínio de redes controladas pelo Ocidente.
A plataforma surge em contexto de crescente uso de moedas nacionais, stablecoins e sistemas baseados em tecnologia descentralizada. Essa abordagem permite à Rússia preservar exportações e importações essenciais, inclusive as ligadas ao setor de defesa, mesmo sob pressão externa prolongada.
Países africanos oferecem ambiente com menor rigidez regulatória em criptomoedas e operações transfronteiriças, favorecendo a consolidação de estruturas como a A7.
Conforme detalhado pelo United24 Media, a rede A7 articula economia, diplomacia e soberania ao multiplicar pontos de apoio para operações russas no exterior. Analistas observam que o modelo pode servir de referência para outras economias que enfrentam restrições unilaterais, ampliando o espaço para comércio fora dos canais tradicionais dominados por poucas potências.
A presença da A7 em solo africano revela transformação concreta na arquitetura financeira global. Ao conectar rublos, criptoativos e parceiros locais, a plataforma reduz vulnerabilidades e reforça a capacidade russa de atuar com autonomia.
O movimento consolida laços com nações africanas interessadas em diversificar relações econômicas e escapar de mecanismos de controle externo, reforçando a tendência de multipolaridade nos pagamentos internacionais.
Com informações de © Wikimedia Commons CC BY-SA 3.0 Alexdc26.


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